Tempo de Natal

Tereza Cristina Malcher Campitelli

Momentos Literários

Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Às vésperas de Natal, resolvi passear sobre poemas natalinos a fim de captar mensagens, querendo experimentar esse tempo enriquecido pelos versos dos poetas que admiro. As minhas palavras expressam certas tristezas e fogem um pouco do clima festivo posto que emergem de um canto da minha alma que sente o mundo carente de bondades.  Vou começar por Manuel Bandeira (1886-1968) com uma estrofe do poema “Canto de Natal”:

“O nosso menino

Nasceu em Belém

Nasceu tão-somente

Para fazer o bem.”

 

A história da nossa civilização é traçada por modos de pensar que ferem o respeito à vida e à cultura dos povos. O mesmo acontece com histórias de famílias, grupos de trabalho e comunidades. Nestas datas tanto se deseja a paz! A paz não é mais do que uma esperança que reina em nosso imaginário, como uma luz universal que nos faz mover para realizar desejos, que, até de maneira inconsciente, colocam a paz como finalidade última. Então, minhas reflexões me fazem aportar em ”Poema de Natal”, de Vinícius de Moraes.

“Pois para isso fomos feitos:

Para a esperança no milagre

Para a participação da poesia

Para ver a face da morte –

De repente nunca mais esperaremos...

Hoje à noite é jovem; da morte apenas

Nascemos, intensamente.

 

Para a cultura cristã, o Natal faz parte da vida e expressa um momento de nascimento, ou melhor, de renascimento. O trajeto que os destinos percorrem é desafiador e exaustivo em que a esperança é a estrela-guia, um símbolo que brilha no meio do caos. Tal qual é a poesia que busca a beleza das palavras para interpretar os fatos da vida. O Natal é o momento em que cada país, cada cidade e  cada um possa olhar para o seu interior, visando reabastecer forças, acalentar dores e perdas e superar vulnerabilidades. Para reencontrar o que é essencial.

Logo agora, depois de colocar o ponto final no parágrafo, os versos de Fernando Pessoa em “Natal” sorriem para mim.

Natal, na Província neva.

Nos lares aconchegados

Um sentimento conserva

Os sentimentos passados

 

Coração, oposto ao mundo

─ Como a família é verdade!

Meu pensamento é profundo,

Estou só e sonho saudade.

 

Como é branca de graça

A paisagem que não sei,

Vista de trás da vidraça

Do lar que nunca terei!”

 

Ah, o Natal! Não é uma convenção nem uma data comercial. Está entre todos os dias do ano em que o sol nasce e se põe. Vinte e quatro horas de encontro com a intimidade e a verdade. Quem já não sentiu ou sente saudade e solidão no Natal mesmo estando cercado de pessoas queridas? E os que tanto olham solitários ou carentes para outras pessoas que brindam o Natal com alegria?

Para terminar, deixo a estrofe do poema “Natal 2011, Cantiga dos Pastores”, de Adélia Prado.

“Que noite bonita é esta

Em que a vida fica mansa,

Em que tudo vira festa

E o mundo inteiro descansa?”

 

E os monges cantam lindas canções para nos iluminar e energizar porque no dia 26 a vida continua mais uma vez. E a gente precisa dos anjos. É tempo de orar por e para eles.

Desejo a todos um dia de encorajamento e renascimento.

Salve o Natal!

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Tereza Cristina Malcher Campitelli

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Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

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