Estado do Rio passa a ter o Dia do Futebol Feminino

Friburgo voltou a ter a modalidade regularmente, com treinos e participações em jogos e eventos
quarta-feira, 24 de março de 2021
por Vinicius Gastin
Larissa Freiman é destaque no Fluminense: Nova Friburgo exporta talentos também no futebol feminino
Larissa Freiman é destaque no Fluminense: Nova Friburgo exporta talentos também no futebol feminino

        O futebol feminino ainda não possui o devido valor no Brasil. São inúmeros os talentos que se perdem pela falta de oportunidade – e, pasmem, pelo preconceito que ainda persiste em minar os planos daquelas que sonham em brilhar nos gramados mundo afora. Reconhecer nem sempre significa melhorar condições e cenário, mas pode ser importante para um processo de valorização.

        No final do mês de fevereiro, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro sancionou a lei que institui o dia 19 de fevereiro como dia do Futebol Feminino. O objetivo é exatamente divulgar para a população a importância do esporte. A lei entra em vigor no momento em que foi realizado o Campeonato Carioca Feminino 2020/2021. No último sábado, 20, o Botafogo bateu o Fluminense por 2 a 0, no estádio Nilton Santos, e sagrou-se campeão estadual na modalidade. O bom nível da decisão e do campeonato, especialmente entre os grandes clubes, é mais uma página de destaque nesta história.

      A escolha da data também possui a intenção de homenagear Marta Vieira da Silva. Aos 35 anos, a camisa 10 da Seleção Brasileira acumula seis prêmios de melhor jogadora do planeta e é a maior artilheira da história das Copas do Mundo, com 17 gols marcados. A autora do projeto, a deputada estadual Enfermeira Rejane, em sua justificativa para a criação da data comemorativa no calendário oficial do estado argumentou que: "O futebol feminino brasileiro é um dos mais vitoriosos do mundo e a melhor data para se comemorar é o dia do aniversário de sua maior jogadora, Marta."

     Também no final do mês passado, a seleção brasileira feminina encerrou sua participação no torneio She Believes Cup, em Orlando, nos Estados Unidos. Perdendo apenas para as estadunidenses, o Brasil pôde testar a equipe na reta final de preparação para os Jogos de Tóquio e avaliar as jogadoras que disputam as últimas vagas no grupo que irá às Olimpíadas.

        Em Nova Friburgo, o futebol feminino tem tradição, história, mas respira por aparelhos. Algumas iniciativas isoladas conseguem manter a modalidade viva, mas há a dificuldade, por exemplo, de se adotar um calendário fixo municipal de competições. Uma das tentativas de resgate foi a promoção da Supercopa SAF, reunindo as equipes do Conselheiro Paulino, Riograndina, Stucky, Projeto Renascer, Banquete e Campo do Coelho.

     A luta das mulheres pelo fortalecimento do futebol feminino em Nova Friburgo é antiga, e possui algumas personagens-chave. Liete Ramos é uma delas, e durante anos coordenou uma escolinha de futebol no Cordoeira. Pouco depois migrou para o Friburguense, após firmar parceria com o clube em 2010. O Tricolor apoiou a iniciativa, mas encontrou dificuldades para arcar com as despesas das viagens.

     As últimas tentativas de manter as atividades foram no futebol de salão, mas os custos das excursões voltaram a pesar. O Projeto Renascer, no Cordoeira, onde pouco mais de 20 meninas eram atendidas, foi uma nova alternativa durante o tempo. Além de Liete, vários clubes mantiveram – ainda mantêm – atividades. Recentemente, o Nova Friburgo remontou a equipe feminina, que treina regularmente no CT do clube. No Stucky, em Riograndina e em outros locais também há esse trabalho, mas todos esbarram nas limitações impostas pela falta de incentivo.

        Outra iniciativa recente e importante foi o 16º Torneio de Futebol Feminino, promovido em 2019 com a participação de oito equipes, no distrito de São Pedro da Serra. A organização foi de Mary Guimarães, com apoio da iniciativa privada, da Prefeitura de Nova Friburgo e do Esporte Clube São Pedro, onde aconteceram os jogos. Panteras (Macaé de Cima), D’Salto na Área (Santo Antônio), Fênix (Saquarema), Águia de Ouro (Duas Barras), TPM (Saquarema), Meninas da Serra (Trajano de Moraes), Accel Futebol Clube (Rio de Janeiro) e Riograndina (Nova Friburgo) participaram do evento.

        O município exporta talentos também na modalidade. Um exemplo é Natane Vicente, com passagens por Bahia, Volta Redonda e Duque de Caxias, clube pelo qual disputou o Estadual e o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino de 2017. A friburguense, formada em Educação Física, também atua como professora e treinadora no Projeto Karanba, no Rio de Janeiro.

        Outro nome de destaque é Larissa Freiman, há algumas temporadas vestindo a camisa do Fluminense. Sempre marcando gols e participando dos principais campeonatos, é considerada como uma das grandes promessas do Tricolor Carioca. No último fim de semana, Larissa e o Fluminense sagraram-se campeões do Campeonato Brasileiro Sub-18, após vencerem o Internacional por 7 a 6, nos pênaltis, em pleno estádio Beira-Rio.

    A equipe carioca abriu o placar logo no primeiro minuto de jogo, mas sofreu a virada, perdendo por 4 a 1. A partida de ida terminou com vitória tricolor por 2 a 1, mas pelo regulamento não há critério de saldo de gols, o que fez com que o título fosse decidido após os 90 minutos.

 

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TAGS: futebol