Moraes e Barboza protagonizam momento histórico neste sábado

Amigos desde a infância, atletas friburguenses estarão juntos no mesmo evento, em Abu Dhabi
sexta-feira, 09 de outubro de 2020
por Vinicius Gastin
O octógono em Abu Dhabi, a
O octógono em Abu Dhabi, a "Ilha do UFC"

Um momento histórico para Nova Friburgo. Dois atletas de alto nível, integrantes da maior organização de lutas do planeta, juntos, no mesmo evento. Difícil algum município no mundo, com cerca de 200 mil habitantes, ter entre seus filhos dois grandes baluartes do mundo esportivo. Marlon Moraes e Edson Barboza serão os responsáveis por escrever esse capítulo marcante na história do desporto friburguense.

“É uma coisa que a gente não sabe nem explicar. Estávamos lutando há um tempo em Grajaú, e agora estamos na Ilha da Luta. Muita gente de Nova Friburgo vem pra cá dar aula, ganhar a vida. Falei pra ele: vamos lá, nos divertir e fazer o melhor. Já passamos muito sufoco, e antes pagávamos pra lutar. A cidade vai parar para as duas lutas, e queremos a vitória para coroar a nossa terra”, disse Marlon que faz a luta principal do evento Moraes x Sandhagen neste sábado, 10, na 'Ilha da Luta', em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Líder do ranking do peso-galo (61 quilos), ele segue a sua saga para ter nova oportunidade de disputar novamente o cinturão da organização. Na primeira chance, uma derrota para Cejudo, aumentando ainda mais o desejo de refazer o caminho rumo ao objetivo da carreira. E ele pode ser encurtado em caso de vitória.

Antes de fechar esse duelo, “The Magic” enfrentaria Petr Yan, mas com a pandemia e a aposentadoria de Henry Cejudo, até então campeão na época, perdeu a chance de encarar o russo. Posteriormente foi substituído por José Aldo.

"Infelizmente eu perdi a oportunidade (de lutar pelo cinturão), mas não queria ganhá-la sem ter uma grande performance. A luta contra o Aldo eu vejo como uma boa performance, porque ele não é um cara fácil de se vencer, é uma lenda, mas ela foi apertada. Muita gente achou que eu venci, outros que ele venceu. Depois de uma derrota, eu precisava de uma grande atuação para carimbar meu passaporte. Não quero nada dado. Posso fazer uma atuação de cinco rounds e mostrar que estou pronto. Estou me preparando para chegar lá e ser melhor do que ele nesses cinco rounds", disse Marlon Moraes em entrevista ao portal Ag Fitht.

Sem Yan, Marlon era o único atleta do topo da divisão sem luta. O desejo era enfrentar o ex-campeão Cody Garbrandt, que em junho desse ano venceu Raphael Assunção. Porém, o americano optou por descer para o peso-mosca (57 quilos). "Eu queria enfrentá-lo e foi a luta que o UFC acertou, mandou contrato, mas o Cody não respondeu e não disse o que queria. Eu já estava querendo lutar há muito tempo. Tentei enfrentar todos os caras do top 10, até com o Dominck Cruz, que era o número 12. Alguns inventaram desculpas, outros que estavam machucados e acabei ficando sem muita opção. Não tinha ninguém vindo de vitória. O Sandhagen foi o primeiro, é o cara que tem e vou para cima dele", explicou.

No último compromisso, em junho desse ano, Sandhagen foi finalizado por Aljamain Sterling, no UFC 250. Dentre as estratégias montadas por sua equipe, Marlon pode utilizar a luta agarrada como alternativa para conseguir a vitória e fugir da maior envergadura do rival, que possui 1,80 metro de altura, contra 1,68 metro do brasileiro.

"Ele mostrou que se complicou um pouco nessa área de luta agarrada, até com o Raphael Assunção também. Ele conseguiu derrubá-lo. Mas vou entrar para uma luta de MMA. Sou mais rápido que ele e é não deixá-lo conseguir essa distância, onde ele fica confortável. Estou indo com tudo para cima dele, serão cinco rounds e é a oportunidade que estava pedindo para voltar bem", completou Moraes.

Marlon soma 23 vitórias, seis derrotas e um empate em sua carreira no MMA profissional. No Ultimate desde 2017, o friburguense soma cinco vitórias e duas derrotas. A última apresentação foi em dezembro do ano passado, quando derrotou José Aldo, por decisão dos jurados, na edição 245 do show, em Las Vegas (EUA).

Edson busca primeira vitória

Edson Barboza possui uma história marcada por grandes momentos no UFC. Foi protagonista de alguns dos nocautes mais impactantes da organização em todos os tempos, e a potência dos chutes é temida por cada adversário que enfrenta. Contudo, depois de um período de oscilações na vida profissional e mudanças na vida pessoal, o friburguense decidiu mudar de categoria. E é nela que Barboza busca a sua primeira vitória.

Para a luta deste sábado, o UFC chegou a especular nomes como Mike Bohn e Nolan King, do MMA Junkie, mas definiu o finlandês Makwan Amirkhani como rival de Edson. Antes, enfrentaria o nigeriano Sodiq Yusuff, que por motivos desconhecidos, desistiu do evento. Inicialmente a organização chegou a ter um acordo verbal para um duelo Jeremy Stephens, mas a equipe do americano optou por adiar seu retorno ao octógono, uma vez que retornou recentemente aos treinos iria dificultar a meta de bater o limite da categoria peso-pena (até 66 quilos) em outubro.

Depois de duas derrotas consecutivas no peso leve, Barboza decidiu lutar no peso pena este ano. Ele perdeu a primeira luta contra Dan Ige por decisão dividida em 16 de maio, embora fãs e especialistas tenham o considerado vencedor do combate naquela ocasião.

O lutador de Nova Friburgo figura no 14º lugar do ranking da divisão, e uma vitória sobre Amirkhani pode levá-lo a uma briga entre os dez primeiros do peso pena. O último triunfo aconteceu em dezembro de 2018, quando bateu Dan Hooker por nocaute.

O oponente, conhecido como “Sr. Finlândia”, entrará na disputa após uma vitória em julho sobre Danny Henry no UFC 251, na Fight Island. O finlandês venceu três de suas últimas cinco lutas, o que inclui um bônus de Performance of the Night nesse período. Uma vitória sobre Barboza poderia ser considerada como o maior feito do atleta em seu início de trajetória no Ultimate.

 

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TAGS: UFC