Brasileiros gastam quase 10% da renda só com juros

Constatação é do Banco Central. Percentual é o maior já registrado em 20 anos
terça-feira, 26 de agosto de 2025
por Jornal A Voz da Serra
(Foto: Freepik)
(Foto: Freepik)

O montante total da renda das famílias brasileiras que é comprometido com dívidas, incluindo parcelas e juros, chega atualmente a 27,79%, pelo menos 10% desse total são consumidos somente para pagar juros de débitos e financiamentos em geral. Isso significa que mais de um quarto da renda mensal das famílias é reservado para pagamentos de empréstimos, cartões de crédito e outros financiamentos.

Os juros são os valores cobrados pelos bancos ou financeiras pelo empréstimo de dinheiro. Quanto maior for a taxa, mais caro fica pagar a dívida. Já o comprometimento da renda indica a porcentagem do salário ou da renda familiar usada para quitar essas dívidas.

No caso do Brasil, a maior parte desse comprometimento vem de crédito de curto prazo, como empréstimos pessoais e o rotativo do cartão de crédito. Essas modalidades têm juros mais altos e exigem pagamento rápido, diferente de financiamentos imobiliários, que possuem taxas menores e prazos longos.

Comparação internacional

O peso das dívidas no orçamento brasileiro é quase três vezes maior do que a média de 17 países desenvolvidos, segundo dados do Banco de Compensações Internacionais (BIS). Nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 8% da renda vai para o pagamento de dívidas, enquanto no Japão, o percentual é de 7,8%. A diferença ocorre porque, em países desenvolvidos, grande parte das dívidas das famílias está ligada a empréstimos habitacionais, que oferecem menor risco ao banco e possuem juros menores.

Em 2023, o pagamento de juros sobre o orçamento familiar atingiu um pico, influenciado pelo aumento do crédito e das taxas de juros. Houve uma pequena melhora em 2024, mas os últimos meses mostram nova alta. Entre os fatores que contribuem para essa situação estão o crescimento do crédito e o custo elevado do dinheiro. Em junho, a taxa média anual do crédito pessoal atingiu 58,3%, o maior nível desde maio do ano anterior. Ao mesmo tempo, o saldo de crédito concedido às famílias, excluindo financiamentos imobiliários, cresceu 23,4% nos últimos dois anos.

Impacto do consignado privado

O Governo Federal lançou recentemente um programa de consignado privado, que permite que trabalhadores com carteira assinada tenham parcelas descontadas diretamente do salário. Desde março, já foram liberados quase R$ 21 bilhões em empréstimos para mais de quatro milhões de trabalhadores. Nesse tipo de crédito, a taxa de juros média até julho foi de 3,79% ao mês, mais alta que o consignado para aposentados (1,83%) e servidores públicos (1,84%).

O índice de não pagamento de dívidas acima de 90 dias entre pessoas físicas voltou a subir, chegando a 6,3% em 2024. O aumento significa que mais famílias estão atrasando pagamentos e enfrentando dificuldades para cumprir compromissos financeiros.

O crescimento dos juros pagos é muito mais rápido do que o aumento da renda das famílias: enquanto os gastos com juros aumentaram 20,5% em 2024, a renda total cresceu apenas 3,2%, mostrando que o orçamento está cada vez mais apertado.

Educação financeira

A educação financeira ajuda as famílias a controlar melhor as dívidas e evitar problemas com o orçamento. Compreender o custo real do crédito, incluindo os juros e taxas, e planejar os pagamentos permite que as pessoas evitem recorrer a empréstimos caros, como o cartão rotativo e o crédito pessoal de curto prazo.

Também é importante que cada pessoa avalie cuidadosamente a necessidade de pegar um empréstimo, verificando se os juros e prazos cabem na renda mensal e se o pagamento não compromete outras despesas essenciais. (Super Finanças

 

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