Autor aprofunda o horror em “O Apocalipse Amarelo 2: Os Imundos de Shub-Niggurath”

Obra continua a série com delírio e investigação de nossa história atual
sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
Autor aprofunda o horror em “O Apocalipse Amarelo 2: Os Imundos de Shub-Niggurath”

A literatura de horror brasileira ganha um novo capítulo com o lançamento de “O Apocalipse Amarelo 2: Os Imundos de Shub-Niggurath”, segundo volume da série criada por Diego Aguiar Vieira. A obra chega após o reconhecimento de “Uma Torre para Cthulhu”, vencedor do Prêmio Aberst Rubens Lucchetti de Melhor Narrativa Longa de Terror, e expande de forma radical o universo que o autor apresentou em 2024. 

Se no primeiro livro a devastação era percebida pelas bordas, agora o leitor entra de vez no coração do caos. A trama acompanha personagens que tentam atravessar um mundo esfacelado: Rafa, ainda marcada pela perda; Ícaro, lutando para preservar a sanidade; Lúcia, criada no interior de um culto religioso; Malaquias, que tenta proteger os poucos que restam; e Juca, que insiste na lógica mesmo quando a realidade parece rejeitá-la. Entre todos, paira a presença inquietante de Kamog, “o sem pele”, figura que, segundo o autor, nasce com o propósito de “radicalizar a própria perspectiva do leitor”. 

Vieira explica que o ponto de partida deste segundo volume foi justamente romper com o primeiro: “Os Imundos de Shub-Niggurath não poderia ficar preso aos elementos de Uma Torre para Cthulhu. Eu queria ampliar o universo, sobretudo no escopo da religião: como as grandes crenças reagiriam ao descobrir que tudo que pregavam era mentira? Quem já conhecia a verdade e agora ajuda a divulgar a nova Palavra?”, afirma. 

A presença direta de Shub-Niggurath, uma das entidades do mythos lovecraftiano, ganha uma interpretação particular: não como a nuvem descrita por Lovecraft, mas como uma força rizomática que espalha caos, loucura e uma nova forma de consciência pelas ruínas do mundo. O apocalipse, diz o autor, é sensorial: “sente-se na carne, nos ossos, no sangue que escorre das palavras”. 

A escrita mistura horror cósmico, brutalismo literário e psicogeografia, um dos campos de estudo de Vieira. Suas influências se entrelaçam de maneira orgânica: de Burroughs a Alan Moore, de Borges a David Foster Wallace, passando pela paranoia de Thomas Pynchon, que o autor cita como influência decisiva para a estrutura do livro. “Como acontece na obra de Pynchon e, claro, na vida, nem tudo tem explicação. O caos e a entropia se fazem presentes de maneira avassaladora”, comenta. 

Mesmo em meio a delírios, ruínas e violência, os personagens seguem carregando falhas, dúvidas e pequenos lampejos de humanidade. “Empatia é a chave”, diz o escritor. “Eu não acredito em um mundo preto e branco, então não escrevo nada parecido. Restam-nos as tonalidades de cinza e a tentativa de atravessá-las”.

O futuro da série já está em andamento. Vieira trabalha em um “volume zero”, uma história de origem que deve apresentar novos aspectos do universo e incorporar o Necronomicon, aqui chamado de Neuronomicon, como elemento textual e mágico. Um livro de contos também está previsto, preenchendo lacunas narrativas e ampliando ainda mais o mosaico de personagens. 

“A série não repete fórmula. Cada volume muda de ritmo, de textura, de perspectiva. O mundo continua se abrindo, e se desfazendo, à medida que avança.” Para os leitores, o convite está feito: “Se você acompanhou o primeiro livro, ou se interessa por histórias que misturam horror, delírio e uma investigação profunda de nossa história atual, este volume é um bom ponto para continuar, ou começar, essa

travessia. Os Imundos de Shub-Niggurath amplia o que veio antes e abre novas portas para o que ainda está por vir.”

Sobre o autor

Diego Aguiar Vieira é autor de “Pássaros Artificiais”, “Macuconha”, “Crônicas de Calavera: Memento Mori”, além da série “O Apocalipse Amarelo”. Vive em Belo Horizonte (MG), é casado, tem uma filha e é tutor de uma gata. 

 

Apoie o jornalismo de qualidade

Há 81 anos A VOZ DA SERRA se dedica a buscar e entregar a seus leitores informações atualizadas e confiáveis, ajudando a escrever, dia após dia, a história de Nova Friburgo e região. Por sua alta credibilidade, incansável modernização e independência editorial, A VOZ DA SERRA consagrou-se como incontestável fonte de consulta para historiadores e pesquisadores do cotidiano de nossa cidade, tornando-se referência de jornalismo no interior fluminense, um dos veículos mais respeitados da Região Serrana e líder de mercado.

Assinando A VOZ DA SERRA, você não apenas tem acesso a conteúdo de qualidade, mantendo-se bem informado através de nossas páginas, site e mídias sociais, como ajuda a construir e dar continuidade a essa história.

Assine A Voz da Serra

TAGS: