Três dias sem celular pode provocar mudanças no cérebro

Pesquisa identificou alterações em áreas ligadas a recompensa e dependência, além de possíveis ganhos no humor e no sono
quinta-feira, 11 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
(Foto: Freepik)
(Foto: Freepik)

Que tal três dias off? Reduzir o uso do celular por três dias provoca alterações químicas no cérebro em regiões relacionadas a mecanismos de recompensa e vício, sugeriu um novo estudo feito por pesquisadores da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, publicado no periódico científico “Computers in Human Behavior”. 

Os pesquisadores decidiram testar o que acontece quando se limita o uso do aparelho por 72 horas. Para isso, selecionaram 25 adultos jovens entre 18 e 30 anos, que foram orientados a utilizá-lo apenas para tarefas essenciais nesse período, como comunicação com familiares.

Para avaliar as mudanças no cérebro, todos passaram por exames de ressonância magnética no início e no final do teste. O exame foi feito enquanto os voluntários observavam três imagens: cenas neutras, como paisagens, e fotos de celulares ligados e desligados. Além disso, eles preencheram questionários sobre estados de humor e hábitos de uso.

Após três dias de restrição do celular, os voluntários apresentaram mudanças em áreas do cérebro ligadas ao sistema de recompensa, e relataram uma melhora em seu estado emocional e na qualidade do sono após o período de desconexão.

Quando expostos a imagens de smartphones, houve ativação de regiões associadas ao desejo mais intenso — como o giro cingulado anterior e o núcleo accumbens —, estudadas em quadros de dependência de substâncias, como cigarro e drogas. “Isso pode sugerir uma demonstração de um desejo mais intenso pelo uso do celular”, avaliou o psiquiatra Gabriel Garcia Okuda, do Einstein Hospital Israelita. 

Entretanto, o estudo apresenta limitações, como o pequeno número de participantes e a ausência de um grupo controle. A avaliação do uso e dos estados de humor foi subjetiva, baseada em relatos dos próprios participantes. Apesar disso, os resultados abrem espaço para novas discussões sobre o impacto do uso excessivo de smartphones na saúde mental.

Variações no humor

Os resultados dos exames cerebrais mostraram alterações em certas regiões do cérebro, a ponto de os autores compararem esse padrão ao observado na dependência de substâncias psicoativas ou do álcool. Além disso, o uso do celular provocou mudanças em áreas cerebrais associadas à dopamina e à serotonina, neurotransmissores fundamentais para a regulação do humor.

“Nossos dados não separam o desejo de usar o smartphone do desejo de interação social, que hoje em dia são dois processos estreitamente entrelaçados. Embora nossos dados mostrem achados relativamente sólidos sem desvendar esses processos, estudos futuros deveriam apontar claramente para esse aspecto”, explicaram os pesquisadores.

Embora os cientistas reconheçam que a chegada dos smartphones está mudando a vida das pessoas, o uso excessivo pode estar relacionado a variações no humor.

“Os mecanismos neurais identificados podem promover substancialmente o comportamento aditivo em pessoas com risco de uso excessivo de smartphones”, afirmaram.

“Por isso, o estudo não ‘bate o martelo’ para nada”, comentou Okuda. “Mas, ainda assim, ajuda a começar a pensar a respeito.”

 

(Fonte: CNN Brasil)

 

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