Brasil volta para casa mais cedo

Afinal, por que não ganhamos dos europeus?
segunda-feira, 06 de julho de 2026
por Vinicius Gastin
Brasil volta para casa mais cedo

Em 2006, a Seleção Brasileira perdeu para a França e deu adeus ao sonho do hexa. Na Copa seguinte, foi a vez de a Holanda frustrar os planos brasileiros. Em casa, no Brasil, sofremos o traumático 7 a 1 para a Alemanha, e na decisão pelo terceiro lugar, perdemos para a Holanda. Em 2018 o algoz foi a Bélgica, e em 2022, a Croácia.

A Noruega é a mais nova seleção a bater o Brasil com o dramático 2 a 1 do último domingo, 5. Mais uma européia. E por que não ganhamos mais os europeus em mundiais, desde a final de 2002?

Poderíamos nos ater apenas ao superficial. Desde os caprichos e inexplicáveis do futebol, no caso do massacre alemão, a detalhes como um contra-ataque não neutralizado diante da Croácia. Ou ao pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães, que poderia mudar os rumos da partida contra os noruegueses. Discutir por que não o Vini Jr. cobrar aquela penalidade. Podemos - e devemos - lamentar as várias chances desperdiçadas durante o jogo, ou a atuação inspirada do goleiro adversário.

Todos esses contextos são válidos, mas na visão deste que vos escreve a análise deve ser mais ampla. O mundo evoluiu, e todos aprenderam a jogar futebol. Conforme já escrito nesta coluna, com algumas exceções, a distância entre os melhores e piores já não é tão grande.

Todos têm os seus destaques que brilham nos grandes centros, as suas estratégias. O equilíbrio observado em campo nesta Copa do Mundo é consequência de organização, melhora das estruturas e entendimento do jogo.

Faltou ao Brasil um ciclo decente, diferente deste feito com quatro treinadores, durante 37 jogos até a Copa, apenas 12 deles com Ancelloti. Falta competência para quem administra, planeja e gere. Ainda assim, com tudo isso, falta algo essencial: brasilidade. Jogar como Brasil. Produzir jogadores e pensar o futebol de acordo com a nossa cultura, a nossa forma de ser e de jogar. Que nos levaram a carregar cinco estrelas no peito. E que em algum momento foi perdida.

Scaloni, técnico argentino, falava sobre isso: de uma Seleção representar o seu país, a sua cultura e a sua identidade de jogo. E lá ele o faz: resgatou a identidade de uma Argentina que dita o ritmo. Com seus baixinhos habilidosos e aquele jogo característico. Algo que Klopp tentará fazer na Alemanha. E Ancelotti terá como missão nos próximos quatro anos.

Jogar em transição foi um modelo adotado para fazer do Brasil um time competitivo em meio ao pouco tempo para o italiano trabalhar. Mas o trabalho, a partir de agora, vai além: a transição necessária é aquela que traz as raízes do passado para o presente e para o futuro. Do Brasil que joga de forma alegre, que preserva o talento em detrimento apenas da força física e da organização tática. Que fazem parte, é claro. Mas que podem e devem ter um toque de brasilidade.

 E esse processo passa por rever conceitos das nossas divisões de base, investimentos, modelos de trabalho e priorização de contextos. Os clubes precisam sim, formar para vender. Mas é preciso encontrar um equilíbrio para fazer do atleta um produto atraente sem abrir mão do talento. Para que, no topo dessa pirâmide, na Seleção Brasileira, a nossa identidade seja resgatada. E assim possamos voltar a vencer os europeus e o restante do mundo com aquilo que sempre foi o nosso diferencial: a brasilidade.

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