Traficantes que promoveram tortura no Alto de Olaria pegam 19 anos de prisão

Juiz destaca trabalho do Judiciário para a sociedade que, segundo ele, “por muitas vezes não tem a real noção da situação do avanço da criminalidade em Nova Friburgo”
sábado, 04 de abril de 2020
por Jornal A Voz da Serra
Traficantes que promoveram tortura no Alto de Olaria pegam 19 anos de prisão

O juiz Marcelo Alberto Chaves Villas, da 2ª Vara Criminal de Nova Friburgo, sentenciou nesta sexta-feira, 3, a 19 anos de prisão, os 20 traficantes da facção criminosa Comando Vermelho que promoveram uma sessão de tortura de uma família em setembro de 2017, no escadão da Rua Xingu, no Alto de Olaria. 

Na sentença, o magistrado descreveu que “existe um verdadeiro poder paralelo ao Estado, incrustado na Comunidade do Alto de Olaria, com estruturação hierárquica e divisão de tarefas para o desenvolvimento da nefasta atividade criminosa de tráfico de drogas. (...) Dado o caráter público de uma sentença penal não seria demasiado explicitar que na comunidade do Alto de Olaria, especificamente,  nesses últimos dois anos, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, aqui representada pelo 11º BPM, já apreendeu quase uma centena de pistolas de uso restrito em poder de traficantes. (...) Neste contexto, o que exsurgiu dos elementos carreados aos autos foi uma cristalina e insidiosa prática de tortura perpetrada contra três moradores em razão de mais um medieval julgamento que fora levado à cabo pelo denominado ‘Tribunal do Tráfico’”.

Ainda segundo o juiz Marcelo Alberto Chaves Villas, durante essa pandemia mundial do novo coronavírus, considerando as recentes notícias de soltura de réus presos e a sua incompreensão pela coletividade, a condenação do grupo de traficantes que atuava no Alto de Olaria reforça o trabalho do judiciário para a sociedade que, segundo ele, “espera uma ação positiva do Estado e que, por muitas vezes, não tem a real noção da situação do avanço da criminalidade em Nova Friburgo”.

Relembre o caso

No referido "tribunal do tráfico", estiveram presentes os 22 principais chefes do tráfico de drogas do Complexo de Olaria e menores aliciados, comandados pelo traficante conhecido como Brancão, diretamente do presídio que, por contato telefônico com alguns dos denunciados, passava as instruções de como proceder com as vítimas, em razão da liderança exercida na organização criminosa.

O ato bárbaro se deu com emprego de extrema violência e grave ameaça, e intenso sofrimento físico e psicológico, com o fim de obter confissão de que os três membros da família estariam comercializando drogas clandestinamente na localidade, por conta própria, sem a identificação da facção criminosa atuante no Alto de Olaria.

Foram três vítimas de uma mesma família, dois irmãos e um tio, que inclusive morreu, sofrendo os irmãos graves lesões, resultando na incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias, fraturas nos braços, inclusive expostas e outras duas lesões gravíssimas.

 

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TAGS: tráfico