Calor extremo nas escolas

Segundo especialistas, o cérebro diminui raciocínio para buscar conforto
terça-feira, 25 de fevereiro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
(Foto: Freepik)
(Foto: Freepik)
Em situações de calor extremo, o cérebro tira energia do que considera supérfluo, como a concentração e o raciocínio, e o foco passa a ser aliviar o desconforto. Em uma sala de aula, isso significa que o ensino e a aprendizagem ficam comprometidos.

Altas temperaturas afetam alunos e compromete desempenho escolar
É o que explica a neurocientista Lívia Ciacci, a respeito dos impactos do calor extremo nas escolas brasileiras, ainda pouco preparadas para lidar com as mudanças climáticas.     

“O corpo vai eliminar mais água para equilibrar a temperatura. Vai ter uma circulação mais superficial, os vasos dilatam, a respiração pode acelerar. É como se a gente entrasse em um estado de alerta, em que o bem-estar do corpo é prioridade e tudo o que é secundário perde importância”, diz.

O ano de 2024 foi o mais quente já registrado, segundo dados do programa de monitoramento climático da Europa, o Copernicus: 1,6ºC acima da média do início da era industrial. 

Em uma sala de aula com várias pessoas – portanto, com a temperatura ainda mais alta –, os efeitos fisiológicos são potencializados, e qualquer atividade que exija engajamento do aluno será prejudicada, explica Ciacci.

“Ficamos inquietos, ansiosos por ambientes mais frescos. Nossa atenção vai focar em coisas como água gelada, jogar água na cabeça, qualquer ação que nos livre do mal-estar causado pelo calor excessivo. A gente começa a desviar o foco para tentar resolver essa sensação de desconforto”, afirma.

Com a crise climática, medidas de enfrentamento ao desconforto térmico na educação são ainda mais urgentes. Segundo a Sociedade de Pediatria do Rio de Janeiro, o calor extremo favorece o adoecimento das crianças, que podem sofrer com desidratação, exaustão, cãibras e insolação. 

“O calor elevado também causa ressecamento da pele, desconforto nos olhos, boca e nariz e deixa todos mais irritados”, diz a entidade, ressaltando que as crianças são mais vulneráveis à desidratação porque a porcentagem de água em seu corpo é maior do que nos adultos.

Caso não haja hidratação adequada, os alunos podem sentir sintomas como tonturas, desmaios, cansaço, palpitações, mal-estar e diminuição do volume urinário. 

O calor extremo afeta também o desenvolvimento do corpo e do cérebro das crianças, segundo artigo produzido pelo Centro sobre a Criança em Desenvolvimento da Universidade de Harvard (EUA), publicado em julho de 2024.

“O desempenho escolar diminui à medida que as temperaturas aumentam. Na cidade de Nova York, por exemplo, as perdas de aprendizagem aumentaram em até 50% quando as temperaturas em dias letivos ficavam acima de 38°C, em comparação com dias acima de 32°C”, diz o documento. 

Essa perda pode ser duradoura. Dias letivos de muito calor afetam negativamente as notas em testes realizados até três ou quatro anos depois, acrescenta o artigo.

Em 2023, uma projeção feita por economistas do Banco Mundial identificou que, quando se registram até 37 dias por ano com temperaturas acima de 25ºC, o desvio padrão da nota média dos estudantes na Prova Brasil — principal avaliação da educação básica do país — cai quase 2%.

O Ministério da Educação afirmou que oferece assistência técnica e financeira, por meio do Plano de Ações Articulares (PAR) para ações de climatização das salas de aula, com apoio para a aquisição de ventiladores escolares e aparelhos de ar-condicionado.

Apenas 3 em 10 salas de aula, no Brasil, têm climatização, segundo o Inep. Proporcionalmente, São Paulo é o estado com menor índice de salas sem ar-condicionado, com 9%, seguido por Minas Gerais, com 10%, e Bahia, com 21%. No Estado do Rio, 54% das salas não têm ar-condicionado. Os estados em pior situação são: Tocantins, com 79%, Mato Grosso, 82%, e Rondônia, 89%. 

Em Nova Friburgo, até o fechamento desta edição não obtivemos retorno sobre o assunto solicitado pela redação.

Em Nova Friburgo

A Secretaria Municipal de Educação esclarece que mais de 30 unidades escolares foram entregues na atual gestão (através de reforma, construção ou aquisição), nas quais o município investiu em melhorias que permitam ambientes mais ventilados, claros e adequados para os estudantes. Além disso, somente nos últimos três anos, foram instalados mais de 2.700 ventiladores nas salas de aula das unidades escolares municipais, com auxílio de recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE). 

Ademais, nestes dias em que houve o alerta de altas temperaturas, a Secretaria de Educação também orientou as direções escolares para que alunos e funcionários bebam água regularmente, reforçando a utilização de garrafinhas e a importância de mantê-las sempre cheias e acessíveis; que mantenham as salas arejadas e, sempre que possível, realizem atividades em locais sombreados, evitando exposições prolongadas ao sol; que fiquem atentos aos sintomas como boca seca, tontura, cansaço excessivo e dor de cabeça; e que, sempre que possível, evitem exercícios ao ar livre nos horários mais quentes do dia. Seguindo estas dicas, é possível garantir um ambiente seguro e saudável para nossos estudantes e profissionais.

(Fontes: Inep, MEC, reporterbrasil.org.br)

 

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