Infectologista alerta para riscos de utilizar academias ao ar livre

Para Délia Engel, “distância entre os aparelhos não é a ideal”
terça-feira, 19 de maio de 2020
por Fernando Moreira (fernando@avozdaserra.com.br)
A academia ao ar livre da Via Expressa sendo usada (Fotos de leitor)
A academia ao ar livre da Via Expressa sendo usada (Fotos de leitor)

Desde o início da pandemia mundial por conta do coronavírus e devido às medidas de restrição impostas pelos governos estadual e municipal, uma série de atividades teve que ser suspensa, como o funcionamento das academias, por exemplo – e isso inclui as academias ao ar livre, disponíveis em vários pontos da cidade. Com a quebra da rotina no treinamento, muita gente tem optado por praticar exercícios físicos em casa ou ao ar livre. Mas aí surgiu o questionamento: é seguro praticar exercícios físicos na rua?

A discussão ganhou ainda mais força depois que as fitas zebradas que cercavam a academia ao ar livre no início da Avenida Galdino do Valle Filho, no Centro, foram retiradas e o espaço voltou a ser frequentado por  esportistas (o local já foi novamente cercado). Cabe ressaltar que a utilização desses espaços está proibida enquanto durarem as medidas de enfrentamento à Covid-19.

A VOZ DA SERRA tem recebido denúncias de pessoas que não estariam respeitando as determinações e insistem em utilizar os aparelhos. Nesta segunda-feira, 18, também estivemos nas academias ao ar livre situadas na Via Expressa, em Olaria, e em Duas Pedras, na altura da curva do JJ. Enquanto estivemos nos locais, ninguém foi visto se exercitando, mas leitores vêm enviando fotos de pessoas no espaço.

Para a infectologista Délia Engel, a prática esportiva ao ar livre é segura se for feita individualmente ou respeitando o distanciamento seguro. Mesmo assim, ela ainda acha cedo para a liberação do funcionamento das academias (fechadas ou ao ar livre): “O problema das academias ao ar livre é que a distância entre os aparelhos não é a ideal. E ao suar, a pessoa acaba passando a mão no rosto e no aparelho, que pode ficar contaminado caso ela esteja infectada. Não é a hora de liberar as academias ao ar livre de jeito nenhum”, afirmou.

Ainda de acordo com a infectologista, o compartilhamento de aparelhos nas academias é o fator de maior risco para as pessoas e que a utilização de álcool em gel nesses ambientes já deveria ser obrigatória desde antes da pandemia: “A corrida é uma outra discussão, ela pode ser feita ao ar livre. Alguns estudos apontam que a dispersão das gotículas que saem da boca de quem está correndo podem atingir uma distância de dois a 20 metros. Então, não é que a corrida ao ar livre deveria ser proibida, mas é necessário que seja feita sozinho ou com uma distância segura”, finalizou Délia.

O treinador e atleta de crossfit Cícero Cereja (foto), de 30 anos, que também é sócio de uma academia no Centro, é um bom exemplo nesse sentido: “Consegui trazer alguns equipamentos da academia para casa. Claro que algumas coisas são adaptadas, já que não tenho como trabalhar todos os exercícios que fazemos no dia a dia de treinamento normal. Eu tinha uma carga horária mais intensa, com isso, minha rotina de treinos diária está um pouco diferente do normal. Precisei adaptar isso com a rotina de casa e sem minha rotina normal de trabalho. Mas treino todos os dias, descanso apenas na segunda-feira. As vezes faço até duas sessões de treino. Estou nessa pegada há dois meses, desde quando as academias tiveram que ser fechadas. Mas, graças a Deus com saúde e respeitando o isolamento social”, disse o atleta.

 

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