Morre o jornalista Jourdan Amóra, um destaque da imprensa fluminense

Visionário, Amóra foi também um dos pioneiros da imprensa de bairro
segunda-feira, 20 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
Morre o jornalista Jourdan Amóra, um destaque da imprensa fluminense

O jornalismo fluminense perdeu no último domingo, 19, uma de suas vozes mais emblemáticas. O jornalista Jourdan Amóra, diretor do jornal A Tribuna, de Niterói, faleceu no Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), onde estava internado há cerca de duas semanas. Ele morreu em decorrência de falência múltipla dos órgãos.

Natural de Araçuaí-MG, chegou ainda na infância a Niterói. Jourdan Norton Wellington de Barros Amóra tinha 87 anos e construiu uma trajetória que se confunde com a própria história da imprensa fluminense. Foi repórter, editor, empresário e militante, conhecido pela coragem de enfrentar censuras, crises políticas e revoluções tecnológicas sem jamais abrir mão da independência editorial.

Ainda adolescente, fundou o jornal Praia das Flechas, sua primeira experiência no ofício que marcaria sua vida. Nos anos 1950, trabalhou em veículos como Diário do Povo, Última Hora, Diário Carioca e Jornal do Brasil, ganhando notoriedade por pautas sociais e pela defesa dos direitos humanos.

Em 1965, após deixar o JB sob acusação de “subversão”, fundou A Tribuna, transformando o pequeno diário de Niterói em um símbolo da liberdade de imprensa e da resistência democrática. Durante a ditadura militar, chegou a ser preso pela Dops após denúncias contra o governo estadual. No dia seguinte, o jornal estampou uma capa histórica com uma única palavra: “Libertas…”.

Visionário, Amóra foi também um dos pioneiros da imprensa de bairro. Em 1972, lançou o Jornal de Icaraí, distribuído gratuitamente porta a porta, e criou outros projetos como a revista Tela e A Tribuna de São Gonçalo, ampliando o alcance da informação local e estimulando novas gerações de jornalistas.

Casado por mais de 50 anos com a professora Eva de Loures Amóra, falecida em setembro, viveu ao lado dela o que chamava de “a mais longa e leal redação da vida”. Deixou dois filhos, Gustavo e Luis Jourdan, e um legado que transcende as páginas impressas.

Defensor incansável da liberdade de expressão, Amóra costumava dizer: “Enquanto houver cidade, haverá pauta. E enquanto houver pauta, haverá Tribuna.” Sua frase resume a alma de quem fez do jornalismo um compromisso com a verdade, com a cidade e com a história.

O velório do jornalista Jourdan Amóra foi realizado nesta segunda-feira, 20, no Cemitério Parque da Colina, em Niterói, onde foi sepultado.

Com informações de A Tribuna

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