Número de idosos cresce no país e chega a 16,6% da população

Com menos jovens e expectativa de vida alta, país entra em nova fase demográfica
sexta-feira, 24 de abril de 2026
por Isabella Rodrigues (*)
(Foto: Henrique Pinheiro)
(Foto: Henrique Pinheiro)
O Brasil está ficando mais velho, e isso já não é mais uma previsão distante. É um movimento que acontece agora, silencioso, mas visível no cotidiano: nas famílias menores, nas salas de espera, nas ruas. O país cresce menos e envelhece mais rápido, redesenhando o perfil da população e trazendo novos desafios para o futuro.

“Antes, envelhecer era quase sinônimo de parar. Hoje não.”
Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o ritmo de crescimento populacional desacelerou. Em 2025, o Brasil chegou a cerca de 212,7 milhões de habitantes, com alta de apenas 0,39% em relação ao ano anterior, uma das menores taxas já registradas.

Mais do que o número total, o que chama atenção é a mudança na estrutura etária. Em 2012, quase metade dos brasileiros tinha menos de 30 anos. Hoje, esse grupo representa cerca de 41%. Enquanto isso, o número de pessoas com 60 anos ou mais cresce de forma consistente e já chega a 16,6% da população, o maior número já registrado.

Pirâmide etária

A transformação também aparece na pirâmide etária, que perdeu o formato tradicional. A base, antes larga, está mais estreita, refletindo a queda no número de nascimentos. Já o topo se amplia, indicando uma população que vive mais. A idade mediana do brasileiro subiu de 29 para 35 anos em pouco mais de uma década, um dos sinais mais claros desse envelhecimento

E viver mais, nesse caso, é resultado de avanços importantes. A expectativa de vida no país atingiu 76,6 anos em 2024, o maior nível já registrado. Em comparação com a década de 1940, o brasileiro ganhou mais de 30 anos de vida em média. Hoje, quem chega aos 60 pode esperar viver, em média, mais de duas décadas.

Fim do bônus demográfico

Mas esse novo cenário também traz o fim do chamado bônus demográfico. Durante décadas, o Brasil se beneficiou de uma maioria da população em idade de trabalhar. Agora, com menos jovens e mais idosos, essa vantagem começa a desaparecer, o que pode impactar diretamente áreas como Previdência, mercado de trabalho e saúde pública.

Ao mesmo tempo, o envelhecimento muda a forma de viver. O número de brasileiros que moram sozinhos, por exemplo, cresceu e já representa quase 20% dos domicílios, impulsionado também por essa nova configuração demográfica.

O olhar de uma 60+

Para quem faz parte dessa geração que cresce junto com o país, os números ganham outro significado. Aos 67 anos, Suely Alves acompanha essas mudanças com um olhar de quem vive essa nova fase de perto. “A gente está vivendo mais, e isso é uma coisa bonita de ver. Antes, envelhecer era quase sinônimo de parar. Hoje não. Eu tenho planos, tenho rotina, quero aproveitar”, conta.

Ela diz que percebe essa mudança no próprio convívio. “Tem pessoas mais velhas que eu ainda na ativa, saindo, viajando, trabalhando. É uma conquista. É sinal de que o país melhorou em muita coisa. Claro que tem desafios, mas viver mais tempo é, no fim das contas, uma vitória”.

O Brasil que envelhece, portanto, é também um país em transformação. Se por um lado os números acendem alertas, especialmente para políticas públicas, por outro revelam uma sociedade que aprendeu a prolongar a vida.

Envelhecimento desigual

O envelhecimento da população brasileira não ocorre de forma uniforme e revela um país marcado por contrastes regionais. Enquanto o Sudeste e o Sul já apresentam uma estrutura etária mais envelhecida, o Norte ainda concentra uma população significativamente mais jovem.

Dados do IBGE mostram que regiões como Sudeste e Sul têm cerca de 18,1% de pessoas com 60 anos ou mais. Já o Norte lidera como a região mais jovem do país, os idosos chegam a 11,3%, com cerca de 22,5% de sua população com até 13 anos de idade.

Segundo dados, também há mudanças na forma como a população declara cor ou raça. Diminuiu em todas as regiões do país o número de pessoas que se declaram brancas. Em 2012, 46,4% da população era composta por brancos. Em 2025, passaram a ser 42,6%, com o aumento de 7,4% para 10,4% para pessoas declaradas pretas. 

(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim

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