MEC vai comprar somente livros de Português e Matemática para 2026

Motivo é a falta de recursos; disciplinas como História e Ciências ficam para etapas futuras
quarta-feira, 27 de agosto de 2025
por Jornal A Voz da Serra
(Foto: Freepik)
(Foto: Freepik)

O Ministério da Educação (MEC) avisou às editoras que não poderá comprar todos os livros didáticos necessários para os alunos da rede pública no ano letivo de 2026. De acordo com Angelo Xavier, presidente da Associação Brasileira de Livros e Conteúdos Educacionais (Abrelivros), a pasta informou que crianças do primeiro ciclo do ensino fundamental (1º ao 5º ano) só receberiam os livros de Português e Matemática. No ensino médio, 40% das obras só seriam adquiridas em 2026, o que poderia causar atrasos de cerca de seis meses.

“O orçamento disponibilizado é de R$ 2 bilhões. Para o Governo Federal comprar tudo que estava previsto, precisariam de R$ 3 bilhões, segundo a estimativa das editoras. O governo até fala que esse valor pode chegar a R$ 3,5 bilhões por causa dos custos de distribuição, afirma Angelo”. No total, era esperada uma compra de 165 milhões de exemplares só para ensino fundamental e médio. No entanto, o setor projeta que apenas 79 milhões serão de fato adquiridos.

Nos anos iniciais, os livros de História, Geografia e Ciências do 1º ao 3º ano e de Artes, do 1ª ao 5º ano, são chamados de consumíveis. Ou seja, os estudantes escrevem e pintam neles, o que os deixa inutilizados para o ano seguinte. Por isso, caso o MEC não compre novos títulos, as crianças que entrarão nessas etapas do ensino público em 2026 ficarão sem os livros.

A previsão era de uma compra de 59 milhões de livros considerando todas as disciplinas para essa etapa escolar. No entanto, ao focar apenas em Português e Matemática, são cerca de 23 milhões de exemplares. Já no ensino médio, de acordo com as editoras, a solução seria dividir a compra de 84 milhões de exemplares em 60% neste ano e 40% no ano que vem. 

Mudança de formato

Em 2026, os livros do ensino médio vão passar pela segunda mudança desde 2022. Naquele ano, os professores começaram a receber o material adequado ao formato do Novo Ensino Médio. Em vez de um exemplar para História, Geografia, Filosofia e Sociologia, as escolas passaram a trabalhar com uma obra de Ciências Humanas na qual essas quatro disciplinas eram trabalhadas de forma misturada.

O mesmo aconteceu com Ciências da Natureza em relação à Química, Física e Biologia. O modelo encontrou uma enorme resistência nas salas de aulas por parte dos professores.

Compra de livros

Em 2025, o MEC também planejava comprar livros para o segundo segmento do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano) e para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), neste segundo caso, pela primeira vez nos últimos 11 anos. (Fonte: G1 e O Globo)

 

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