UTI do Raul Sertã interna moradores de Teresópolis com Covid

Com variante P1 confirmada e rodízio de CPF para frear contágio, município vizinho “exporta” pacientes para Friburgo e outras cidades
segunda-feira, 08 de março de 2021
por Adriana Oliveira (aoliveira@avozdaserra.com.br)
A Estrada Terê-Fri (Arquivo AVS)
A Estrada Terê-Fri (Arquivo AVS)

Dos leitos de UTI do Hospital Municipal Raul Sertã destinados ao tratamento de Covid-19 que estavam ocupados nesta segunda-feira, 8, metade atendia pacientes de outros municípios. Segundo a Prefeitura de Nova Friburgo, dos 20 leitos,  seis estavam ocupados nesta segunda, três deles por moradores de outras cidades.

Segundo reportagem de “O Diário de Teresópolis”, nos últimos dias os teresopolitanos têm visto pelas ruas um grande número de ambulâncias em alta velocidade e com sirene ligada, algo só comparável à tragédia de janeiro de 2011. Segundo o jornal, a situação, crítica, está relacionada aos casos mais graves da Covid-19 e à falta de vagas nas  Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) da cidade.

A falta de leitos  está obrigando a transferência dos pacientes para outros municípios, através do sistema estadual de Regulação de Saúde. Os principais destinos dos teresopolitanos têm sido Petrópolis, Nova Friburgo e Duque de Caxias. Até mesmo para Volta Redonda, a 250km de distância, já foram realizadas transferências.

A Secretaria de Saúde de Teresópolis não divulgou o número total de transferidos e os destinos, limitando-se a informar que, até a última quinta-feira, 5,  já não havia pacientes na UPA local aguardando por um leito. "A transferência é feita em ambulância UTI, com o acompanhamento de equipe completa de profissionais", informou a Prefeitura de Teresópolis. 

Pacientes transferidos para Friburgo

As secretarias de Saúde de Friburgo e Petrópolis admitiram ao "Diário" ter recebido moradores de Teresópolis, sendo cinco no primeiro e outros quatro no segundo. Não há informação de quantos foram pacientes levados para o Hospital São José, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

No último sábado, 6, o Gabinete de Crise contra o coronavírus da Prefeitura de Teresópolis confirmou que uma idosa de 76 anos, moradora da cidade, que morreu na sexta, 5, de Covid-19 foi infectada pela variante P1 do novo coronavírus, a temida cepa da Amazônia. A investigação foi concluída pela Fiocruz no Rio, onde ela estava internada após dar entrada na UPA de Teresópolis com quadro grave. 

Imediatamente após receber o laudo da Fiocruz, a investigação epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde iniciou processo de controle da cepa e está acompanhando todos os contatos da paciente. Outros casos estão em investigação e aguardam resultados de exames.

Decreto rigoroso

Para tentar diminuir o número de novos casos e de pessoas precisando de internação,  entrou em vigor na quarta, 3, um novo decreto municipal com medidas restritivas em Teresópolis. Entre elas, rodízio de CPF para acesso aos estabelecimentos comerciais e de serviços, incluindo clubes e academias. Moradores com  CPF par só podem entrar e/ou adquirir  produtos e serviços de forma presencial nos dias pares, enquanto os de CPF ímpar, nos dias ímpares. 

O decreto também proíbe o consumo de bebidas alcoólicas em espaços públicos a qualquer hora do dia e da noite, passível de multa no valor de R$ 136,42 para quem for flagrado descumprindo a medida.

Também foi fixado das 10h às 19h o funcionamento do comércio de rua, além de obrigar o fechamento de bares às 22h, com permissão de serviço de delivery, drive-thru e retirada até 23h. As escolas públicas seguem sem aulas presenciais até 21 de março.

O que diz a prefeitura

A Prefeitura de Nova Friburgo enfatizou que a transferência de pacientes entre municípios não é uma decisão da unidade hospitalar ou do governo municipal, mas do sistema de regulação do governo do estado, que identifica onde há leitos disponíveis mais próximos do domicílio de cada paciente e encaminha para o atendimento. Por conta dessa regulação, nem Nova Friburgo nem quaisquer outros municípios do Rio de Janeiro podem recusar internações de pacientes oriundos de outras cidades fluminenses. 

O que diz o estado

A Secretaria de Estado de Saúde informou que, com a regulação unificada para leitos destinados a pacientes com Covid-19 em todo o estado, todos os leitos clínicos, obstétricos, pediátricos e de terapia intensiva com suporte ventilatório destinados ao tratamento de Covid-19 estarão sob a gestão estadual, por meio da Central Estadual de Regulação (CER), enquanto durar o estado de emergência em saúde pública. Sendo assim, todos os leitos estão aptos a internação de pacientes sem que haja critério de município de origem. Ou seja, caso a taxa de ocupação de algum local alcance 100%, o paciente pode ser regulado para qualquer unidade com leito disponível no estado.

Ainda segundo o estado, com base nessas informações técnicas, o estado permanece em baixo risco em relação a Covid-19. Nesta segunda-feira, 8, a taxa de ocupação de leitos de UTI na rede SUS no estado é de 69,3% e 49,6% em enfermaria. A mediana do tempo de espera entre o registro do paciente no sistema e a regulação do leito, nas últimas 24 horas, é de duas horas para enfermaria e quatro horas para UTI. No último mês, a fila de espera por leito covid no estado ficou zerada em vários momentos. Os dados são atualizados diariamente, às 17h.

Todas as informações sobre taxa de ocupação, tempo de espera por leito, letalidade, mortalidade, incidência, número de casos, óbitos e recuperados, entre outros, podem ser acessadas no novo Painel Coronavírus Covid-19. 
O link para acesso é: https://painel.saude.rj.gov.br/monitoramento/covid19.html#

LEIA MAIS

Inscrições serão na semana que vem e selecionados vão integrar cadastro reserva

Prioridade é determinada por cores, de acordo com a gravidade dos sintomas de cada paciente

Classificação indica baixo risco de contágio e se deve à queda de 32% nas internações e de 24% nas mortes

Publicidade

Apoie o jornalismo de qualidade

Há 76 anos A VOZ DA SERRA se dedica a buscar e entregar a seus leitores informações atualizadas e confiáveis, ajudando a escrever, dia após dia, a história de Nova Friburgo e região. Por sua alta credibilidade, incansável modernização e independência editorial, A VOZ DA SERRA consagrou-se como incontestável fonte de consulta para historiadores e pesquisadores do cotidiano de nossa cidade, tornando-se referência de jornalismo no interior fluminense, um dos veículos mais respeitados da Região Serrana e líder de mercado.

Assinando A VOZ DA SERRA, você não apenas tem acesso a conteúdo de qualidade, mantendo-se bem informado através de nossas páginas, site e mídias sociais, como ajuda a construir e dar continuidade a essa história.

Assine A Voz da Serra