Fundado em 7 de abril de 1945, o Jornal A VOZ DA SERRA é um dos mais antigos e respeitados veículos de imprensa do Estado do Rio de Janeiro, com sede em Nova Friburgo. Nesta terça-feira, 7, o periódico completa 81 anos de circulação ininterrupta, reafirmando seu papel como um dos principais pilares da informação na cidade.
Marlene dá o exemplo ao cursar o 5º período de Licenciatura em Pedagogia, pela Uerj. Ela é a aluna mais idosa do polo Cederj, em Friburgo
Ao longo de mais de oito décadas, o jornal acompanhou transformações políticas, sociais e culturais, registrando acontecimentos e dando voz à comunidade friburguense. E, neste marco simbólico, uma história especial ajuda a traduzir o significado desse tempo: a de Dona Marlene Vicente, que, aos 81 anos, dá o exemplo ao cursar o 5º período de Licenciatura em Pedagogia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Ela é a aluna mais idosa do polo do Centro de Educação Superior a Distância (Cederj) em Nova Friburgo.
Mais do que uma coincidência numérica, o encontro dessas duas trajetórias - Marlene e A VOZ DA SERRA - revela algo em comum: a capacidade de seguir em frente, sem medo do futuro.
Uma vida marcada pelo tempo e pelas mudanças
Nascida em uma época em que Nova Friburgo ainda crescia entre tradições e poucas novidades, Dona Marlene testemunhou mudanças profundas na história da cidade. Ao longo das décadas, vivenciou o desenvolvimento urbano, as transformações sociais e a evolução dos costumes, sempre com o olhar atento de quem aprendeu a valorizar os detalhes da vida. “Com o tempo, a gente aprende que tudo passa, mas as lembranças ficam”, resume a agora universitária.
Moradora de Nova Friburgo, ela construiu uma trajetória marcada por desafios e conquistas. Como tantas mulheres de sua geração, dedicou grande parte da vida à família, ao trabalho e às responsabilidades do cotidiano, adiando um sonho antigo: o de cursar o ensino superior.
O retorno à sala de aula
O que poderia ter permanecido apenas como um desejo guardado começou a mudar quando Dona Marlene completou 60 anos. Foi nesse momento que decidiu retomar os estudos e voltar à escola. “Fui fazer o ensino médio e terminei aos 65 anos. Depois disso, comecei a me interessar em fazer a graduação”, contou.
A virada aconteceu com o ingresso no curso preparatório Pré-Vestibular Cecierj, à época conhecido como Pré-Vestibular Social. Durante dois anos de dedicação, encontrou incentivo e apoio para seguir adiante.
“Foi ali que fiquei sabendo do Cederj, por meio dos professores que me incentivaram a continuar tentando ingressar no ensino superior”, lembra.
Em 2024, aos 79 anos, veio a conquista: a aprovação no Vestibular Cederj para o curso de Licenciatura em Pedagogia, na modalidade a distância, pela Uerj.
Aprender não tem idade
Em sala de aula, a diferença de idade entre Dona Marlene e os colegas não se tornou barreira. Pelo contrário: transformou-se em oportunidade de troca. Entre os estudantes mais jovens, ela encontrou acolhimento, respeito e curiosidade. Sua presença vai além do aprendizado acadêmico, ela compartilha experiências, constrói pontes entre gerações e inspira quem está ao seu redor.
“Eu sempre quis estudar, mas a vida foi me levando para outros caminhos. Agora, sinto que estou exatamente onde deveria estar”, afirma.
Mãe de duas filhas, avó de sete netos e bisavó de dois, Dona Marlene carrega uma história de persistência que ultrapassa as páginas de qualquer livro.
Planos que continuam
Engana-se quem pensa que a graduação representa um ponto final. Para Dona Marlene, trata-se apenas de mais uma etapa. Ela já considera novos caminhos após a conclusão do curso. Entre os interesses, estão a gastronomia, que acabou sendo deixada de lado pelo custo, e o jornalismo, uma área que desperta curiosidade.
“Eu acho tão bacana ser repórter. Fiquei com essas ideias na cabeça”, conta, sorrindo. O desejo de continuar aprendendo reforça uma convicção que ela carrega consigo: o conhecimento não tem prazo de validade.
Um jornal que também se reinventa
Assim como Dona Marlene, A VOZ DA SERRA construiu sua trajetória com base na capacidade de adaptação. Ao longo de 81 anos, o veículo acompanhou mudanças tecnológicas, transformações no consumo de informação e os novos desafios do jornalismo contemporâneo.
Do impresso tradicional às plataformas digitais, o compromisso com a informação de qualidade permanece como marca central de sua atuação.
A coincidência entre as duas histórias não passa despercebida. Enquanto o jornal celebra sua longevidade e relevância, Dona Marlene representa a renovação constante, o desejo de seguir em frente e a coragem de recomeçar.
Histórias que se encontram
Ao completar 81 anos, A VOZ DA SERRA reafirma seu papel como guardião da memória e narrador das histórias que constroem a identidade de Nova Friburgo. E, entre tantas trajetórias acompanhadas ao longo do tempo, a de Dona Marlene surge como símbolo vivo desse legado.
Duas histórias distintas, unidas pelo mesmo número e por um mesmo significado: a certeza de que o tempo não limita, ele transforma, ensina e abre novos caminhos.
Seja nas páginas de um jornal ou na sala de aula, o que permanece é a vontade de continuar escrevendo a própria história.
(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim
Nas aulas, Marlene tem o apoio da sua tutora Viviane Heringer (e) e da diretora do Polo Cederj Friburgo, Rosali Zavoli (Foto: Henrique Pinheiro)
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