Firjan confirma maior dinamismo da economia fluminense frente à economia nacional

Com avanço na vacinação, federação projeta o PIB do Estado do Rio em 4,2% em 2021
sexta-feira, 24 de setembro de 2021
por Jornal A Voz da Serra
Movimento de pedestres nas ruas de Friburgo (Foto: Henrique Pinheiro)
Movimento de pedestres nas ruas de Friburgo (Foto: Henrique Pinheiro)

O Produto Interno Bruto (PIB) fluminense tem alta de 1,7% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre (0,7%) do ano. A análise da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) destaca o quarto trimestre seguido de taxa positiva e confirma maior dinamismo da economia fluminense frente a economia nacional, que registrou recuo de 0,1%. Na comparação entre os períodos de 2020 e 2021, a alta foi de 10,3%, a primeira desde o primeiro trimestre de 2020.

Os dados são do estudo “Rio de Janeiro: resultados e perspectivas para o PIB”, divulgado pela Firjan. Considerando o avanço da vacinação contra a Covid-19, proporcionando um ambiente econômico mais favorável e resultando na antecipação de decisões de investimento no primeiro semestre do ano, a projeção para o crescimento em 2021 foi revisada para cima, de 3,8% para 4,2%.

“O estudo da Firjan confirma a retomada das economias mundial e nacional, influenciando positivamente a indústria de transformação fluminense, setor que apresentou a maior alta de 21,4% em comparação com o mesmo período de 2020, auge da pandemia. No comparativo ano a ano, também a construção civil cresceu (+11,9%), em linha com o bom momento vivido pelo mercado de trabalho formal. E o setor de serviços subiu 11,1%, na esteira da aceleração do ritmo de vacinação do estado. Isso nos permite revisar o PIB fluminense para 4,2% este ano”, afirma o presidente em exercício da Firjan, Luiz Césio Caetano.

O gerente de Estudos Econômicos da federação, Jonathas Goulart, destaca que a aceleração no processo de retomada da atividade econômica permite avaliar que o PIB industrial fluminense cresça 4% este ano. 

“A previsão é que a indústria da construção (+5,9%) e da transformação (+5,7%) tenham o maior impacto positivo. Já a expectativa para o setor de serviços também é de um crescimento elevado (+4,4%)”, explica Goulart.

Controle da variante e reformas para 2022

Para o ano que vem, a expectativa é de crescimento de 2,5% no cenário base, considerando o controle da disseminação da nova variante Delta no início de 2022. Para o bom desempenho da economia fluminense, são importantes que as reformas tributária e administrativa, em âmbito federal, e a previdenciária, em âmbito estadual, sejam aprovadas até o fim de 2022.

O segmento da construção civil deve ter a maior alta (+4,6%), influenciada por investimentos de infraestrutura, dado o elevado montante de recursos da concessão dos serviços de saneamento da Cedae e também pela maior demanda por obras residenciais. A previsão para a indústria de transformação também é de crescimento positivo (+2,4%), porém a um ritmo mais moderado, devido à desaceleração do segmento da metalurgia. O setor de serviços também será um importante vetor de geração de emprego e renda (+2,4%), impulsionado pela retomada daqueles segmentos que dependem diretamente da circulação de pessoas, como o turismo. Porém, mesmo que esse crescimento da atividade fluminense se confirme, o PIB estadual ainda fica 3,9% abaixo do nível de atividade recorde de 2014.

O estudo da Firjan traz ainda cenários alternativos para 2022. No cenário pessimista, com a disseminação da variante Delta, comprometendo a recuperação das economias mundiais, afetando a normalização da oferta de insumos até as exportações, além do aprofundamento da crise hídrica e do pior desempenho do quadro fiscal, a economia do estado deve crescer apenas 1,2%. No cenário otimista, com o controle total e não disseminação de novas variantes este ano, favorecendo uma aceleração do ritmo de crescimento da economia mundial, e com a aprovação de reformas estruturais de maneira ampla no primeiro trimestre, a previsão é de crescimento de 4%.

Para a Firjan, acelerar aumento da Selic  compromete a recuperação da economia

A federação entende que acelerar o ritmo de aumento da Selic é excessivo neste momento. O aumento da taxa básica de juros para 6,25% pode comprometer a recuperação de uma economia ainda fragilizada. E acredita que a evolução do quadro inflacionário atual e as expectativas inflacionária à frente seguem sendo de manutenção do ciclo de alta da taxa de juros, dados os fatores relacionados ao risco fiscal e a recomposição da demanda.

Além disso, a entidade ressalta que fatores relacionados à inflação de custos — crise energética e restrição de insumos — continuam pressionando e exigindo outros instrumentos para o controle inflacionário, e não somente a elevação da taxa básica de juros.

Neste sentido, a Firjan entende que a estabilidade de preços e o crescimento sólido da atividade econômica passam necessariamente pela retomada da confiança dos empresários. Sendo assim, é inadiável a aprovação de reformas estruturais, como a administrativa, contribuindo para um equilíbrio sustentável das contas públicas. A economia brasileira anseia por isso há décadas, para destravar investimentos e fomentar a criação de emprego e renda.

 

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