Mesmo insatisfeitos com o preço dos chocolates, os brasileiros não deverão deixar de consumir e presentear os entes queridos nesta Páscoa. Em uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, em 2026, cerca de 90% dos consumidores pretendem comprar itens relacionados à data, o que equivale a 148 milhões de pessoas. Desse número, cerca de 69% afirmam que irão presentear alguém. E os chocolates são a opção número um.
Com esse grande percentual, é importante se atentar à saúde. Consumido em excesso, o chocolate pode virar um grande vilão neste feriadão. A Páscoa é caracterizada pelo alto consumo de chocolates, mas é preciso ficar atento ao possível mal-estar desencadeado pelo grande nível de glicose no sangue.
A chamada “ressaca de chocolate” pode trazer sintomas da hiperglicemia reativa, como tontura, tremor e palpitações. Os sinais podem aparecer cinco horas depois da ingestão de carboidratos refinados, como o chocolate. Isso acontece através da queda rápida de insulina no sangue após o consumo do alimento.
Além disso, o consumo excessivo de chocolate pode levar a outras complicações como náuseas, dores no estômago, refluxos e outros incômodos que podem levar a internação hospitalar, especialmente de crianças.
Consumo consciente
Especialistas reforçam que é necessário um consumo consciente, ao invés de comer um ovo de páscoa inteiro de uma vez, opte por consumi-lo ao longo da semana. O cuidado deve ser redobrado para crianças e adultos intolerantes à lactose, sempre prestando atenção nos rótulos que indicam que o produto é sem lactose.
Em Nova Friburgo, em casos de mal-estar, os pacientes podem procurar atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no distrito de Conselheiro Paulino, na Avenida Governador Roberto Silveira, 3.790, ou no setor de urgência do Hospital Municipal Raul Sertã.
Cuidado com os animais
Apesar de ser um presente garantido em muitas famílias na Páscoa, o chocolate pode ser um alimento nocivo para a saúde de cães e gatos. O responsável pelo perigo é a teobromina, substância presente no cacau que o organismo dos animais não consegue metabolizar.
Mesmo em pequenas quantidades, o chocolate pode ser tóxico, especialmente para cães de porte pequeno. A ingestão pode provocar vômitos e diarreia até taquicardia, tremores, convulsões e até a morte. Os sintomas podem aparecer de quatro a seis horas após o consumo do chocolate.
O nível de toxicidade depende da porcentagem do cacau. Chocolates amargos e meio amargos têm maior concentração de teobromina e, por isso, oferecem risco maior. Diante de qualquer suspeita de ingestão, é fundamental procurar imediatamente um médico veterinário.
Apesar do chocolate branco conter porcentagens menores de cacau, também não deve ser ingerido. Além de possuírem muito açúcar, também contém grandes quantidades de gordura, o que é prejudicial à saúde do animal, podendo provocar hiperglicemia, alterações no pâncreas e até predisposição a diabetes.
“Não é recomendável induzir o vômito em casa sem orientação profissional, pois isso pode agravar o quadro clínico do bichinho. Quanto mais rápido o atendimento, maiores as chances de recuperação completa”, reforça a médica-veterinária Raísa Godoi, presidente da comissão de Clínica Médica e Cirúrgica de Animais de Companhia do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ).
Para que a Páscoa seja segura, a prevenção é a melhor medida. O chocolate deve ser mantido fora do alcance dos animais, e familiares e amigos devem ser orientados a não oferecer chocolate aos pets.
Existem alternativas seguras para incluir cães e gatos nas celebrações, como doces específicos para animais, garantindo que a data seja doce, mas sem colocar em risco a vida dos animais.
(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim

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