Uma das novidades da Copa do Mundo de 2026 tem chamado a atenção dentro e fora dos gramados: a pausa obrigatória para hidratação aos 22 minutos de cada tempo. A interrupção, com duração de três minutos, está sendo aplicada em todos os 104 jogos do torneio disputado nos Estados Unidos, Canadá e México.
A medida foi criada para amenizar os efeitos das altas temperaturas e dos elevados índices de umidade enfrentados pelos atletas. Apesar do objetivo voltado à saúde dos jogadores, a iniciativa tem provocado debates entre técnicos, ex-jogadores e torcedores.
Críticas à obrigatoriedade
Entre os críticos está o técnico da seleção dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino. Para ele, a pausa só se justifica em situações climáticas extremas. “Não gosto disso. Só acho válido quando as condições são extremas. Quando as condições são boas, é desnecessário”, afirmou.
Alguns analistas também questionam a adoção da medida em estádios cobertos e climatizados, argumentando que a interrupção acaba favorecendo interesses comerciais ligados às transmissões televisivas.
Oportunidade para ajustes
Por outro lado, as pausas têm servido como momentos estratégicos para orientações técnicas. No confronto entre Brasil e Marrocos, disputado no último sábado (13), em Nova Jersey, a Seleção Brasileira perdia por 1 a 0 quando ocorreu a parada para hidratação no primeiro tempo. Poucos minutos após a retomada da partida, Vinicius Júnior empatou o jogo. Após o confronto, o técnico Carlo Ancelotti destacou que a interrupção permitiu corrigir aspectos táticos e transmitir instruções aos atletas.
“Durante essas pausas, pode-se explicar um problema aos jogadores”, afirmou o treinador italiano.
Quebra de ritmo
A técnica da seleção feminina dos Estados Unidos, Emma Hayes, considera que a interrupção beneficia principalmente as equipes que estão em desvantagem.
“Quando você está por cima, não quer a pausa; quando está perdendo, quer. Por isso eu as chamo de pausas de ritmo”, declarou.
Segundo ela, o intervalo pode servir não apenas para orientações técnicas, mas também para acalmar os atletas e reorganizar a equipe dentro de campo. A mesma avaliação é compartilhada pelo ex-meia espanhol Juan Mata, campeão mundial em 2010. Para ele, as interrupções prejudicam a dinâmica natural do jogo.
“Quando você está perdendo, quer marcar; quando está vencendo, quer manter a posse de bola. Acho que essas pausas quebram o ritmo do jogo”, afirmou.
Saúde ou estratégia?

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