A cobiçada begônia que virou febre do momento: saiba se a sua é verdadeira

Folhas cheias de pintinhas fizeram variedade “Wightii” virar a queridinha das redes sociais e custar mais de R$ 300 a muda
sábado, 22 de janeiro de 2022
por Adriana Oliveira (aoliveira@avozdaserra.com.br)
A begônia com pintas que faz o maior sucesso (Reproduções da web)
A begônia com pintas que faz o maior sucesso (Reproduções da web)

Com pintinhas brancas contrastando sobre o verde bem escuro das folhas em forma de asas de anjo e um vermelho intenso por trás, a Begonia maculata cv. “Wightii” se tornou a planta mais cobiçada e queridinha do momento. Em São Paulo, uma muda chega a custar mais de R$ 300, e há até fila de espera nas floriculturas.

A supervalorização aconteceu em 2020, em meio à  pandemia e a moda das “urban jungles” (selvas urbanas) que surgiu na esteira do isolamento social. 

Apaixonado por plantas, Amarílio Salarini diz que no Horto Municipal de Nova Friburgo  há muitas mudas desse tipo de begônia, considerada a mais rústica de todas. "Ela cresce muito, vira quase um arbusto, e pega a partir de qualquer pedacinho cortado do caule", diz ele. 

Mas a begônia a que se refere Amarílio pode não ser a mesma da encantadora “Wightii”. Segundo o botânico Samuel Gonçalves,  da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a maculata nativa brasileira é encontrada na natureza, sendo endêmica na Região Sudeste. A diferença é que as folhas têm frente e verso verdes, as bolinhas são menores e de tamanhos variados, e de um tom mais desbotado, menos contrastante. 

A planta brasileira é a Begonia maculata "tipo" (denominação para a espécie encontrada na natureza), e não a variação exuberante  “Wightii”, que virou objeto de desejo.

A espécie cobiçada é um "cultivar", como são chamados vegetais que passaram por transformações durante o cultivo feito por humanos. Assim, novas características surgiram nesta begônia criada em viveiro, e a variedade passou a ser replicada intencionalmente por seu valor comercial.

 "Fala-se que ela está praticamente extinta e que é muito rara de conseguir. Ficou a história de ela ser a planta original que teria praticamente sumido da natureza, mas é um engano. Ela não é nada da natureza, é uma planta que surgiu em coleções e foi multiplicada por ter grande valor comercial, ornamental", explicou Samuel ao jornal “Folha de Londrina”.

O fato é que a procura pela planta surpreendeu até mesmo  o produtor, Mareo Fujimaki, de São Paulo. Ele diz que buscava novas espécies para o portfólio da empresa que leva seu nome quando conheceu a maculata cultivada na Holanda. "As pintas meio prateadas me chamaram muito a atenção. Ela tem um certo requinte, é mesmo uma planta muito especial", disse ele ao jornal “Folha de Londrina”.

A muda mãe chegou ao Brasil no fim do ano passado, da Europa. Agora, Fujimaki está num esforço para aumentar a produção e atender à crescente demanda.

Segundo o blogueiro e colecionador malasiano James David, dono do canal Garden Chronicles (veja aqui), a legítima variedade "Wightii" tem bolinhas de apenas dois tamanhos diferentes, inclusive nas laterais das folhas, que devem ser alongadas e ter uma pequena cauda branca na ponta. Outro detalhe das "Wightii" verdadeiras, segundo ele, é terem um minúsculo ponto escuro bem no meio das pintas brancas, algo que não acontece na maculata "tipo". 

 

 

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