Informalidade, home office e roubo de cargas derrubam desempenho do comércio

Fecomércio aponta queda de 2,1% no varejo e alerta para efeitos da economia, consumo e criminalidade.
segunda-feira, 01 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
(Foto: Freepik)
(Foto: Freepik)

Um estudo feito pelo Instituto Fecomércio de Pesquisa e Análises (IFec RJ), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio RJ) com base em números da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Instituto de Segurança Pública (ISP) e de uma pesquisa própria feita com comerciantes fluminenses revela que a informalidade, o home office e o roubo de cargas são os principais responsáveis pela queda de desempenho do comércio neste ano.

A análise do IFec RJ, baseada na PMC de junho, mostra que o volume de vendas do comércio varejista do estado caiu 0,7% em junho de 2025 frente ao mês anterior e 2,8% em relação a junho de 2024. No acumulado do ano, a retração foi de 2,1%, enquanto nos últimos 12 meses a queda chegou a 0,8%. A baixa pelo terceiro mês consecutivo reflete uma tendência de desaceleração, condicionada pela política monetária restritiva e pelo enfraquecimento do estímulo fiscal. Segmentos como combustíveis e lubrificantes (-10,6%) registraram quedas expressivas, enquanto hiper e supermercados, embora também em retração, exerceram um papel de contenção de danos diante da magnitude negativa dos demais setores.

Entre os fatores que ajudam a explicar esse cenário, a informalidade se destaca como um dos principais. Estimativas do IFec RJ, baseadas em cálculo inspirado no método desenvolvido pela FGV/ETCO, que consiste na média dos métodos monetários e de trabalho informal (renda e trabalhadores), apontam que a chamada economia subterrânea movimentou R$ 1,5 trilhão no Brasil e R$ 263 bilhões apenas no Estado do Rio de Janeiro, equivalente a 10,8% do total nacional. Além disso, dados de pesquisa realizada pelo IFec RJ em novembro de 2024 mostram que cerca de 40% dos moradores da Região Metropolitana do Rio consumiram algum produto ilegal nos últimos 12 meses.

Para nortear as ações da informalidade, o IFec RJ desenvolveu o Indicador do Grau de Informalidade, com o objetivo de aprimorar as estatísticas e oferecer uma mensuração mais precisa sobre a dimensão da economia informal. Entre o segundo trimestre de 2016 e o segundo trimestre de 2025 o Grau de Informalidade no Brasil recuou 0,1%, diminuindo de 0,3778 para 0,3775. Já no Estado do Rio de Janeiro, no mesmo período, o Grau de Informalidade cresceu 19,6%, subindo de 0,3046 para 0,3641.

“O aumento da pirataria, aliado ao crescimento da economia informal, pressiona o comércio formal, reduz a arrecadação tributária e intensifica a concorrência desleal”, afirma o diretor-executivo do IFec RJ, João Gomes.

Outro elemento que contribui para a retração é a mudança no comportamento dos consumidores decorrente da manutenção do home office. Pesquisa do IFec RJ com comerciantes da capital, feita entre 27 e 29 de maio, mostrou que 68,5% dos entrevistados consideram que o trabalho remoto afetou negativamente seus negócios.

Outro agravante

A insegurança também figura como entrave para o desempenho do setor. Entre janeiro e junho de 2025, o roubo de cargas no Estado do Rio, segundo o ISP, cresceu 27,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 1.234 para 1.575 ocorrências. Apenas em junho, houve alta de 3,1% frente a maio.

Esse avanço compromete a cadeia de abastecimento, eleva custos para empresários e consumidores e enfraquece a competitividade do comércio fluminense. Diante desse quadro, a Fecomércio RJ reforça a importância de ações conjuntas de combate à informalidade e à criminalidade, além de políticas que incentivem o consumo e fortaleçam a atividade econômica no estado”, ressalta o presidente da Fecomércio RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior.

Sobre a Fecomércio RJ

A Fecomércio reúne 59 sindicatos patronais, líderes empresariais, especialistas e consultores com o objetivo de fomentar o desenvolvimento dos negócios no setor do comércio de bens, serviços e turismo no Estado do Rio de Janeiro. Desenvolve soluções, pesquisas e disponibiliza conteúdo sobre questões que impactam a vida do empreendedor e colaboram nas decisões dos gestores públicos. 

A entidade representa mais de 392 mil estabelecimentos, que respondem em torno de 60% da atividade econômica do estado e 68% dos estabelecimentos, gerando mais de 1,8 milhão de empregos formais, que equivalem a 61% dos postos de trabalho no estado. Através do Serviço Social do Comércio (Sesc RJ) atua em assistência social, cultura, educação, lazer e saúde aos comerciários e população carente, enquanto o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac RJ) promove educação profissional voltada para o setor.

 

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