Polos gastronômico e hoteleiro de Friburgo amargam os efeitos da crise

Bares, restaurantes, hotéis e pousadas tentam superar dificuldades impostas pela pandemia. Setores consideram que retomada foi tardia
sábado, 04 de julho de 2020
por Jornal A Voz da Serra
(Foto: Reprodução Internet)
(Foto: Reprodução Internet)

Desde que se iniciou o período do isolamento social, a Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Nova Friburgo (Acianf) tomou a decisão de se envolver mais nos problemas de saúde, econômicos e sociais do município. Dois dos segmentos afiliados da associação são o de Turismo e o de Prestação de serviços, que estão entre os mais impactados com a crise causada pelo novo Coronavírus. Nesse sentido, um levantamento do cenário destes setores é essencial para a retomada das atividades, momento que pode estar próximo com o afrouxamento das restrições impostas em razão da pandemia. 

Com a redução da carga horária e salarial de funcionários e a exclusividade das entregas pelo sistema de delivery, muitos proprietários de bares e restaurantes não estão suportando e observam até a necessidade de fechar as portas. Mesmo com a retomada gradual das atividades, alguns estabelecimentos - a exemplo os que o trabalham com sistema de buffet self-service -, seguirão fechados em um primeiro momento, podendo operar apenas com serviços de retirada e delivery. E já para alguns desses como o Restaurante Maravilha, na Rua Portugal, e também do espaço de CoWorking e bar Curadoria, no Espaço Arp, a criatividade e o delivery não foram suficientes para garantir sobrevivência até o fim da pandemia.

Após 26 anos de história, o restaurante Caldeirão Mix, especializado em comida caseira, também corre o risco de fechar as portas. O proprietário, Rudiney Grando, informou que com a chegada da pandemia sentiu fortemente os impactos financeiros e precisou colocar o ponto do restaurante à venda. Num primeiro momento, Rudinei dei férias para os funcionários, mas com a impossibilidade de funcionamento, precisou demitir os nove empregados do local, mantendo apenas duas pessoas do quadro como diaristas, a fim de atender a demanda do delivery, que representa somente 20 a 25% da receita normal do estabelecimento. O restaurante recebia diariamente pessoas que trabalhavam nas redondezas e muitos estudantes, mas no momento atende somente a nove famílias com entregas diárias. Rudiney informa também que realizou uma negociação do aluguel do imóvel, porém só conseguiu cumprir com o compromisso nos primeiros meses. 

Nelson de Jesus Dias, proprietário do restaurante Excallibur, conhecido pela variedade de opções em seu sistema de buffet (self service), precisou se adaptar “na marra” ao sistema de delivery, que representa apenas 15% de sua receita normal. Nelson comenta que negociou uma redução de 50% no aluguel do imóvel nos dois primeiros meses de pandemia e avalia precisar manter a negociação, mesmo após a flexibilização. Até o momento, o não precisou recorrer a demissões, mas alguns funcionários tiveram redução de carga horária e salário de acordo com medidas adotadas pelo governo federal. O restaurante está oferecendo opções a la carte e também montagem de pratos para a retirada no local ou entrega. “Muitas coisas deverão ser revistas após a pandemia, o mercado vai retornar com um novo formato. Devemos buscar renegociação de aluguéis e também de outros custos.” Ressalta Nelson.

Já o Restaurante Poivre, localizado no Espaço Arp, teve uma grande redução nos dois principais segmentos de atuação: a produção industrial e o self service. O estabelecimento nunca havia trabalhado com o sistema de entregas, atuando pontualmente com encomendas de ceias de Natal e datas comemorativas. “O delivery foi um grande desafio e tivemos que nos adaptar completamente” afirma Manoela Carestiato, umas das sócias do local.

Hotéis e pousadas também enfrentam dificuldades

Os hotéis da cidade, que se encontram fechados desde a chegada da pandemia, também enfrentam singular dificuldade. No período de isolamento, cinco importantes feriados, que chegam até mesmo a garantir a receita mensal de hospedagem, foram perdidos. Mesmo com a retomada agendada para o próximo dia 20, os proprietários  estão muito apreensivos, pois terão somente um final de semana para trabalhar a alta temporada de inverno.

Lianna Bucsky, proprietária do tradicional Hotel Bucsky,  comenta que, num quadro de 40 funcionários, precisou fazer somente três demissões, mas através de dados levantados pelo Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Nova Friburgo (SHRBSNF), possui a informação de estabelecimentos que demitiram até 40% do quadro de funcionários. Outra grande preocupação, segundo Lianna, são os eventos que aconteceriam em março e abril, transferidos para o mês de julho em diante. “Se houver novamente necessidade de suspensão das atividades, a impossibilidade de cumprimento de agenda, acarretará numa série de pedidos de devolução de sinal, e atualmente nenhum hotel possui capacidade financeira para suportar o espaço fechado e ainda devolver altos sinais de reserva.” acrescenta.

Júlio Cordeiro, presidente da ACianf, diz que a retomada dos hotéis somente no dia 20 é tardia. “Deve-se haver a antecipação da abertura, pois são estabelecimentos que não demandam muitas pessoas. A exemplo de outras localidades onde os hotéis não fecharam ou já estão abertos. Essa condição deixa os hotéis e pousadas de Friburgo numa situação ainda mais delicada. A abertura deve ser antecipada não somente na área central da cidade, mas também regiões como Lumiar e São Pedro da Serra”, argumentou.Para ele, o retorno das atividades em Friburgo está atrasado em relação às cidades co-irmãs e Não faz sentido algum prolongar ainda mais a reabertura dos hotéis.  

 

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