Nova variante causa divergência sobre o Carnaval 2022

Várias cidades já cancelaram os festejos de Momo, com medo da disseminação da Ômicron, descoberta recentemente na África do Sul
sábado, 04 de dezembro de 2021
por Christiane Coelho (Especial para a A VOZ DA SERRA)
(Foto: Freepik)
(Foto: Freepik)

A descoberta da nova variante da Covid-19, a Ômicron, na África do Sul, acirrou uma discussão que já vinha acontecendo: é hora ou não de voltar a ter carnaval? Ainda sem informações precisas sobre as características da nova cepa, a Organização Mundial de Sáude (OMS) informou nesta sexta-feira, 3, que já se sabe que a Ômicron é muito transmissível, mas que as pessoas não devem entrar em pânico, e sim ficar cautelosas e preparadas. Dias depois de receberem a informação da descoberta da nova variante, muitas cidades já anunciaram o cancelamento da folia em 2022, entre elas, as vizinhas Bom Jardim e Trajano de Moraes. E, a discussão sobre a realização dos festejos de Momo ganhou as redes sociais e dividiu opiniões.

Em Nova Friburgo, o Carnaval, por enquanto, está mantido pela Prefeitura de Nova Friburgo que, em nota, informou "o monitoramento permanente do cenário epidemiológico, os números de casos de contaminação por Covid-19 e o avanço da cobertura vacinal. A administração municipal tem reforçado as orientações à população para ampliar ainda mais a aplicação da segunda e terceira doses da vacina contra Covid-19. No momento, o cenário indica a possibilidade da cidade realizar o carnaval, mas em caso de mudança nas condições e eventual risco de novo surto epidemiológico, certamente o plano será mudado", informa a nota. 

Para a médica infectologista, Danyelle Souza, é muito difícil, com a dinâmica da pandemia, prever como estará a cidade no carnaval. "Nós não realizamos nenhum evento teste como vêm ocorrendo em outras cidades, com monitoramento de transmissão durante "aglomerações". Não temos como prever. A população ainda segue com a obrigação quanto ao uso de máscaras, distanciamento, entre outras medidas discriminadas no decreto municipal. Como conciliar as medidas vigentes a uma festa deste porte ainda é uma incógnita. É necessário discutir medidas de controle junto a vigilância epidemiológica para se manter o carnaval seguro: passaporte vacinal, ampliação da testagem para Covid, limitação do número de pessoas nos espaços, uso de máscaras, entre outros", explica ela.

De acordo com a prefeitura, no carnaval, será seguido o decreto vigente no período de realização do evento, cumprindo os protocolos orientados pelo Ministério da Saúde e órgãos competentes. Para Danyelle, no entanto, seria muito prudente o cancelamento da folia.  “A nova variante Ômicron já está em território nacional, com casos confirmados em São Paulo, Distrito Federal e em investigação no Rio de Janeiro. Sabemos pouco sobre o comportamento desta nova variante: potencial de transmissão, efeito em diferentes populações como crianças, imunossuprimidos e  idosos. Acho que não arriscaria”, alerta ela.

O mesmo alerta feito pelo vereador Isaque Demani em um ofício enviado ao prefeito Johnny Maycon na última semana. “Será uma temeridade manter o carnaval, diante do que vem acontecendo a nível mundial. Eu luto pela flexibilização desde abril do ano passado. Acho um risco fazer festas com grandes aglomerações, podendo aumentar a disseminação do vírus, e tendo que fechar novamente os setores econômicos, colocando a população em dificuldade financeira”, disse ele acrescentando que “o valor investido em festas pode ser revertido para um programa de auxílio aos trabalhadores desse setor para não prejudicá-los”, observou o parlamentar.  

Para a infectologista, ainda é cedo para saber se a história se repetirá. “Espero que não. O que precisamos agora é manter as medidas de controle, buscar ativamente os não vacinados e os que não completaram o esquema vacinal. Fazer o reforço tão logo possível para manter a população com bons níveis de anticorpos para encarar a Ômicron, que pode sim chegar até nós”, disse Danyelle.

Carnaval sendo preparado

De acordo com a prefeitura, hoje o cenário epidemiológico do município é favorável para a realização do evento e a preparação para os desfiles, bailes e demais atrações. “A formatação da programação já foi definida. Estamos  montando, de acordo com a confirmação das manifestações carnavalescas participantes”, explicou o secretário de Turismo, Renan Alves.

Uma das confirmações é o desfile das escolas de samba, considerado o segundo melhor do Estado, ficando atrás apenas da capital. E, sabe-se que o trabalho para se colocar uma escola de samba na avenida começa assim que termina o carnaval do ano anterior. É um setor que gera emprego e renda, assim como os demais e que também foi bastante atingido pela pandemia da Covid-19. 

