13 de julho - Dia do Rock

Do cinema para a playlist: filmes e séries aproximam jovens do ritmo
sexta-feira, 10 de julho de 2026
por Laís Lima*
Foto: Magnific
Foto: Magnific
Para os fãs do gênero, todo dia é dia de rock. Mas há quatro décadas existe uma data especial para celebrar guitarras marcantes, riffs inesquecíveis e artistas que mudaram a história da música. Comemorado nesta segunda-feira, 13, o Dia Mundial do Rock vai além da nostalgia. A cada ano, fica mais evidente que o estilo continua encontrando novos admiradores e, curiosamente, muitos deles chegam ao rock pela tela da televisão, do computador ou do celular.

Produções audiovisuais despertam o interesse de novas gerações por clássicos do gênero e mostram que a música continua atravessando décadas
Se antes o primeiro contato acontecia pelo rádio, pelos discos de vinil da família ou pelas fitas cassete, hoje são filmes, séries e plataformas de streaming que apresentam bandas históricas a adolescentes e jovens adultos. Uma cena emocionante, uma sequência de ação ou um momento marcante da narrativa podem ser suficientes para fazer uma música lançada há mais de quatro décadas voltar ao topo das plataformas digitais.

Mais do que acompanhar uma boa história, o público embarca em uma viagem musical que, muitas vezes, continua depois que os créditos sobem. Basta ouvir uma canção que desperta curiosidade para procurar o nome do artista, conhecer outros sucessos e montar uma nova playlist. É assim que o rock segue conquistando espaço entre diferentes gerações.

Uma cena pode mudar tudo

Nos últimos anos, diversas produções mostraram o poder das trilhas sonoras para aproximar o público de grandes clássicos. Um dos exemplos mais emblemáticos foi Stranger Things. A série fez "Running Up That Hill", de Kate Bush, voltar às paradas mundiais quase 40 anos depois de seu lançamento. A música, que marcou uma das cenas mais emocionantes da produção, tornou-se um fenômeno nas plataformas de streaming e apresentou a cantora britânica a milhões de jovens que nunca haviam ouvido falar dela.

Outro caso de sucesso é a franquia Guardiões da Galáxia. A seleção musical recheada de clássicos das décadas de 1970 e 1980 transformou canções antigas em descobertas para uma geração acostumada ao streaming. Artistas como David Bowie, Electric Light Orchestra, Fleetwood Mac, Redbone e Blue Swede passaram a integrar playlists de adolescentes e jovens adultos graças às aventuras dos heróis da Marvel.

O mesmo acontece com produções como Supernatural, conhecida por utilizar clássicos do rock em momentos decisivos da trama; Bohemian Rhapsody, que apresentou a trajetória do Queen para um novo público; Rocketman, inspirado na vida de Elton John; e Escola de Rock, que mistura humor, aprendizado e muita guitarra.

Mais do que complementar uma história, a música passa a fazer parte da experiência do espectador. Em muitos casos, torna-se tão importante quanto os próprios personagens.

Descobertas pelas telas

A jovem Jéssyka Azevedo, de 28 anos, é um exemplo de como o audiovisual pode abrir as portas para artistas de diferentes épocas.

Ela conta que conheceu a banda Kansas assistindo à série Supernatural. A música "Carry On Wayward Son", presente em momentos marcantes da produção, chamou sua atenção imediatamente.

"Sempre que gosto de uma música em um filme ou série, procuro na internet e adiciono à minha playlist. Também conheci artistas como Prince e Kate Bush dessa forma", conta.

Segundo ela, filmes e séries funcionam como uma ponte entre gerações. "Eles apresentam músicas de diferentes décadas de uma forma natural. A gente acaba querendo conhecer mais sobre os artistas, ouvir outros álbuns e entender a história daquela banda."

O estudante Weslley Tostes, de 23 anos, viveu uma experiência parecida. Ele lembra que conheceu "I Put a Spell on You" assistindo ao clássico Abracadabra. "As músicas combinavam muito com a história e ficaram marcadas. Quando gosto de alguma canção, procuro o nome e ela vai direto para a minha playlist." Para ele, o cinema acaba despertando curiosidade por estilos musicais que fizeram sucesso muito antes de sua geração nascer.

Quando a trilha sonora vira protagonista

Especialistas em música costumam afirmar que uma boa trilha sonora é capaz de despertar emoções tão fortes quanto um roteiro bem escrito. Ao associar determinada canção a uma cena inesquecível, cria-se uma memória afetiva que acompanha o espectador muito depois do fim do filme ou da série.

Esse fenômeno também ajuda a explicar por que músicas lançadas há décadas voltam a ocupar posições de destaque nas plataformas digitais sempre que aparecem em produções de grande audiência.

O efeito vai além dos números. Ele contribui para preservar a história do rock, apresentando artistas clássicos a um público que dificilmente teria contato com esse repertório pelos meios tradicionais.

Em tempos de algoritmos e recomendações automáticas, o audiovisual acaba funcionando como uma vitrine para canções que resistem ao tempo e continuam emocionando pessoas de diferentes idades.

Sessão rock para o fim de semana

Para entrar no clima do Dia Mundial do Rock, nada melhor para os fãs do gênero, do que reservar algumas horas do fim de semana para assistir a produções que celebram o gênero.

Bohemian Rhapsody revisita a trajetória de Freddie Mercury e do Queen em uma das cinebiografias musicais de maior sucesso dos últimos anos.

Rocketman apresenta a história de Elton John em um musical vibrante, repleto de clássicos e performances marcantes.

Já Escola de Rock segue como uma divertida homenagem ao universo das guitarras ao mostrar um músico que transforma uma turma de estudantes em uma verdadeira banda.

Entre os títulos indispensáveis está também Quase Famosos, considerado por muitos um dos melhores filmes já feitos sobre os bastidores do rock, retratando a atmosfera das grandes turnês dos anos 1970.

Quem prefere documentários pode optar por Rita Lee: Mania de Você, que relembra a trajetória da maior roqueira brasileira, ou Little Richard: I Am Everything, dedicado a um dos artistas mais influentes da história da música popular.

Clássicos que nunca saem de cena

No fim das contas, pouco importa se o primeiro contato aconteceu pelo rádio, pelo vinil, por um aplicativo de música ou durante uma maratona de séries. O rock continua encontrando novas formas de chegar aos ouvidos do público.

Enquanto novas produções seguem resgatando canções que marcaram gerações, milhares de jovens descobrem artistas que talvez nunca encontrassem por conta própria. Uma cena memorável, um refrão poderoso e alguns acordes podem ser suficientes para transformar uma música antiga na favorita de alguém.

É essa capacidade de se reinventar sem perder a essência que mantém o rock vivo. E talvez essa seja sua maior característica: atravessar décadas, emocionar diferentes públicos e provar que os grandes clássicos nunca envelhecem. Eles apenas encontram novos fãs, uma cena de cada vez.

(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim
 

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