Reunião ainda nesta segunda deve resultar em uma bandeira roxa mais branda

Movimento “Mais Comércio” se insurge e entidades vão até prefeito, que aceita antecipar encontro e admite rever regras
segunda-feira, 05 de abril de 2021
por Adriana Oliveira (aoliveira@avozdaserra.com.br)
O protesto do comércio em frente a um shopping (Fotos de leitores e de Henrique Pinheiro)
O protesto do comércio em frente a um shopping (Fotos de leitores e de Henrique Pinheiro)

Uma reunião na tarde desta segunda-feira, 5, deve resultar em novas mudanças nas regras e em um abrandamento, ainda esta semana, das duras restrições impostas por uma inédita bandeira roxa em Nova Friburgo. O pedido de flexibilização partiu das  principais entidades representativas do comércio e da indústria na cidade, além de um movimento auto-denominado “Mais Comércio”, que mobilizou as redes sociais no fim de semana com a promessa de abertura de várias as lojas “na marra” nesta segunda.

No fim da manhã, comerciários empunharam faixas e cartazes com frases de protesto contra o fechamento das lojas de um shopping. “Luto”; “Meu trabalho é essencial, é o meu sustento”; “O prefeito não abre mão do seu; também não abrimos mão do nosso”, diziam algumas delas.

No sábado, 3, dois dias após o anúncio da bandeira roxa, entidades como a Câmara dos Diretores Lojistas (CDL), o Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) e a Associação Comercial Industrial e Agrícola de Nova Friburgo (Acianf) e a representação regional da Federação das Indústrias e do Comércio do Estado do Rio (Firjan) se reuniram com o prefeito Johnny Maycon em busca de um acordo. No domingo à noite houve outra reunião, esta com representantes do movimento Mais Comércio e o delegado titular da 151ª DP, Henrique Pessoa, que procurou demover os comerciantes da ideia de abrir as portas "na marra".

O presidente da CDL e do Sincomércio, Braulio Rezende, pediu autorização para a abertura das lojas ainda nesta semana. Ao lado de Julio Cordeiro, da Acianf, e de Marcia Carestiato, da Firjan, ele argumentou que, após seguidos feriados em atendimento ao lockdown estadual, o anúncio da bandeira mais restritiva para esta semana deixou os empresários profundamente apreensivos com a falta de perspectiva de volta ao trabalho.

À tarde houve fiscalização e alguns estabelecimentos não essenciais que estavam abertos foram orientados a fechar.

Segundo ele,  o prefeito também admitiu preocupação com a economia do município e  se mostrou receptivo ao “diálogo em vez do confronto”. 

"Várias empresas já fecharam, outras estão em situação crítica, e mesmo as que conseguiram sobreviver até aqui começam o mês sem saber como honrar uma infinidade de compromissos, como salários dos empregados, fornecedores, água, luz, telefone, impostos. O prolongamento deste cenário inviabilizará mais um grupo grande de negócios friburguenses", disse Braulio.

Ele explicou que o prefeito  aceitou adiantar para às 17h desta segunda a reunião do Comitê Operativo de Emergência em Saúde (COE), normalmente agendada para as quintas-feiras, com objetivo de redefinir as medidas de enfrentamento à pandemia na cidade.

Segundo Braulio, as entidades  argumentaram com Johnny  que lojas abertas não aumentam a propagação do coronavírus, baseado no fato de que o comércio funcionou de maio a novembro de 2020, obedecendo rigorosamente ao regramento sanitário, sem que houvesse explosão de casos em Nova Friburgo. Ele lembrou que o recrudescimento da pandemia aconteceu a partir de janeiro, em decorrência das festas de fim de ano e dos meses de férias de verão.

"Os comerciantes se sentem injustiçados porque assistem a filas em supermercados e bancos, ônibus lotados e outros locais de aglomeração, enquanto se veem proibidos de abrir suas lojas, onde entram um ou dois clientes por vez. O comércio lamenta muito o número de óbitos e doentes internados, torce para que a vacinação seja acelerada, mas quer trabalhar, com os cuidados necessários. Em Nova Friburgo, milhares de famílias dependem do nosso setor", afirmou.

Mais cedo, a Associação Comercial Industrial e Agrícola de Nova Friburgo (Acianf) realizou um bate-papo online pela plataforma Zoom para se posicionar sobre a possível abertura do comércio pelos integrantes do grupo “Mais Comércio”, em plena bandeira roxa. O grupo, na última semana, realizou uma série de protestos na porta da prefeitura contra a adesão ao lockdown do estado e o consequente fechamento das atividades consideradas não essenciais.

Na reunião, a Acianf advertiu sobre os riscos da abertura do comércio contrariando a lei, como cassação do alvará de funcionamento, multas e até mesmo uma possível reação negativa por parte da população, pelo descumprimento do decreto.

O presidente da Acianf, Julio Cordeiro, disse que se reuniu com o prefeito Johnny Maycon no último sábado, 3, junto com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Nova Friburgo (CDL) e a Firjan. Foi proposto que Friburgo já seguisse os novos direcionamentos da bandeira das prefeituras da capital e de Niterói, para não afetar tanto os segmentos econômicos da cidade. 

Julio ainda disse que o movimento “Mais Comércio” ajudou muito a acelerar as decisões por parte da prefeitura. Ele defendeu que o  prefeito faça ajustes na bandeira roxa, que,  criada ainda no governo Renato Bravo, nunca havia entrado em vigor e estaria defasada. As novas regras, sugeridas pela Acianf,  incluiriam o não fechamento total do comércio, e sim uma abertura com uma série de restrições, como horário menor de funcionamento. 

Julio pediu aos comerciantes para que esperem mais três dias, já que dentro desse tempo eles terão uma resposta mais concreta sobre o assunto. 

O inconformismo do comércio repercutiu bastante na cidade nos últimos dias. O vereador Isaque Demani protocolou na prefeitura um pedido de liberação de todos os setores da economia para trabalharem de forma responsável, observando as regras sanitárias e o afastamento social. Ele argumenta que "não é o trabalho a causa do aumento da contaminação pelo coronavírus".

 

 

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