A exaustão se tornou um dos grandes desafios da vida moderna. Rotinas intensas, noites mal dormidas e o peso do estresse cotidiano têm provocado, cada vez mais, um estado de esgotamento nas pessoas, que, muitas vezes, é ignorado. Mas, quando o cansaço deixa de ser apenas uma consequência natural do dia a dia e se transforma em um sinal de que algo está errado?
O médico nutrólogo Gustavo de Oliveira Lima explica que a diferença entre cansaço e fadiga pode parecer sutil, mas é essencial para entender o que seu corpo está tentando comunicar. “O cansaço é um estado passageiro, que surge após esforço físico ou mental e melhora com descanso. Já a fadiga é um esgotamento persistente, que não se resolve com uma boa noite de sono e pode estar relacionado a deficiências nutricionais, desequilíbrios hormonais ou doenças subjacentes”.
Se você sente que sua energia está sempre baixa e que nenhum descanso parece suficiente, talvez seja hora de investigar a fundo a causa do problema.
Como saber o que está acontecendo
O cansaço é algo que todos experimentamos após um longo dia de trabalho ou uma atividade intensa. Ele é temporário e pode ser resolvido com descanso adequado, alimentação balanceada e hidratação.
A fadiga, por outro lado, é um estado de exaustão profunda e prolongada, que pode impactar não só a energia física, mas também a cognição, o humor e o funcionamento do metabolismo.
Sinais de cansaço: surge após esforço físico ou mental intenso; melhora com sono e descanso; não afeta drasticamente o humor ou a concentração; e pode ser resolvido com ajustes simples na rotina.
Sinais de fadiga: sensação de exaustão constante, mesmo após uma boa noite de sono; irritabilidade, desânimo e variações de humor; dores musculares frequentes e sensação de fraqueza; queda de cabelo, unhas quebradiças e pele seca (indicativos de deficiências nutricionais); desequilíbrios hormonais e desregulação do metabolismo.
Cansaço persistente,sinal de fadiga
Se você percebe que seu cansaço se tornou persistente e começou a interferir na sua rotina, sua saúde pode estar pedindo socorro. A fadiga, por exemplo, pode ser o resultado de diversos fatores, desde deficiências nutricionais até condições médicas mais sérias. As causas mais comuns, são:
Deficiências nutricionais — Baixos níveis de ferro, vitamina B12, magnésio e vitamina D podem comprometer a produção de energia no corpo e levar à exaustão;
Desregulação hormonal — Distúrbios na tireoide, resistência à insulina e desequilíbrios no cortisol podem provocar fadiga crônica, afetando o metabolismo e a capacidade do organismo de produzir energia;
Distúrbios do sono — Apneia do sono, insônia e sono de baixa qualidade fazem com que o corpo não consiga se recuperar adequadamente;
Síndrome da fadiga crônica — Uma condição caracterizada por exaustão extrema e persistente, sem causa aparente, que pode ser incapacitante;
Estresse crônico e sobrecarga mental — A fadiga mental pode ser tão debilitante quanto a física, pois leva a um estado constante de alerta e esgotamento emocional;
Inflamação sistêmica e excesso de radicais livres — Alimentação pobre, consumo excessivo de ultraprocessados e estilo de vida sedentário contribuem para inflamação crônica, um dos principais gatilhos da fadiga prolongada.
Oliveira Lima destaca que, se o seu cansaço for temporário, ajustes simples na rotina podem restaurar sua disposição. Mas se você está enfrentando uma fadiga persistente, será necessário adotar estratégias, como:
1. Regular a alimentação
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Aumente a ingestão de proteínas magras e gorduras saudáveis para melhorar a produção de energia.
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Reduza o consumo de açúcares e ultraprocessados, que geram picos de glicose seguidos de queda abrupta na disposição.
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Inclua ferro e vitamina B12 na dieta para prevenir a anemia e otimizar a oxigenação do organismo.
2. Priorizar o sono
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Mantenha um horário fixo para dormir e acordar.
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Evite a exposição a telas pelo menos uma hora antes de dormir.
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Invista em um ambiente escuro e silencioso para melhorar a qualidade do sono.
3. Exercitar-se
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Evite excesso de exercícios intensos se já estiver em um quadro de fadiga.
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Priorize atividades que estimulem o metabolismo sem sobrecarregar o corpo, como caminhada, yoga e musculação moderada.
4. Gerenciar o estresse e o equilíbrio mental
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Práticas como meditação, respiração profunda e momentos de lazer ajudam a reduzir o impacto do estresse na produção de energia.
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Diminua a sobrecarga mental, estabelecendo pausas estratégicas durante o dia.
5. Hidratar-se
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A desidratação pode levar à fadiga e à falta de concentração.
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Beba pelo menos dois litros de água por dia e evite o excesso de cafeína.
6. Fazer exames e monitorar a saúde
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Se a fadiga persistir, procure um médico para investigar deficiências nutricionais e alterações hormonais.
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Exames como hemograma completo, perfil de ferro, vitaminas e função tireoidiana podem revelar desequilíbrios que precisam ser corrigidos.
Se sentir cansado depois de um dia difícil é algo natural. Mas quando essa exaustão se torna um estado constante, sem melhora com o descanso, algo está errado. A fadiga não é apenas um sintoma passageiro – muitas vezes, ela é o primeiro alerta de que seu corpo precisa de ajuda.
“Aprender a diferenciar cansaço e fadiga é essencial para evitar complicações maiores e recuperar a qualidade de vida. Identificar os sinais, ajustar a rotina e buscar ajuda médica quando necessário são os passos fundamentais para restaurar a energia e o equilíbrio do organismo”, conclui o especialista.
Se seu corpo está falando, escute. Ele pode estar pedindo socorro antes que seja tarde.
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