Coronavírus: primeiro caso grave no Rio; Friburgo sem aulas

Delegacia só atende emergências. Prefeito suspendeu qualquer tipo de evento, fechado ou não, na cidade
segunda-feira, 16 de março de 2020
por Adriana Oliveira ([email protected])
A reunião na prefeitura, nesta sexta, para discutir o coronavírus (Foto: Divulgação  PMNF)
A reunião na prefeitura, nesta sexta, para discutir o coronavírus (Foto: Divulgação PMNF)

O Estado do Rio registrou neste domingo, 15,  o primeiro caso grave de coronavírus. O paciente, de 60 anos, está internado em um hospital da rede privada da capital. É o segundo caso grave de Covid-19 no Brasil o o primeiro foi uma mulher no Distrito Federal.

No balanço divulgado pelo Ministério da Saúde no domingo, o Brasil já tem 200 casos confirmados - 79 a mais em 24 horas. Ainda há 1.913 casos suspeitos. Foram descartados 1.486.

São Paulo é o estado com o maior número de casos confirmados (136). O Rio de Janeiro aparece em segundo lugar, com 24. Nesses dois estados já há casos de transmissão comunitária — quando não se sabe quem transmitiu para quem. Não há casos suspeitos em Nova Friburgo. Apesar disso, várias medidas estão sendo tomadas no município.

A Prefeitura de Nova Friburgo publicou, no Diário Oficial eletrônico de sábado, decreto suspendendo, por tempo indeterminado, todos os eventos de grande porte no município que dependam de autorização, e por 60 dias os de pequeno e médio portes que tenham aglomeração de pessoas, sejam culturais, esportivos, sociais ou religiosos, em locais abertos ou fechados, inclusive teatros, estádios e ginásios. 

Também estão suspensas as aulas da rede municipal, com antecipação das férias escolares por 15 dias. Esta semana  será publicada portaria da Secretaria Municipal de Educação com o novo calendário escolar.

Estabelecimentos privados de ensino de todo o estado também pararam pelos próximos 15 dias, por orientação do Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe-RJ).

Também suspendem suas atividades os Pontos de Cultura, a Biblioteca Municipal, o Centro de Convivência da Pessoa Idosa Zelma Mussi Gervásio, a Escola de Enfermagem Nossa Senhora de Fátima e o Centro de Formação Profissional e Transferência de Tecnologia para Indústria do Vestuário (Cevest).

Eventos como o Yakissoba do Laje neste domingo, a Feira da Promoção e o Salão de Noivas & Festas que seriam realizados no Nova Friburgo Country Clube de 1 a 5 de abril já foram cancelados pelos organizadores.

Delegacias e Detran reduzem atendimento

Delegacias passaram a atender apenas casos de emergência como homicídios, roubos e prisões em flagrante. O acesso às unidades também está restrito, a fim de evitar aglomerações de pessoas. Servidores estão trabalhando de casa e as ocorrências devem ser registradas online pelo site da Polícia Civil.

O Detran também reduziu a rotina operacional e de atendimento ao público. Os agendamentos diários serão reduzidos à metade para os serviços de identificação civil, habilitação e veículos, os exames de habilitação e ações de fiscalização da Operação Detran Seguro serão suspensos por 15 dias. 

Por decisão do governador Wilson Witzel, também estão fechados cinemas e teatros em todo o Estado do Rio, pelos próximos 15 dias. As aulas também foram suspensas.

A programação de todas as unidades do Sesc no estado  também estão suspensas pelos próximos 15 dias. 

Os atendimentos no Tribunal de Justiça, Defensoria Pública, Câmara Municipal e Assembleia Legislativa passam a funcionar de maneira restrita a partir da segunda-feira, 16, com acesso liberado apenas a parlamentares, funcionários e profissionais de imprensa. Nos fóruns, audiências de primeiro e segundo grau estão suspensas por 60 dias e juízes atenderão somente casos de urgência. Os serventuários irão trabalhar de casa. Visitas aos presídios do estado também estão proibidas.

Outono pode piorar situação

O número de casos de coronavírus no Brasil, que acaba de bater o patamar de 200, deve explodir nos próximos 15 dias com o início do outono nesta sexta-feira, 20, preveem infectologistas, hospitais e o próprio Ministério da Saúde.

Segundo o site "Huffington Post", o outono deve intensificar a progressão geométrica da doença, uma vez que nesta estação, normalmente mais fria, tradicionalmente  aumentam as doenças respiratórias. 

“A gente espera um aumento de casos no Brasil, nas próximas duas a três semanas, mas a velocidade com que isso vai acontecer, nós não sabemos. Ainda estamos em fase de aprendizagem”, disse ao HP a médica infectologista Nancy Bellei, professora da Escola Paulista de Medicina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

O coordenador de vigilância em saúde e laboratórios de referência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio, estima que a intensificação da doença no país ocorra mesmo a partir de abril.

“Todos os anos, é esse o mês em que as infecções respiratórias começam a se tornar mais comuns. É claro que estamos lidando com um vírus novo, que provoca enfermidades similares a de outros vírus, mas que ainda está rodeado de incertezas sobre o seu comportamento”, analisa.

O outono começa oficialmente à 0h50 de 20 de março e se estende até as 18h44 de 20 de junho. O Climatempo prevê para o Sudeste "chuva parando, ar secando e  a chegada das primeiras massas ar bastante frias".

Brasil precisa parar, afirmam especialistas

Epidemiologistas ouvidos pelo jornal Folha de S.Paulo afirmam que o governo tem 20 dias para restringir a movimentação de pessoas se quiser evitar uma epidemia. Suspensão de aulas, eventos esportivos, concertos e cultos são algumas das medidas defendidas. 

"Se nada for feito, a coisa pode ser terrível. Vamos ter uma epidemia, ela vai crescer. Já não estamos na fase de contenção,  mas de suavizar efeitos, reduzir o número de infectados", disse Roberto Kraenkel, professor do Instituto de Física  da Unesp e estudioso do comportamento de epidemias.

Kraenkel explica que o início da epidemia é o instante mais crítico. "Se for muito forte, pode haver uma explosão de casos, de tal forma  que o sistema de saúde não aguente".

Infectologista do Hospital Sírio-Libanês que também trabalha com modelos matemáticos, Mirian Dal Ben diz que existe uma janela de tempo para a adoção de medidas restritivas: nem tão cedo para não durar tanto e comprometer demais a economia, nem tão tarde que a epidemia esteja descontrolada e os hospitais, sobrecarregados.

SUS desenvolve app

O SUS desenvolveu um aplicativo que comunica informações sobre o COVID-19 e ainda realiza uma triagem virtual, indicando se é necessário ou não a ida a hospitais. Saiba como baixar pelo iOs e pelo Android.

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