Agosto Lilás. Estado lança novo painel para monitoramento de violências

Dados revelam que mais de 73% das vítimas são mulheres. Novidade vai embasar novas políticas públicas
terça-feira, 26 de agosto de 2025
por Jornal A Voz da Serra
(Foto: Freepik)
(Foto: Freepik)

A Secretaria estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) lançou, nesta semana, o novo Painel de Violência Interpessoal / Autoprovocada no portal MonitoraRJ (www.monitorar.saude.rj.gov.br). A plataforma digital revela uma realidade complexa: em 2025, dos 42.152 casos de violência notificados por unidades de saúde fluminenses, 30.978 (73,5%) tiveram mulheres como vítimas. 

Com linguagem acessível, o painel também será associado ao Observatório do Feminicídio, coordenado pela Secretaria estadual da Mulher e servirá para embasar políticas de enfrentamento às violências de gênero.

O painel classifica as informações com base nas notificações realizadas pelos profissionais em todo o Estado do Rio de Janeiro. Quando uma pessoa em situação de violência dá entrada com sinais de violência num serviço de saúde, é acolhida pelos profissionais que notificam o caso e registram na ficha a violência principal sofrida pela pessoa, mesmo que ela tenha sofrido vários tipos de agressões em uma mesma situação. Esses dados permitem compreender e tipificar a violência sofrida.

“Ao reunir e qualificar esses indicadores, conseguimos mapear os casos de violência no estado e compreender as circunstâncias em que as pessoas em situação de violência estão inseridas. A partir disso, é possível elaborar políticas públicas com base na realidade vivida por nós mulheres e, assim, reduzir as vulnerabilidades sociais e garantir um futuro mais justo”, pontua a secretária estadual de Saúde, Claudia Mello.

O painel permite visualizar: região de notificação; município de residência da vítima; raça/cor; sexo; orientação sexual; identidade de gênero; o meio de agressão; e a relação com o agressor. Também tipifica se a violência foi física, psicológica/moral, se houve tortura, violência sexual, financeira/econômica, e se envolve circunstâncias como tráfico de seres humanos, negligência/abandono, trabalho infantil, intervenção legal, ou outras não classificadas.

Entre os 42.152 casos notificados este ano, 30.978 (73,5%) tiveram mulheres como vítimas. A violência física aparece como a principal forma de agressão, enquanto o estupro é o tipo de violência sexual mais frequente. Outro dado alarmante é a reincidência: 42% dos casos ocorreram de forma repetida.

A notificação dos casos suspeitos ou confirmados de violências não representam uma denúncia, pois este é um documento sigiloso da vigilância epidemiológica, mas iniciam na rede de atenção a inclusão das meninas e mulheres na linha de cuidado e articula com o território a proteção necessária a cada caso.

 

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