Pela liberdade de celebrar toda forma de amor

sexta-feira, 11 de junho de 2021
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
Renata Lobo e Marcela Souza
Renata Lobo e Marcela Souza

Vamos falar de amor. Quer dizer, vão falar aqueles que têm o dom, o talento, a sensibilidade de traduzi-lo em palavras, mesmo quando confessam não ter certeza de nada. Amor. Não é sentimento fácil para mortais comuns expressarem, mas não há quem tenha passado por ele, impunemente. Simplesmente sentimos e nos emocionamos quando ouvimos um soneto, uma canção, um poema, um testemunho, como os que publicamos nesta reportagem. 

Como disse, escreveu, cantou, tão lindamente, Shakespeare, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Cecília Meirelles, Luís de Camões — “Amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer” —, Chico Buarque, Vinicius de Moraes e tantos outros.  

Seres diferentes se buscam e a beleza desse encontro está em ambos lidarem com as diferenças, aprendendo, ensinando e seguindo..., como for, como der, pelo bem do amor. Assim sendo, é hora de abrir espaço para o poeta que nos legou um dos mais belos poemas de amor, o Soneto de fidelidade, de Vinicius:

“De tudo, ao meu amor serei atento / Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto / Que mesmo em face do maior encanto / Dele se encante mais meu pensamento / Quero vivê-lo em cada vão momento / E em seu louvor hei de espalhar meu canto / E rir meu riso e derramar meu pranto / Ao seu pesar ou seu contentamento / E assim quando mais tarde me procure / Quem sabe a morte, angústia de quem vive / Quem sabe a solidão, fim de quem ama / Eu possa lhe dizer do amor (que tive) / Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito, enquanto dure”.

Renata Lobo e Marcela Souza: "Queremos inspirar outras famílias com a nossa história”

“Nós nos conhecemos há sete anos e desde então estamos juntas. Nos conhecemos nos famosos aplicativos e foi uma sorte, pois, na época, nenhuma das duas tinha o hábito de usar essas ferramentas. Bem naqueles dias, fizemos nossos perfis e acabamos nos encontrando. Seis meses depois desse encontro começamos a namorar, um ano depois fomos morar juntas e no ano seguinte oficializamos nosso casamento civil. 

Marcela é de Campos, eu de Friburgo. Nos encontramos no Rio e após alguns anos juntas por lá, resolvemos que queríamos mais qualidade de vida. Então, viemos pra Friburgo e digo com tranquilidade que Marcela é mais friburguense do que eu. Ela se envolve com as notícias da cidade, acompanha o A Voz da Serra e exalta para os amigos cariocas, sempre, o quanto adora a educação e a tranquilidade do friburguense. Não vai demorar para alguns amigos cariocas se encantarem por Friburgo também e virem para a nossa cidade. 

Ao longo desses anos a gente vem construindo uma relação de muito amor com as nossas famílias. Vocês não imaginam a nossa felicidade em sermos chamadas de nora pelos nossos sogros e sogras, por ter meus avós chamando Marcela de neta e tendo por ela o mesmo amor e carinho. Esses pequenos detalhes para muitas pessoas, podem não importar, mas para nós representa muito muito muito amor, respeito e verdade. 

Tanto no Rio quanto em Friburgo, vivemos nossa vida e nosso amor de uma forma muito natural. Sabemos que essa não é a realidade da maioria, mas sempre tentamos inspirar outras famílias com a nossa história, pois sabemos o mal que faz a rejeição familiar e o quanto todos perdem nesse caminho. 

Também é importante saber que é possível, sim, ter uma vida familiar feliz e com respeito. E isso foi conquistado pela nossa postura, mas principalmente por toda a comunidade LGBTIA+ que durante décadas, em pequenos passos, lutou por essa naturalidade e ainda luta. Ainda lutamos e lutaremos sempre. Viemos de um cenário onde o nosso amor era visto como doença e apenas em 1990 deixou de ser visto dessa forma pela OMS. 1990, logo ali, que loucura!

Acreditamos que a nossa verdade e naturalidade possam inspirar e fortalecer outros casais e pessoas que querem viver suas relações de forma verdadeira, sem se esconderem, sem medo. Continuaremos assim, tentando inspirar, alegrar e fortalecer todos ao nosso redor. 

Desejamos todos os dias que o preconceito e a homofobia sejam erradicados da nossa sociedade e dos corações das pessoas. Isso sim, é uma escolha. Continuaremos lutando por isso todos os dias. 

Nesse dia dos namorados, desejamos que as pessoas tenham a liberdade e a segurança de celebrarem seus amores! Sobre nós, somos completamente loucas uma pela outra e já estou aguardando o convite para a matéria de bodas de casamento daqui uns anos, rsrsrs... 

Um beijo nosso, Feliz dia dos Namoradxs, Rê e Ma!”  

 

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