Casos de estelionato aumentam em Nova Friburgo

Crimes financeiros cresceram 36% em setembro; golpes se diversificam com avanço da tecnologia
terça-feira, 21 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
Casos de estelionato aumentam em Nova Friburgo

Os casos de estelionato em Nova Friburgo continuam em alta. Segundo dados divulgados nesta semana pelo Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (ISP-RJ), o município registrou um aumento de 36% nas ocorrências em setembro deste ano, em comparação com o mesmo mês de 2024. Foram 135 registros em setembro de 2025, contra 99 no mesmo período do ano passado, segundo registros de ocorrências lavrados na 151ª Delegacia Legal de Nova Friburgo.

Entre os casos registrados, estão golpes cada vez mais sofisticados, que utilizam tecnologia e engenharia social para enganar as vítimas. Os mais comuns em Friburgo incluem o golpe do Pix, golpe do falso mecânico e golpes via aplicativos de mensagens, como o WhatsApp.

Especialistas em segurança alertam que o avanço das transações digitais e a popularização dos pagamentos instantâneos, embora tragam praticidade, também aumentam as oportunidades para ações fraudulentas. Os golpistas estão se tornando mais criativos e utilizam técnicas cada vez mais elaboradas para convencer as pessoas. A prevenção e a informação ainda são as melhores armas.

Principais golpes

Falsa central telefônica

Nesse tipo de golpe, o criminoso se passa por funcionário de banco e afirma que há movimentações suspeitas na conta da vítima. Para “resolver o problema”, orienta que ela realize uma transferência, via Pix, TED ou DOC, para uma conta indicada, alegando que isso cancela a transação suspeita. Na verdade, o dinheiro vai diretamente para o golpista.

WhatsApp

Um dos mais recorrentes no país. Os criminosos entram em contato fingindo ser representantes de empresas conhecidas, oferecendo descontos, oportunidades de emprego ou ajuda em anúncios. Durante a conversa, solicitam o código de verificação de seis dígitos enviado por SMS, e, ao obtê-lo, clonam a conta da vítima.

Com o acesso ao WhatsApp, os golpistas pedem dinheiro a amigos e familiares, simulando situações de emergência. Em alguns casos, utilizam até áudios ou imagens manipuladas, reforçando a falsa identidade.

Deepfake: a nova fronteira dos golpes virtuais

O termo deepfake vem ganhando destaque no cenário mundial. Trata-se de uma tecnologia que usa inteligência artificial para criar vídeos, áudios e imagens falsas, mas extremamente realistas. Com ela, é possível fazer uma pessoa parecer estar dizendo ou fazendo algo que nunca aconteceu.

Embora ainda pouco comum no Brasil, já há registros de casos em outros países em que golpistas usaram vídeos falsos de empresários pedindo transferências milionárias. A tendência é que esse tipo de fraude se torne mais frequente à medida que a tecnologia se populariza.

Falso mecânico

Esse golpe surgiu nas estradas, mas se tornou comum também nas cidades. O criminoso aborda motoristas em locais isolados, alegando que o veículo apresenta um defeito e oferece ajuda. Em seguida, simula um conserto e cobra valores altos por reparos desnecessários.

Em muitos casos, a abordagem ocorre em vias movimentadas ou marginais, aproveitando o momento de vulnerabilidade do motorista. Especialistas recomendam acionar sempre o seguro ou serviço de guincho em caso de pane, evitando aceitar ajuda de estranhos. 

Recentemente, dois homens foram presos por aplicar esse golpe em Friburgo. Eles alugaram uma loja em um posto de combustíveis da Avenida Hans Gaiser e aplicaram dezenas de golpes em motoristas que abasteceram seus veículos naquele posto.  

Maquininha de cartão

Popularmente conhecido como “golpe do táxi”, acontece quando o criminoso altera o valor cobrado na maquininha ou insere o cartão em um dispositivo adulterado. Assim, os dados do cliente são clonados e utilizados em compras indevidas.

Esse tipo de golpe pode ocorrer em bares, táxis, estacionamentos e até estabelecimentos comerciais. A recomendação é nunca entregar o cartão a terceiros e verificar o valor na tela da máquina antes de digitar a senha.

Falsa oferta de emprego

Esse tipo de golpe cresceu durante a pandemia e continuam ativos. A vítima recebe um e-mail ou mensagem com uma proposta de emprego tentadora, geralmente fora de sua área de atuação. Após demonstrar interesse, é solicitado o envio de documentos ou até o pagamento de uma “taxa de inscrição”.

Em outras variações, o golpista envia um falso comprovante de pagamento com valor superior ao combinado e pede o reembolso da diferença, momento em que a vítima transfere dinheiro real e descobre que o comprovante era falso.

Relacionamento online

Conhecido como romance scam, esse golpe envolve criminosos que criam perfis falsos em aplicativos de relacionamento. Após conquistar a confiança da vítima, começam a pedir dinheiro sob pretextos emocionais, como problemas de saúde, viagens ou emergências familiares.

Esses golpistas, chamados de “catfishers”, frequentemente usam fotos e dados de pessoas reais para parecerem autênticos. A orientação é nunca enviar dinheiro ou compartilhar informações pessoais com alguém que você nunca conheceu pessoalmente.

Como se proteger: cinco dicas da Polícia Civil

1. Desconfie de facilidades

Ofertas de lucros rápidos ou negócios vantajosos são os principais atrativos usados por golpistas. Antes de tomar qualquer decisão financeira, pesquise sobre a empresa ou pessoa envolvida e verifique se é legítima.

2. Não compartilhe informações pessoais

Dados como número do cartão, senhas, CPF e datas de nascimento não devem ser enviados por e-mail, mensagem ou telefone. Sempre confirme a origem da solicitação por canais oficiais.

3. Mantenha seus dispositivos atualizados

Atualizações de sistema e antivírus corrigem falhas de segurança que podem ser exploradas por criminosos. Evite instalar aplicativos de fontes desconhecidas.

4. Use segurança adicional

Crie senhas fortes e diferentes para cada serviço. Habilite a autenticação em duas etapas e, se possível, utilize um gerenciador de senhas.

5. Verifique a veracidade de quem entrou em contato

Recebeu uma ligação, e-mail ou mensagem suspeita pedindo dinheiro? Entre em contato diretamente com a empresa ou órgão por números oficiais. Instituições públicas e bancos não pedem senhas ou transferências para “bloquear fraudes”.

 

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TAGS: estelionato