Somatização do coronavírus: quando se tem os sintomas sem ter a doença

Situação é comum, diz psiquiatra Angela Maria Moura em entrevista
sábado, 09 de maio de 2020
por Guilherme Alt ([email protected])
A psiquiatra Angela Maria Moura
A psiquiatra Angela Maria Moura

Em meio a enxurrada de informações sobre o coronavírus, muitas dúvidas ficam no ar e, em muitos casos, as informações geram mais questionamentos do que esclarecem. O medo de contrair o vírus pode gerar problemas psicológicos. São muitos os casos, por exemplo, de pessoas que somatizam problemas relacionados ao coronavírus e são capazes de sentir os sintomas da doença, sem de fato, tê-la. Febre, tosse seca, falta de ar, ausência de olfato e paladar – sintomas ligados ao Covid-19 – podem ser sentidos. As pessoas enfrentam o efeito psicológico do contexto atual: a somatização do coronavírus.

Esses distúrbios psicossomáticos são comuns. Os pensamentos constantes de medo pelo contágio torna fértil o terreno emocional, configurado para, cedo ou tarde, dar sinais dos sintomas físicos.  A VOZ DA SERRA conversou com a psiquiatra  Angela Maria Moura sobre o assunto. 

AVS: O que é somatização?

Angela Maria Moura: A somatização se compreende nas situações em que sintomas clínicos de uma ou várias doenças são relatados pelo paciente, sentindo-os, mas não há a doença em si. Ou seja, somatizar é ter sintomas sem ter a doença.

É possível somatizar sintomas de Covid-19?

Neste momento, em que somos bombardeados todo o tempo com a descrição dos sintomas de uma doença que se mostra grave, algumas pessoas mais vulneráveis às ansiedades ou preocupações, podem queixar-se de alguns sintomas.

Como é possível diferenciar o paciente que está somatizando com o que de fato tem o vírus? Somente fazendo o teste?

Se já conhecemos o paciente, sabemos como ele se comporta nas situações de estresse. Mas, todos os sintomas devem ser levados em consideração. Fazer o teste, sempre que possível, é a melhor solução.

Qual é o nível de vulnerabilidade da pessoa, em casos como esses?

Cada pessoa tem sua capacidade de resiliência para os fatores estressores, de forma individualizada. É importante que seja avaliado desta forma, individual.

Quais são as causas dessa somatização?

Causas específicas, universais, não existem. Em situações de pandemia, o importante é se informar corretamente, e cuidar-se.

Em tempos de crise, os distúrbios somáticos aumentam?

Sim. Nas crises principalmente as relacionadas à saúde, o temor a não conseguir cuidados necessários torna-se pânico .

Nesses casos, a pessoa não está com o vírus, mas tem os sintomas. Há algum tratamento neurológico?

O ideal seria uma avaliação psiquiátrica, e psicológica. Um tratamento específico ajuda nestes casos. Psicoterapia e eventualmente um medicamento são de extrema ajuda.

Qual a recomendação para que a pessoa não sofra os efeitos da somatização?  

Informar-se corretamente, seguir as recomendações e conversar com pessoas que possam passar esperança e boas atitudes, ajudam. A cada um compete cuidar-se e aliviar o outro. Ou seja, seguir recomendações do Ministério da Saúde, não perder a esperança na passagem desse tempo ruim, ouvir música, ver bons filmes, ler bons livros, ligar para familiares e amigos, conversar. E aguardarmos novos tempos que virão para podermos viver solidariamente.

 

LEIA MAIS

Governo cria auxílio-transporte, alimentação e hospedagem para pacientes de radioterapia

Com prazos descumpridos, usuários reclamam de espaço improvisado "apertado e sem condições"; Prefeitura alega paralisação para ajustes e promete obra em "fase de acabamento".

A Secretaria Municipal de Saúde divulgou nesta segunda-feira, 20, um balanço do Dia D de Multivacinação, realizado no último sábado, 18,

Apoie o jornalismo de qualidade

Há 81 anos A VOZ DA SERRA se dedica a buscar e entregar a seus leitores informações atualizadas e confiáveis, ajudando a escrever, dia após dia, a história de Nova Friburgo e região. Por sua alta credibilidade, incansável modernização e independência editorial, A VOZ DA SERRA consagrou-se como incontestável fonte de consulta para historiadores e pesquisadores do cotidiano de nossa cidade, tornando-se referência de jornalismo no interior fluminense, um dos veículos mais respeitados da Região Serrana e líder de mercado.

Assinando A VOZ DA SERRA, você não apenas tem acesso a conteúdo de qualidade, mantendo-se bem informado através de nossas páginas, site e mídias sociais, como ajuda a construir e dar continuidade a essa história.

Assine A Voz da Serra