Luta recompensada: após 5 meses, baldeação em Amparo está de volta

Ainda sem laudo que assegure passagem dos coletivos, prefeitura pede para empresa fazer o transporte
quinta-feira, 13 de agosto de 2020
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
A cratera na estrada Velha de Amparo (Fotos: Henrique Pinheiro)
A cratera na estrada Velha de Amparo (Fotos: Henrique Pinheiro)

A Prefeitura de Nova Friburgo anunciou que a tão desejada volta do serviço de baldeação de ônibus no Loteamento Tiradentes, no distrito de Amparo, suspenso desde que parte de uma via desmoronou com um temporal em dezembro de 2019, deve acontecer nesta sexta-feira, 14. Apesar do anúncio, ainda não foi apresentado um laudo técnico que libere a passagem de veículos grandes no acesso ao loteamento, como foi solicitado pela empresa de ônibus Faol. 

O micro-ônibus que fará o serviço vai transportar os passageiros do Loteamento Tiradentes até a curva da morte, localizada na Rua Jerônimo de Castro de Souza, gratuitamente. Para seguir viagem até o centro de Friburgo, os passageiros terão que se deslocar a pé até o local em que os ônibus da linha Centro-Amparo fazem o ponto final. Da mesma forma, no sentido contrário, os passageiros que chegarem ao distrito deverão se dirigir a pé até o local onde ficará o micro-ônibus para fazerem a baldeação no Loteamento Tiradentes.

A VOZ DA SERRA teve acesso ao documento assinado pelo secretário de Defesa Civil, Robson Teixeira, com ciência do prefeito Renato Bravo, com a ordem da volta ao serviço. No documento, há a especificação para que o micro-ônibus ao passar pelo local do deslizamento não esteja transportando passageiros. Para evitar ainda mais riscos, o veículo, quando não estiver operando, ficará baseado na própria localidade e só deverá sair de lá para reabastecimento ou manutenção, o que deve acontecer pelo menos uma vez por semana. Há ainda o pedido para que o serviço seja interrompido quando houver chuvas e de que os horários permaneçam os mesmos de quando a linha operava normalmente.

Inspeção da Defesa Civil 

No final de julho, segundo a prefeitura, houve uma vistoria, comandada pelo secretário de Defesa Civil para avaliar o trecho interditado. “Foi apenas uma vistoria visual, sem nenhum equipamento ou ferramenta para cálculos e projeções do problema”, relatou uma de nossas fontes. No documento consta ainda a informação de que a verba para as obras de reparo já foi liberada pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil , mas não há a previsão para o início.

Apesar de comemorarem o retorno do serviço de baldeação, a Associação dos Amigos e Moradores do Amparo (Assamam) e o Coletivo Vozes do Tiradentes, ressaltou que o sofrimento com a falta de transporte e reconstrução do trecho da rua que cedeu, dura quase oito meses.

Após 100 dias sem que os problemas fossem resolvidos, os moradores chegaram a fazer um protesto nomeado “Aniversário da Vergonha”. Na véspera da manifestação pública, o prefeito Renato Bravo, junto ao secretário de Defesa Civil, anunciou nas redes sociais que os recursos federais destinados à obra de recuperação haviam sido liberados.

“A comunidade percebeu que não houve nenhuma citação ao gravíssimo problema da ausência do ônibus e a manifestação foi mantida”, informou o comunicado. “Representantes do Coletivo e da Assamam que dias antes se reuniram com a direção da Faol, disseram que a empresa aguardava o laudo técnico desde janeiro. O secretário não concordou com as declarações da empresa, se comprometendo em levar as reivindicações para o responsável. Diante do impasse, o Coletivo Vozes do Tiradentes divulgou publicamente que organizaria o “Buzinaço da Vergonha” na Avenida Alberto Braune, encerrando com o bolo de aniversário em frente à prefeitura”.

Na última segunda-feira, 10, o prefeito Renato Bravo recebeu representantes do Coletivo Vozes do Tiradentes e da Assamam. Por quase duas horas de reunião, tendo a presença do secretário da Defesa Civil e parlamentares. Segundo os representantes do distrito, o prefeito deixou claro que havia resistência da Faol para atender a comunidade. “A empresa já tinha se manifestado negativamente ao pedido da Defesa Civil”, disseram os moradores.

Segundo fontes ligadas à concessionária, essa resistência se deve ao fato de que não há um laudo da Defesa Civil que dê a segurança para que o micro-ônibus da empresa dirigido por seu funcionário possa passar pelo trecho em que houve o deslizamento e iniciar o serviço de baldeação. “Foi uma decisão política da empresa para atender um pedido do prefeito. Há a preocupação com os riscos que envolvem essa operação”.

De acordo com os representantes do distrito, Renato Bravo informou que a preparação do edital para a obras de recuperação da Rua Jerônimo de Castro e Souza segue em ritmo acelerado e que planejam o início das obras para setembro. Os moradores informaram ainda que, diante da expectativa do retorno do transporte e do lançamento do edital, o Buzinaço da Vergonha, previsto para o próximo dia 19 e o bolo de aniversário na porta da prefeitura foi adiado para o dia 3 de setembro, caso, as promessas não sejam cumpridas.

 

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