Bebidas adulteradas: Antídoto contra o metanol está a caminho do Brasil

Fomepizol deve chegar ao país até o fim desta semana, segundo o Ministério da Saúde
quarta-feira, 08 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Freepik
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O Fomepizol, antídoto capaz de tratar intoxicações por metanol, deve chegar ao Brasil ainda nesta semana e não será vendido em farmácias, segundo informou Fabiana Sanches, diretora de Assuntos Médicos da Daiichi Sankyo Brasil, representante da farmacêutica japonesa responsável por fornecer o medicamento ao Brasil.

O medicamento, que tem uso estritamente hospitalar, será importado dos Estados Unidos em caráter emergencial e distribuído pelo Ministério da Saúde. A negociação foi conduzida entre a farmacêutica, o ministério, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A chegada do medicamento é uma grande esperança para o combate à onda de casos recentes de intoxicação por metanol misturado a bebidas alcóolicas. As intoxicações já causaram três mortes no Brasil. Há um caso suspeito no Estado do Rio de Janeiro 

Uso restrito 

O Fomepizol não será vendido em farmácias nem poderá ser adquirido livremente pela população. Segundo Sanches, o medicamento é de uso hospitalar e injetável, administrado via intravenosa sob supervisão médica.

“Mesmo vindo para o Brasil, ele não vai ficar disponível em farmácias. É um medicamento de uso estritamente hospitalar. Ele deve ser administrado com supervisão médica dentro dos hospitais, e serão apenas alguns hospitais de referência que terão essa medicação disponível”, disse.

Como o antídoto age

O metanol é um álcool usado industrialmente em solventes e outros produtos químicos, é altamente perigoso quando ingerido. Inicialmente, ataca o fígado, que o transforma em substâncias tóxicas que comprometem a medula, o cérebro e o nervo óptico, podendo causar cegueira, coma e até morte. Também pode provocar insuficiência pulmonar e renal.

  • O Fomepizol atua bloqueando a enzima álcool desidrogenase, responsável por transformar o metanol em substâncias altamente tóxicas ao organismo, como o formaldeído e o ácido fórmico;

  • Essas substâncias são as principais responsáveis pelos efeitos graves da intoxicação, que incluem cegueira, danos neurológicos e falência de órgãos.

O antídoto é mais eficaz do que o etanol farmacêutico, usado atualmente em hospitais como alternativa temporária.

Tratamento

O tratamento deve começar assim que houver suspeita de intoxicação, sem necessidade de confirmação laboratorial. “Os médicos não precisam esperar a confirmação de ser uma intoxicação por metanol. Com base na história clínica e no quadro do paciente, já podem iniciar o tratamento com o antídoto”, destacou Sanches.

O protocolo inclui uma dose de ataque, seguida por doses menores a cada 12 horas, totalizando quatro aplicações principais. O paciente vai receber a dose de ataque, com um volume um pouco maior, e as doses subsequentes, até quatro doses com 12 horas de intervalo. A manutenção vai depender do quadro clínico do paciente e, se possível, dos níveis de metanol no sangue

A melhora costuma ocorrer dentro de 48 horas, conforme o organismo elimina o metanol. Em casos graves, o tratamento pode ser combinado com diálise, para acelerar a eliminação da substância.

Casos de intoxicação no Brasil

O Ministério da Saúde confirmou 17 casos de intoxicação por metanol no país, segundo balanço divulgado na segunda-feira, 6. Ao todo, foram 217 notificações relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, 200 delas ainda em investigação.

O Estado de São Paulo concentra a maior parte dos registros: 15 casos confirmados e 164 sob análise, o que representa 82,5% do total. No Estado do Rio há um caso suspeito de um homem, morador de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, que segue sendo monitorado pela Secretaria estadual de Saúde (SES-RJ) e passa bem. O caso de uma moradora de Niterói, na região metropolitana, foi descartado como sendo intoxicação por metanol.

Quais bebidas estão sendo 'batizadas' com metanol?

Os casos de intoxicação por metanol identificados até agora envolvem bebidas destiladas, como vodka e gin. No entanto, especialistas reforçam que, neste momento, nenhuma bebida pode ser considerada totalmente segura. O risco maior, porém, está nos destilados, especialmente os incolores.

De acordo com médicos ouvidos pelo portal de notícias G1, cerveja, vinho e chope apresentam menor vulnerabilidade à adulteração com metanol, principalmente pela forma de produção e envase. A cerveja em lata é apontada como a opção de menor risco, já que o recipiente é mais difícil de ser adulterado.

Como identificar metanol na bebida

Não é possível identificar a presença do metanol apenas olhando, cheirando e provando a bebida. Ele não altera cor, odor ou sabor, e só pode ser detectado por testes laboratoriais. Por isso, especialistas o chamam de “substância traiçoeira”.

Autoridades recomendam que consumidores fiquem atentos a embalagens suspeitas (como lacres tortos ou rótulos mal impressos), desconfiem de preços muito baixos e sempre exijam nota fiscal.

Sintomas de intoxicações

As pessoas que apresentarem visão turva, desconforto gástrico e quadros de gastrite após ingestão de álcool devem procurar a unidade de atendimento mais próxima de casa. A intoxicação por metanol pode causar cegueira irreversível e morte. 

(Fonte: G1 e Agência Brasil)

 

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