De acordo com o presidente da Liga das Escolas de Samba de Nova Friburgo, José Carlos Espíndola, hoje cada escola tem entre 20 e 25 pessoas contratadas para o trabalho. Número que aumenta, conforme o desfile vai se aproximando.

Todos estão correndo contra o tempo. “As comunidades e as escolas estavam ansiosas pelo Carnaval. Fomos campeões em 2020, que foi um desfile grandioso. A escola vem empolgada. Quando se confirmou o carnaval e a gente divulgou nas nossas redes sociais, a adesão foi imediata. Começamos a intensificar os ensaios, de passistas, bateria, casais de mestre-sala e porta-bandeira”, disse o diretor de carnaval da Vilage no Samba, Guto Guimarães.

Na Imperatriz de Olaria, cuja quadra funcionou como local para vacinação contra a Covid-19, a volta do carnaval assemelhou-se ao sentimento de dever cumprido na contribuição para o fim da pandemia “A comunidade recebeu muito bem a confirmação do desfile pois já estava ansiosa com a possibilidade de retorno e com um controle maior da pandemia”, disse a presidente Maria Sinésia Galdino.

Maior correria está na Alunos do Samba, cuja quadra foi atingida por um incêndio em outubro.  “Os nossos preparativos estavam em 50% antes do incêndio. Hoje, depois do ocorrido, o preparo caiu para 20%”, disse o presidente da azul e branco de Conselheiro Paulino, Alessandro da Silva Amorim.

O presidente da Unidos da Saudade, Kassinho Sampaio, disse que, com a confirmação do desfile, a comunidade abraçou novamente a escola. “Estamos trabalhando forte, sempre dentro dos protocolos sanitários. Apesar de ser um ano atípico, o cronograma da escola segue normal”, explicou ele.

Mas, e se o desfile for cancelado?

Para o presidente da Liga das Escolas de Samba, José Carlos Espíndola, será um grande prejuízo financeiro e cultural. “Com a confirmação do Carnaval 2022, a Liga e as agremiações fizeram contrato e compras para os desfiles. Agora, o medo de um possível cancelamento é grande. Assumimos dívidas e assinamos contratos. Fica muito difícil, pois temos que honrar compromissos. Os materiais não se perdem, mas sofrem danos, terão de ser retocados, gerando mais gasto e prejuízo”, contou.

Todos os representantes das escolas de samba do Grupo Especial afirmaram entender o motivo caso os desfiles sejam cancelados por uma real ameaça de aumento da disseminação da Covid-19, o que, segundo eles, não acontece nesse momento. “ A princípio, não contamos com isso, porque as informações de especialistas demonstram que, com o índice vacinal que temos, é mais tranquilo. Contamos com a capacidade e a força das três esferas de governo, Federal, estadual e municipal, de conter o avanço da nova variante. Continuamos confiantes”, disse Guto Guimarães.

“A Unidos da Saudade acompanha os acontecimentos com cautelas, na certeza do melhor desfecho”, declarou Kassinho Sampaio. “A Alunos do Samba está apreensiva. Estamos esperando há dois anos pela volta deste momento mágico que é o desfile das escolas de samba”, disse Alessandro da Silva Amorim. “Continuamos confiantes na certeza de termos mais informações da situação e, até que demonstrem contrário, continuamos animados para um momento único que é o desfile de carnaval, que simboliza a cultura popular, que aproxima toda a sociedade”, disse Maria Sinesia Galdino, da Imperatriz de Olaria. 

 

  • Diretor de carnaval da Vilage no Samba, Guto Guimarães

    Diretor de carnaval da Vilage no Samba, Guto Guimarães

  • Presidente da Imperatriz, Maria Sinésia Galdino

    Presidente da Imperatriz, Maria Sinésia Galdino

  • Presidente da azul e branco de Conselheiro Paulino, Alessandro da Silva Amorim

    Presidente da azul e branco de Conselheiro Paulino, Alessandro da Silva Amorim

  • Presidente da Unidos da Saudade, Kassinho Sampaio

    Presidente da Unidos da Saudade, Kassinho Sampaio

Publicidade

Apoie o jornalismo de qualidade

Há 76 anos A VOZ DA SERRA se dedica a buscar e entregar a seus leitores informações atualizadas e confiáveis, ajudando a escrever, dia após dia, a história de Nova Friburgo e região. Por sua alta credibilidade, incansável modernização e independência editorial, A VOZ DA SERRA consagrou-se como incontestável fonte de consulta para historiadores e pesquisadores do cotidiano de nossa cidade, tornando-se referência de jornalismo no interior fluminense, um dos veículos mais respeitados da Região Serrana e líder de mercado.

Assinando A VOZ DA SERRA, você não apenas tem acesso a conteúdo de qualidade, mantendo-se bem informado através de nossas páginas, site e mídias sociais, como ajuda a construir e dar continuidade a essa história.

Assine A Voz da Serra

TAGS: