Tradição e história marcam o desfile da Alunos do Samba

A tradicional azul e branco de Conselheiro Paulino promete levar história e identidade regional para a Avenida Alberto Braune
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
por Laís Lima*
Foto: Henrique Pinheiro
Foto: Henrique Pinheiro

A agremiação mais antiga do carnaval friburguense, a escola Alunos do Samba será a segunda a desfilar no domingo, 15, pelo Grupo Especial, na Avenida Alberto Braune, apostando em um enredo que pretende resgatar memórias propondo reflexão sobre versões históricas.

Fundada em 2 de fevereiro de 1946, a Alunão soma 14 títulos na folia friburguense, o último conquistado em 1996. Neste ano, a escola prepara um desfile com quatro alegorias, 17 alas e cerca de 950 componentes, apostando na força de sua comunidade para empolgar o público e brigar pelas primeiras colocações.

Com o enredo “Procura-se Bandoleiro, Mão de Luva”, a proposta é revisitar a trajetória de um personagem cercado por controvérsias históricas na região Centro-Norte fluminense. Segundo o carnavalesco, Sérgio Caetano, a narrativa será conduzida de forma lúdica, inspirada na literatura de cordel. “Faremos uma brincadeira como se fosse um cordel, uma história que conheço desde a infância e que tenho enorme alegria em desenvolver. Ao pesquisar, descobri um livro de um autor mineiro que apresenta a parte documental dessa história”, explica.

Considerado bandoleiro pela Coroa Portuguesa, Mão de Luva teria sido, na visão do enredo, um personagem emblemático do período colonial. A escola apresenta a leitura de que ele teria sido um dos primeiros brasileiros e protagonista de deslocamentos pelo interior do país. 

“A escola levará para a avenida a trajetória desse personagem lendário do ciclo da mineração. Por volta de 1760, ele teria saído da região aurífera de Minas Gerais, cruzado o Rio Paraíba do Sul e seguido para os Sertões de Macacu, onde fundou um povoado que mais tarde se tornaria a cidade de Cantagalo”, afirma Caetano.

A preparação também marca um resgate de métodos tradicionais. De acordo com o carnavalesco, grande parte da produção foi feita internamente. “Estamos bem maiores que no ano passado e cerca de 80% do carnaval foi produzido dentro do barracão. Nosso ateliê funcionou intensamente, retomando essa tradição”, destaca, convocando a comunidade a participar do desfile que promete ser memorável. 

Ficha -Técnica 2026
  • Fundação: 02/02/1946 (80 anos);
  • Cores: azul e branco;
  • Símbolo: zé carioca;
  • Componentes: 950 componentes;
  • Presidente: Alessandro da Silva;
  • Vice Presidente: Celso Cunha Jason dos Santos;
  • Diretor de Carnaval: Alessandro da silva e Sérgio Caetano;
  • Enredo: Procura-se, Bandoleiro Mão de Luva;
  • Carnavalesco: Sérgio Caetano;
  • Correção e Edição: Rafael almeida;
  • Comissão de Frente: A chegada – o início de tudo
  • coreógrafo: Pedro Prince;
  • Alas: 17 alas;
  • Alegorias: 4 alegorias + 2 elementos cenográficos +comissão de frente;
  • Classificação em 2025: 3o lugar
  • Diretores de Harmonia: Marluce Bessa, Micheli Ferreira, Josimar Araújo,
  • Natalia Alves, José Mario;
  • Coordenadores de Harmonia: Mari Guimarães e Juan;
  • Diretor de Marketing e Recursos Áudio Visuais: Pedro Prince;
  • títulos: 1946, 1947, 1948, 1949, 1950, 1954, 1955, 1963, 1964, 1967, 1987, 1990, 1995, 1996 (14 títulos);
  • Intérprete: Tiaguinho;
  • Cavaquinhos: Wesley dos santos e Pedro pinho;
  • Violão: Willian dos Santos;
  • Apoios Vocais: Patrícia, Wagner, Gabriel ribeiro, Geazi, bolão, Antonela
  • patrícia;
  • 1o Casal de Mestre-sala e Porta-bandeira: Diego Falcão e Jack gomes;
  • 2o Casal de Mestre-sala e Porta-bandeira: Matheus Ignácio e Innay Silveira;
  • Nome (apelido) da Bateria: “Terremoto da Serra”;
  • Mestre: Mestre Riquinho;
  • Ritmistas: 120 componentes;
  • Rainha de Bateria: Manu dos Santos;
  • Baiana mais antiga: Tia zeti;
  • Número de Baianas: 20 baianas;
  • Diretores da Velhaguarda: tia ilza;
  • Número de integrantes da Velhaguarda: 28.

Samba Enredo 

Contam, nos confins das regiões,
Que ele veio de Portugal “apaixonado” 
Mas há quem diga que isso não aconteceu
Em Minas ele nasceu
Depois migrou por estas bandas
Trazendo a cobiça no olhar
Num afã de conquistar a confiança
Então os nativos se curvaram
E fizeram, enfim, uma aliança.
 
E nesse causo
Tem mistério e magia
Tristeza e alegria, contos de arrepiar 
Assim rolava um zum-zum-zum pela cidade
Se é mentira ou verdade, Deixa o povo falar.
 
E foi assim 
O forasteiro montou seu bando 
Índios e negros em seu comando 
Pelas veredas desse chão 
Todo o tesouro encontrado ele escondia 
Numa grande ironia, uma doce ilusão 
Até que um dia ele foi capturado 
Traído, condenado, ninguém sabe, ninguém viu
Aventureiro, temido o danado, Deixou o
seu legado... Cantagalo surgiu.
 
Êh, bandoleiro! Êh, bandoleiro, ah, Mão de Luva!
HOJE A TUA HISTÓRIA É MEU TEMA
Pioneira entra em cena Pra te exaltar. 

(*) Estagiária com supervisão Henrique Amorim 

 

 

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