O centenário de um grande friburguense

Trajetória de um dos nossos maiores líderes católicos pode inspirar enredo de carnaval daqui a dois anos
quinta-feira, 30 de julho de 2020
por Girlan Guilland, especial para A VOZ DA SERRA
A placa que havia na Praça Monsenhor Mielli, inexplicavelmente retirada
A placa que havia na Praça Monsenhor Mielli, inexplicavelmente retirada

O ano de 2022 tem tudo para ser especial. Ano em que grandes acontecimentos estarão celebrando suas datas redondas, a exemplo da Independência do Brasil, proclamada a 7 de setembro de 1822, e portanto agora às vésperas de se tornar bicentenária.

Além disso, o emblemático ano de 1922 está marcado na História do Brasil por diversos acontecimentos, entre os quais se destacam o início do movimento tenentista, a criação do Partido Comunista, o avanço do feminismo; e, sobretudo, a realização da Semana de Arte Moderna, que trouxe novos conceitos culturais e artísticos à nação brasileira, na onda do modernismo, movimento que inspirou uma nova geração de artistas em diferentes manifestações.

Neste contexto, Nova Friburgo registra também um acontecimento de grande importância: neste dia 30 de julho estamos a exatos dois anos do centenário de um grande friburguense.

Caetano Antonio Mielli, o menino Taninho - para sua família de imigrantes italianos - mais tarde padre e, por fim, Monsenhor Mielli, foi muito mais do que um líder religioso católico, mas um visionário pelo ideal da Educação. Neste dia 30/7 ele completaria seus 98 anos. No entanto, falecido precocemente aos 56 anos, a 13 de março de 1979, há 41 anos, ele deixou um grande legado, na área do ensino, da assistência social e da benemerência cristã.

Na pequena praça que leva o seu nome, em Olaria - bairro que praticamente ele viu crescer a partir da década de 1940 - a majestosa catedral de Nossa Senhora das Graças se impõe em linhas modernistas, no projeto arquitetônico de Alcides da Rocha Miranda. Mais do que um Templo Mariano, a igreja é um exemplo do que o Monsenhor Mielli concebeu e nos legou de sua imensa obra, não só evangelizadora, mas também humanista.

Certamente, evento de tamanha envergadura daqui a dois anos, contará com programação diversificada, para a qual há tempo suficiente de organização. Ao final do ano passado, o atual pároco da Igreja de N. S. das Graças, padre Luiz Cláudio Azevedo Mendonça, deu um excelente exemplo, que pode ser visto como um início das celebrações, ao transformar um espaço no antigo colégio fundado pelo monsenhor num Memorial em sua homenagem, onde podem ser vistos fotos, reportagens, vestimentas e documentos de sua atuação sacerdotal.

Uma outra providência - ainda que aparentemente pequena e simples, mas de tamanha significação - também pode começar a ser pensada: o resgate da placa com o seu nome na pracinha, colocada próxima ao seu busto, em 1999, por obra e insistência de seu irmão, Orlando Mielli, e tempos depois inexplicavelmente retirada, isso há mais de 20 anos.

De minha parte, continuo com a sugestão na qual venho insistindo já há algum tempo e que me parece cada vez mais próxima de virar realidade: não é de todo improvável pensar num enredo da Imperatriz de Olaria em honra ao Monsenhor Mielli. O assunto é visto com bons olhos por setores tradicionais da escola de samba.

Afinal de contas, a agremiação carnavalesca que completou 44 anos em março último, também pode ser contabilizada entre as realizações do padre, que logo no início daquele ano de 1976, sabedor das divergências e rivalidades entre grupos, pediu à professora Heloisa Sauerbronn Brandão, que à época trabalhava com ele no colégio, para reunir no salão paroquial as pessoas do bairro interessadas em carnaval. O encontro foi positivo e considerado apaziguador dos ânimos. Em poucas semanas, um outro encontro decidia pela fundação da vermelha-e-branca de Olaria. A Olaria de Monsenhor Mielli e vice-versa.

 

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