Neste domingo, 9, será apresentado gratuitamente, às 15h, o espetáculo Cria!, no bloco 11 do Espaço Arp (Avenida Conselheiro Julius Arp, 80). A apresentação é inspirada em brincadeiras infantis, em uma forma de celebrar o brincar. Voltada para o público infanto-juvenil, pais e educadores, tem como objetivo despertar a imaginação e o desenvolvimento das crianças através da arte.
O espetáculo traz à cena quatro bailarinas, interpretadas por Julia Gil, Mendi Gouveia, Tamires Moreira e Carla Stank, que a partir de brincadeiras antigas, como bambolê, elástico e corda, vão construindo cenários durante a apresentação. Entre gestos e objetos, a imaginação é fundamental. E com isso, a corda vira ponte, o elástico vira caminho e o bambolê se transforma em animal.
Com idealização da dançarina Julia Gil, e parceria artística de Carolina Cony, o espetáculo foi desenvolvido através de pesquisas de movimento e as possibilidades da dança nessas brincadeiras. Julia buscou elementos e brincadeiras que estão enraizadas em diversas culturas para inspiração, pensando em como trabalhar com o imaginário e a invenção a partir dos possíveis desdobramentos da dança e dos cenários. “Achei relevante partir de brincadeiras que fazem parte da nossa história de corpo, de um corpo coletivo”, comenta Julia.
O projeto também contará com uma apresentação gratuita no Teatro Municipal Laercio Ventura, na terça-feira, 11, voltado especialmente para crianças da rede pública municipal, proporcionando uma experiência do teatro e do contato direto com a arte da dança para essas crianças.

Ao ser perguntada sobre quais são as expectativas para a estreia do espetáculo, Julia comenta que “a maior expectativa é ver o que será descoberto com a estreia do Cria!. O contato com o público transforma o trabalho e as crianças, nossos principais espectadores, tenho certeza que irão transformar o trabalho ainda mais. Esperamos nos divertir e dar um gosto de infância para todas as idades. Gerar ideias e promover o livre brincar. Junto com as crianças aprender, transformar e deixar Cria! nascer, crescer e voar longe”, diz.
Acessibilidade
Para garantir a acessibilidade de todos, durante toda a apresentação, será disponibilizado um espaço de acolhimento com monitor de acessibilidade, equipado com materiais para regulação sensorial e apoio durante toda a permanência no local. Além de áudio descrição da apresentação, especialmente desenvolvida para crianças com deficiência visual e abafadores de audição, disponíveis para pessoas com escuta sensível.
Como surgiu o espetáculo
Há cerca de um ano, o Grupo Meios, começou a desenvolver o Cria!, primeiro projeto de dança voltado para o público infantil do grupo. Julia começou a escrever o espetáculo ainda grávida do seu segundo filho, onde teve reflexões sobre vínculos, memória e buscou desenvolver um espetáculo que transmitisse a dança a partir da infância. “A vontade de fazer um espetáculo infantil já vinha há muito tempo. Buscava um espetáculo que fosse sobre a infância, para infância, com a infância. Acho que uma característica forte do grupo é buscar criações que promovam uma proximidade com o público, o uso de diferentes linguagens e que gere reflexões sobre a atualidade”, diz.
A partir do prêmio Fluxos Fluminenses, edital da Secretaria estadual de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec-RJ), o projeto foi viabilizado, contabilizando cerca de cinco meses entre pesquisa e ensaios. Entre as pesquisas, foram desenvolvidas atividades com os alunos do Pré I e II, e 1º e 2º anos do Ensino Fundamental da Escola Municipal São Pedro da Serra, a partir dessas mesmas brincadeiras utilizadas no espetáculo, como o elástico, o bambolê e a corda.
“Para além das brincadeiras tradicionais levamos outras dinâmicas: como a corda podia ser metáfora para coluna vertebral, como os bambolês poderiam se transformar em outros objetos e trazer dinâmicas no espaço, como os elásticos propunham sequências de movimento e cenários divertidos. A experiência da oficina nos deu ainda mais "sede" da urgência do brincar, do criar, transformar, se mover e convidar as crianças às brincadeiras tradicionais. É uma experiência tão rica, tudo é tão sensível, cinestésico, criativo para elas. Tivemos frases e reações que transformaram cenas do espetáculo. A experiência também nos deu bagagem para como estar com as crianças no momento da apresentação. São sutilezas fundamentais. Um olhar, uma organização, um cuidado, um convite”, explica a dançarina.
Desenvolvimento musical do projeto
A apresentação conta com uma trilha sonora, criada por Rodrigo Garcia com a participação de Ian Moreira e Pedro Barros. Desenvolvida através das próprias brincadeiras, junto com as cenas, e algumas trilhas já utilizadas em aulas de dança criativa. Segundo Julia, “também houve uma pesquisa de figuras populares, ritmos brasileiros e cantigas, o que fez até descobrirmos outras brincadeiras que não lembrávamos ou ainda não conhecíamos”.

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