Enquanto Friburgo tem hospital de campanha desmontado, Witzel é afastado do cargo

Denúncias de corrupção na saúde levam PF a cumprir 17 mandados de prisão e 27 de busca e apreensão
sexta-feira, 28 de agosto de 2020
por Guilherme Alt ([email protected])
Os agentes da PF com malas cheias de documentos (Foto: Correio Braziliense)
Os agentes da PF com malas cheias de documentos (Foto: Correio Braziliense)

Na manhã desta sexta-feira, 28, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o afastamento imediato, inicialmente por seis meses, do governador Wilson Witzel (PSC) do cargo por denúncias de irregularidades na gestão da saúde. As denúncias envolvem a construção de hospitais de campanha que jamais foram usados, como o de Nova Friburgo, que já está sendo desmontado, em plena pandemia de coronavírus.

Witzel está impedido de acessar as dependências do governo do estado, de se comunicar funcionários e utilizar serviços.

Na operação, outras três pessoas consideradas muitos influentes no governo do estado foram presas: Pastor Everaldo, presidente do PSC, e grande incentivador da campanha de Witzel – apontado em deleção premiada do ex-secretário de saúde Edmar Santos como o responsável pelas nomeações ter grande influência na pasta –; Lucas Tristão, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico; Sebastião Gothardo Netto, médico e ex-prefeito de Volta Redonda.

Em nota, a defesa do Pastor Everaldo declarou que "o pastor sempre esteve à disposição de todas as autoridades e reitera sua confiança na Justiça".

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 17 mandados de prisão, sendo seis preventivas e 11 temporárias, e 72 de busca e apreensão. Até o momento, os mandados de busca e apreensão confirmados são contra a primeira-dama, Helena Witzel, no Palácio Laranjeiras; contra Cláudio Castro, vice-governador; contra André Ceciliano (PT), presidente da Assembleia Legislativa (Alerj); contra o desembargador do Trabalho Marcos Pinto da Cruz.

Em nota, a defesa de Witzel informou que se mostrou surpresa com a decisão do afastamento do cargo, no que considerou “tomada de forma monocrática e com tamanha gravidade". A nota informou ainda que os advogados aguardam o acesso ao conteúdo da decisão para tomar as medidas cabíveis.

Quem assume o governo é o vice-governador Cláudio Castro, que também é investigado, mas não teve o afastamento determinado.

Em entrevista, Witzel se disse vítima de perseguição política e disse que, como chefe do governo, combateu as irregularidades das quais é acusado de envolvimento sem provas.

 

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