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Entre montanhas e mercados: O caminho da internacionalização

Lucas Barros
Além das Montanhas
Advogado com atuação no ecossistema de inovação e pós-graduado em Prática Trabalhista. Colunista, empreendedor e pesquisador em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) regulados pela ANEEL. Apaixonado por Nova Friburgo, escreve “Além das Montanhas” para mostrar que a cidade não vive isolada, entre suas montanhas, do que acontece ao seu redor.
Nova Friburgo nasceu em 1819 como a primeira colônia suíça planejada no Brasil. Desde o início, a cidade combinou a disciplina europeia com a inventividade brasileira, criando uma cultura de trabalho e qualidade que atravessa gerações de nascidos e residentes na conhecida “Suíça Brasileira”.
Essa herança se refletiu em fábricas, indústrias e serviços que deram fama à região serrana, transformando um pequeno povoado de colonos em um polo econômico de relevância nacional, tornando-se referência em moda íntima, fitness, metal-mecânico e turismo, atraindo visitantes e investidores.
Ao longo do século XX, Friburgo diversificou sua economia e mostrou talento para inovar. Mesmo após crises econômicas e tragédias naturais, a cidade sempre soube se reerguer, reforçando o espírito empreendedor que marca sua identidade. Hoje, esse mesmo impulso precisa ser canalizado para um novo desafio: conquistar o mercado global.
Os números recentes do comércio exterior deixam claro o tamanho da tarefa. Em 2024, exportamos cerca de 4,4 milhões de dólares, mas importamos 18,5 milhões, acumulando déficit superior a 76 milhões de reais. Para cada real que sai com produtos friburguenses, quatro entram de fora.
Essa balança negativa é mais do que um dado contábil; é um sinal de que precisamos ampliar horizontes e planejar a presença de Friburgo no cenário internacional. E, ao contrário do que muitos pensam, internacionalizar não significa apenas vender para fora. É criar competitividade, atrair investimentos, absorver tecnologia e gerar empregos de alta qualificação.
Cidades que se abrem ao mundo desenvolvem infraestrutura, elevam padrões de qualidade e oferecem mais oportunidades a seus cidadãos. Friburgo já tem tradição industrial, um polo universitário consolidado em nível nacional, empreendedores resilientes e um ecossistema de startups em expansão. O momento pede ousadia para transformar essas qualidades em estratégia.
Internacionalização: Um processo necessário
O especialista em internacionalização de negócios Vinicius Bittencourt, cofundador da Flow Vista, empresa com operações em 30 países, explica que, no campo industrial, o Brasil ainda tem muitas oportunidades de exportação, favorecidas pela isenção de impostos tanto em serviços quanto em produtos.
“Quando falamos de uma cidade como Nova Friburgo, é importante ver a criatividade como um motor de internacionalização. Serviços de tecnologia, marketing e até profissões como a advocacia podem ser exportados com competitividade. Mas, para aproveitar isso, é essencial investir em marketing internacional, para que nossas empresas sejam encontradas por parceiros e importadores.”
“As missões internacionais e a participação em eventos fora do país são fundamentais nesse processo, porque posicionam a cidade e abrem portas. Não podemos pensar apenas em grandes indústrias. Startups, empreendedores individuais e negócios criativos têm espaço lá fora. Programas de aceleração com foco global, conexão com investidores estrangeiros e cultura de inovação podem gerar empregos e soluções inovadoras — e Nova Friburgo tem talentos capazes de entregar isso”, conclui Vinicius.
Iniciativa na Câmara de Vereadores
O vereador Marcos Marins, presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara de Vereadores de Nova Friburgo e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, destaca o papel do poder público nesse processo, desburocratizando processos, facilitando acesso ao crédito e abrindo canais de diálogo com mercados internacionais.
“Nosso trabalho é criar pontes: facilitar acesso a crédito. Estamos elaborando propostas e indicações legislativas que incentivem a internacionalização das empresas friburguenses, impulsionem a economia local e gerem mais empregos qualificados. O setor privado é essencial, mas o governo deve oferecer as condições para que as oportunidades aconteçam, especialmente numa cidade que ocupa uma grande fatia
do mercado nacional em diversos setores”, explica Marcos Marins.
Transformar esse potencial em realidade exige união de esforços. Universidades podem formar profissionais com visão global, entidades de classe podem fomentar consórcios de exportação e certificações, enquanto empresários devem investir em inovação e sustentabilidade. O poder público, por sua vez, precisa buscar acordos e parcerias que tornem esse caminho menos burocrático e mais competitivo, permitindo
que a cidade conquiste mercados de maneira consistente.
Nova Friburgo já provou, ao longo de mais de dois séculos, que sabe se reinventar. Dos colonos suíços que transformaram a serra em lar produtivo aos empresários que fizeram da moda íntima uma marca nacional, a cidade demonstra talento e ambição.
Agora é hora de mostrar que também temos vocação global. Internacionalizar não é luxo: é uma necessidade para garantir que as próximas gerações encontrem aqui uma cidade vibrante, inovadora e plenamente conectada ao futuro.

Lucas Barros
Além das Montanhas
Advogado com atuação no ecossistema de inovação e pós-graduado em Prática Trabalhista. Colunista, empreendedor e pesquisador em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) regulados pela ANEEL. Apaixonado por Nova Friburgo, escreve “Além das Montanhas” para mostrar que a cidade não vive isolada, entre suas montanhas, do que acontece ao seu redor.
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