Os resistentes e apaixonados colecionadores de selos

A importância histórica e o valor simbólico e cultural da Filatelia
sábado, 01 de agosto de 2020
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
A capa do Caderno Z no Dia Nacional do Selo
A capa do Caderno Z no Dia Nacional do Selo

Selos parecem coisas ultrapassadas e fora de moda. Não existem mais envelopes para se embelezar com eles porque não se escrevem mais cartas como antigamente. Foi-se o tempo em que receber cartas com um selo bonito era uma alegria e também uma fonte de informação. 

Certamente, a crianças de hoje nem sabem o que é um selo. Apesar dessa aparente insignificância, há cerca de um ano, em leilão na Alemanha, um deles foi vendido pela incrível soma de 1,26 milhão de euros. Se for considerado pelo seu peso, é um dos objetos mais valiosos que existem. Seu nome é “Erro de impressão Baden” (FOTO). 

Foi impresso num tom verde azulado em vez do padrão rosa lilás de sua série. Está estampado num envelope datado de 26 de agosto de 1851. Só existem dois selos do tipo, de 9 centavos, com o mesmo erro. O outro está na coleção do Museu Postal de Berlim. 

Esse não é o preço mais alto já pago por um selo. Na Europa, o Three Skilling Yellow, impresso na Suécia, em 1855, foi vendido nos anos 1990 por 2,2 milhões de dólares. 

Há também o imbatível Black on Magenta (FOTO), produzido na Guiana Inglesa, em 1856, quando houve uma escassez de selos vindos da Inglaterra que ameaçava as remessas postais. Foi impresso em pequena tiragem na gráfica de um jornal e foi o único magenta de um penny que sobreviveu.

Leiloado pela Sotheby’s de Nova York, em 2014, ele foi arrematado por US$ 9,5 milhões. O diretor da casa, David Redden, o classificou na ocasião como “um objeto mágico, a definição própria de raridade e valor em um nível extraordinário”. O selo mostra uma imagem de um navio de três mastros e o lema dos colonos britânicos: “Nós damos e esperamos retorno”.

Pedacinho de papel

Mas, afinal, por que se paga tanto por um pedacinho de papel? Porque eles têm importância histórica e um valor simbólico e cultural. E porque há colecionadores e países que ainda o valorizam. 

Na Inglaterra, por exemplo, há uma empresa que lastreia seus fundos de investimento em selos e moedas raras, apostando que eles podem dar um bom retorno. 

“O que mais valoriza um selo é a exceção, a falha, o defeito”, diz o filatelista Ygor Chrispin. Não é por acaso que alguns dos selos mais caros do mundo contêm falhas de impressão e mudanças de cor. 

“De um modo geral, o mercado de selos está diminuindo, com tendência de queda de preço devido a diminuição da demanda, mas as casas de leilões europeias e americanas ainda se dedicam a eles e sempre há interessados nas raridades”, informa Chrispin.

No Brasil, a filatelia anda devagar, mas ela tem história. A primeira série brasileira foi a do conhecido Olho de Boi, impressa em 1843 nos valores de 30, 60 e 90 réis. É um dos selos mais valiosos que existem. 

Em 2008, uma peça com três desses selos juntos, um de 30 e dois de 60 réis, foi vendida num leilão nos Estados Unidos por US$ 2,1 milhões. Mesmo assim, os negócios hoje são escassos. Conta-se nos dedos das mãos o número de lojas filatélicas existentes em São Paulo. 

Segundo Chrispin, 32 anos, cuja coleção soma cerca de 25 mil selos, nos anos 1980 havia dezenas dessas lojas no centro paulistano, assim como no Rio. Hoje, ele percebe a queda nos negócios e o pouco interesse dos jovens. Ele estima que existam cerca de cinco mil colecionadores no Brasil, os filatelistas mais apaixonados. Uma surpresa pode acontecer e uma raridade altamente valorizada, aparecer.

Ideal comum une filatelistas

Filatelia é o estudo e o colecionismo de selos postais e materiais relacionados, distribuído em várias áreas: filatelia tradicional, história postal, pré-filatelia, marcofilia, inteiros postais, filatelia temática, aerofilatelia, astrofilatelia, maximafilia, filatelia juvenil, literatura filatélica, selos fiscais, classe aberta e um quadro.

O objetivo deste hobby é selecionar selos para compor uma coleção, que pode ser geral ou temática. Existem coleções que além dos selos possui informações sobre o tema, parâmetro utilizado por muitas pessoas nas coleções temáticas.

É frequente encontrar coleções com apenas selos de um país, assim como de qualquer lugar do mundo. Quando não seguem nenhum critério este tipo de coleção é usual entre iniciantes.

Apesar de diferenças entre os vários tipos de coleções, um único ideal une os filatelistas de todo o mundo: querer saber mais sobre um lugar, objeto, pessoa, país. É o conhecimento que estimula os filatelistas a continuar com seu hobby apesar da redução das correspondências via Correios.

 

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