Com mais uma luta prevista, Barboza pode se despedir do UFC

Em exclusiva para A VOZ DA SERRA, atleta fala sobre a última vitória, a noite especial vivida ao lado de Marlon Moraes e deixa em aberto seu futuro
segunda-feira, 11 de janeiro de 2021
por Vinicius Gastin
Com mais um luta pelo UFC, lutador de Nova Friburgo não descarta mudanças após fim do contrato
Com mais um luta pelo UFC, lutador de Nova Friburgo não descarta mudanças após fim do contrato

Edson Barboza está de bem com a vida. Também estrela de cinema – como noticiado por A VOZ DA SERRA, o lutador já consegue vislumbrar a possibilidade de um futuro diferente, embora o passado e o presente já o tornem um dos nomes de maior importância da história do UFC. As atuações, os nocautes marcantes e a qualidade e potência dos chutes colocam o friburguense entre os grandes da organização.

Mesmo alterando a categoria, passando atuar no peso-pena (até 66 quilos), o talento e a rápida adaptação o fizeram superar polêmicas, mudanças na vida pessoal e uma sequência incômoda de resultados negativos.

Depois de três derrotas seguidas, o atleta de Nova Friburgo voltou a vencer no UFC. A vítima foi Makwan Amirkhani, por decisão unânime dos juízes (30-26, 30-27, 29-28), na Ilha da Luta, em Abu Dhabi (Emirados Árabes). Edson chegou a derrubar o adversário diferentes vezes ao longo da luta.

Como melhores opções para os próximos duelos, Edson tem Sodiq Yusuff, 12º, que seria inicialmente seu oponente no último evento, mas acabou substituído pelo Amirkhani. Jeremy Stephens (9º) e Josh Emmett (7º) também são bons nomes. Shane Burgos e Arnold Allen, respectivamente 10º e 8º, e Calvin Kattar, 6º, correm por fora. Contudo, permanecer no UFC após um próximo duelo não é uma decisão totalmente assegurada pelo lutador.

Em entrevista exclusiva para A VOZ DA SERRA, Edson Barboza fala sobre a última vitória, a noite especial vivida ao lado do amigo Marlon Moraes e deixa em aberto o seu futuro no Ultimate.

Bate-bola com Edson Barboza

A VOZ DA SERRA: Nova Friburgo vibrou muito com a vitória na última luta, com direito a um grande desempenho. Qual o tamanho da importância dessa vitória para a sequência da carreira?

Sem dúvida nenhuma foi uma grande vitória, numa categoria nova, na segunda luta. Acho que a primeira eu ganhei, assim como 99% da população que assistiu a luta acha. Mas essa não teve nenhuma discussão. Me apresentei muito bem e saí vitorioso.

Antes da vitória sobre Amirkhani, você havia demonstrado descontentamento com os resultados anteriores. Boa parte da mídia e especialistas também o considerou vitorioso contra Dan Ige, por exemplo. De alguma forma isso te motivou?

Com certeza me motivou muito. Eu passei por isso duas vezes, contando a luta do Paul Felder. Inclusive, ele me contou nos bastidores, depois, que assistiu a nossa luta e concordou que eu ganhei. A do Dan Ige foi ainda mais clara, e isso virou uma motivação, para não deixar na mão do juiz, pois eu teria que vencer muito claramente. Acho que foi dessa forma, eu venci sem discussão.

O momento profissional do Edson volta a ser totalmente positivo, com vitória e grande atuação. Na questão pessoal, a adaptação às muitas mudanças e acontecimentos dos últimos tempos está completa?

Estou mais motivado do que nunca. Essa descida de peso foi um combustível extra que eu estava precisando. Já luto há dez anos no UFC, e precisava de alguma coisa diferente. A mudança de categoria me trouxe essa vontade. O momento é ótimo, estou sem lesões e querendo lutar o mais rápido possível novamente. Se Deus quiser vou me apresentar mais uma vez esse ano, contra um top-5, e irei com tudo.

Qual o maior desafio numa mudança de categoria? Alimentação, treinos, a luta em si...?

Acho que é um pouco de tudo. Eu tenho que me manter bem mais leve, pois eu já era relativamente grande para a categoria de 70 quilos. Geralmente eu pesava 80, até 85 quilos, e então eu tive que baixar esse peso. Atualmente estou com 75, 80, para descer até 65. Então, muda tudo, na questão de alimentação, parte de treino, com mais cardio, para ficar um pouco mais leve. Mas nada muito difícil, pois sou bastante disciplinado.

Muitos o consideram como um dos maiores strickers de todos os tempos do UFC. Depois de tantos anos de organização, onde o Edson pensa que ainda precisa evoluir?

Eu preciso evoluir em todas as áreas, e acho que tenho conseguido. Estou treinando muito a minha parte de boxe ultimamente, grappling, jiu-jítsu. Mas o principal é que eu tenho ganhado confiança nessas áreas. Posso garantir que hoje sou um excelente lutador de jiu-jítsu e wrestler. Às vezes eu me sentia muito confortável na minha área, que é o kickboxing. Sei que posso lutar contra qualquer um do mundo, em qualquer área. Estou confiante em todas elas.

Em meio a essa caminhada, lutar no mesmo evento do amigo Marlon Moraes pode ser considerado um momento marcante. Como foi viver essa noite? Vocês conversaram sobre isso?

Sinceramente, é uma coisa que não passava na minha cabeça, nem sonhava. A gente já lutou junto muitas vezes em eventos no Brasil, inclusive no Castelo das Pedras, no baile funk, nos piores lugares que se imagina. E agora a gente participou do maior evento do mundo, fazendo uma luta principal e a co-principal. Não sei se a galera de Nova Friburgo tem noção disso, de onde eu, Marlon e o Mestre Anderson França estamos. Os atletas e amigos da cidade disputando o maior evento do planeta. O UFC é visto por mais de 200 países do mundo. É mais do que um sonho, foi muito especial.

Há alguma movimentação ou especulação sobre um possível novo adversário, ou ao menos uma previsão de retorno ao octógono?

Já me coloquei à disposição do UFC, e estarei pronto. Final de dezembro, começo de janeiro. Quero lutar contra os melhores, algo que eu fiz durante a minha carreira inteira na categoria de 70 quilos e espero que não seja diferente agora. Estou pronto para enfrentar qualquer um.

Essa próxima luta será a última do atual contrato com o UFC. Quanto ao futuro de Edson Barboza: há a intenção de renovar e buscar o cinturão na nova categoria ou há outros planos em vista?

Não sei muito bem o que vai acontecer depois da luta, mas estou mais motivado do que nunca. Enquanto eu estiver no UFC eu vou buscar o meu cinturão, ser o melhor da categoria. Eu trabalho há muito tempo na organização, e também estou ansioso para saber as decisões que vou tomar no futuro. Mas enquanto eu estiver lá, vou sempre dar o meu melhor para colocar o nome da nossa cidade no alto.

3 fotos – legendas:

1- Barboza em ação contra Amirkhani: reencontro com a vitória no Ultimate

2- Considerado um dos grandes nomes da organização, Edson vibra com adaptação rápida a nova categoria

3 – 

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TAGS: UFC