Os hospitais de tuberculosos em Nova Friburgo

O Hospital da Marinha reforça a imagem de Nova Friburgo como uma estância de cura dessa doença, atraindo outros estabelecimentos
sábado, 04 de julho de 2020
por Por Janaína Botelho
O Hospital de Tuberculosos do Sanatório Naval funcionou até o ano de 1966 (Fotos: Acervo pessoal)
O Hospital de Tuberculosos do Sanatório Naval funcionou até o ano de 1966 (Fotos: Acervo pessoal)

Durante séculos a tuberculose era uma doença que causava muito temor na população, atingindo todas as classes sociais. Os mais abastados procuravam as regiões serranas, recomendadas para a convalescença dessa doença. Nova Friburgo ressurge no mapa da geografia médica como um local salubre por suas condições climáticas e mesológicas. Em razão disso, desde a sua fundação recebia em suas Casas de Hospedagem os tísicos, como eram conhecidos. Geralmente pessoas ricas e muitos acabaram fixando domicílio na vila serrana. 

A Marinha já possuía uma hospedaria em Nova Friburgo desde o século 19, para a cura do beribéri de seus marujos. Adquire então da família Clemente Pinto um imóvel que fora um pavilhão de caça com uma extensa mata em seu entorno. Estabelece um centro hidroterápico na propriedade fazendo uso da hidroterapia para a cura dos doentes. Porém, em razão do grande número de praças e oficiais portadores de tuberculose decide construir um hospital nessa mesma propriedade. Em 18 de fevereiro de  1936, inaugura o Hospital de Tuberculosos e desde então os marujos passam a ser chamados pelos friburguenses “os H.T.”, ou seja, oriundos do hospital de tuberculosos. 

O Hospital de Tuberculosos da Marinha reforça a imagem de Nova Friburgo como uma estância de cura dessa doença e foi atraindo outros estabelecimentos. Não fosse a interveniência de alguns vereadores o Cassino Cascata quando esteve à venda quase se torna uma nova unidade do Hospital de Tuberculosos de Corrêas, de Petrópolis. Foi adquirido pela Fundação Getúlio Vargas e se tornou o Colégio Nova Friburgo, uma referência nacional. 

A família Abi Ramia constrói no Catarcione, o Hospital Santa Terezinha para tratamento de tuberculosos. Igualmente pela cidade espraiavam-se inúmeras pensões e residências particulares que alugavam quartos aos tuberculosos. Isso ocorreu, pois os hotéis passaram a proibir a hospedagem dos acometidos por essa enfermidade. Em Campos do Jordão-SP alguns hotéis tiravam “chapa” antes do “check in” para se certificar se o indivíduo não contraíra tuberculose. Coincidência ou não, dois prefeitos de Nova Friburgo como Feliciano Costa e Amâncio Mário de Azevedo eram tisiologistas. A partir do momento em que foi inventado um antibiótico para a cura da tuberculose, os hospitais especializados nessa doença foram sendo desativados. O Hospital de Tuberculosos do Sanatório Naval funcionou até o ano de 1966, e desde então, se encontra desativado. O hospital de Santa Terezinha teve o mesmo destino.

LEIA MAIS

Em toda a sua história, o Raul Sertã passou por várias administrações e sofreu inúmeras intervenções

Da Santa Casa de Misericórdia à unidade regional de hoje

Como funcionava o antigo Hospital Santo Antônio, em 1963, quando o pediatra Joâo Hélio Rocha mudou-se para a cidade

Foto da galeria
Bondinho do Sanatório Naval
Publicidade

Apoie o jornalismo de qualidade

Há 75 anos A VOZ DA SERRA se dedica a buscar e entregar a seus leitores informações atualizadas e confiáveis, ajudando a escrever, dia após dia, a história de Nova Friburgo e região. Por sua alta credibilidade, incansável modernização e independência editorial, A VOZ DA SERRA consagrou-se como incontestável fonte de consulta para historiadores e pesquisadores do cotidiano de nossa cidade, tornando-se referência de jornalismo no interior fluminense, um dos veículos mais respeitados da Região Serrana e líder de mercado.

Assinando A VOZ DA SERRA, você não apenas tem acesso a conteúdo de qualidade, mantendo-se bem informado através de nossas páginas, site e mídias sociais, como ajuda a construir e dar continuidade a essa história.

Assine A Voz da Serra