Pausa para hidratação divide opiniões na Copa do Mundo

Medida adotada em todos os jogos do Mundial busca proteger atletas do calor, mas gera críticas por interromper o ritmo das partidas
terça-feira, 16 de junho de 2026
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Gettylmages
Foto: Gettylmages

Uma das novidades da Copa do Mundo de 2026 tem chamado a atenção dentro e fora dos gramados: a pausa obrigatória para hidratação aos 22 minutos de cada tempo. A interrupção, com duração de três minutos, está sendo aplicada em todos os 104 jogos do torneio disputado nos Estados Unidos, Canadá e México.

A medida foi criada para amenizar os efeitos das altas temperaturas e dos elevados índices de umidade enfrentados pelos atletas. Apesar do objetivo voltado à saúde dos jogadores, a iniciativa tem provocado debates entre técnicos, ex-jogadores e torcedores.

Críticas à obrigatoriedade

Entre os críticos está o técnico da seleção dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino. Para ele, a pausa só se justifica em situações climáticas extremas. “Não gosto disso. Só acho válido quando as condições são extremas. Quando as condições são boas, é desnecessário”, afirmou.

Alguns analistas também questionam a adoção da medida em estádios cobertos e climatizados, argumentando que a interrupção acaba favorecendo interesses comerciais ligados às transmissões televisivas.

Oportunidade para ajustes

Por outro lado, as pausas têm servido como momentos estratégicos para orientações técnicas. No confronto entre Brasil e Marrocos, disputado no último sábado (13), em Nova Jersey, a Seleção Brasileira perdia por 1 a 0 quando ocorreu a parada para hidratação no primeiro tempo. Poucos minutos após a retomada da partida, Vinicius Júnior empatou o jogo. Após o confronto, o técnico Carlo Ancelotti destacou que a interrupção permitiu corrigir aspectos táticos e transmitir instruções aos atletas.

“Durante essas pausas, pode-se explicar um problema aos jogadores”, afirmou o treinador italiano.

Quebra de ritmo

A técnica da seleção feminina dos Estados Unidos, Emma Hayes, considera que a interrupção beneficia principalmente as equipes que estão em desvantagem.

“Quando você está por cima, não quer a pausa; quando está perdendo, quer. Por isso eu as chamo de pausas de ritmo”, declarou.

Segundo ela, o intervalo pode servir não apenas para orientações técnicas, mas também para acalmar os atletas e reorganizar a equipe dentro de campo. A mesma avaliação é compartilhada pelo ex-meia espanhol Juan Mata, campeão mundial em 2010. Para ele, as interrupções prejudicam a dinâmica natural do jogo.

“Quando você está perdendo, quer marcar; quando está vencendo, quer manter a posse de bola. Acho que essas pausas quebram o ritmo do jogo”, afirmou.

Saúde ou estratégia?

Enquanto a Fifa defende a medida como uma forma de proteger a integridade física dos atletas diante das condições climáticas do Mundial, o debate segue aberto. Entre benefícios relacionados à hidratação e críticas sobre a influência no andamento das partidas, as pausas se consolidam como um dos temas mais discutidos desta Copa do Mundo.

Apoie o jornalismo de qualidade

Há 81 anos A VOZ DA SERRA se dedica a buscar e entregar a seus leitores informações atualizadas e confiáveis, ajudando a escrever, dia após dia, a história de Nova Friburgo e região. Por sua alta credibilidade, incansável modernização e independência editorial, A VOZ DA SERRA consagrou-se como incontestável fonte de consulta para historiadores e pesquisadores do cotidiano de nossa cidade, tornando-se referência de jornalismo no interior fluminense, um dos veículos mais respeitados da Região Serrana e líder de mercado.

Assinando A VOZ DA SERRA, você não apenas tem acesso a conteúdo de qualidade, mantendo-se bem informado através de nossas páginas, site e mídias sociais, como ajuda a construir e dar continuidade a essa história.

Assine A Voz da Serra

TAGS: