Alegush! Alegush! Outras histórias do Colégio Nova Friburgo

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020
por Janaína Botelho
Foto: Henrique Pinheiros
Foto: Henrique Pinheiros

Criado pelo professor Joaquim Trotta, havia no Colégio Nova Friburgo o banco escolar. Os pais dos alunos depositavam o dinheiro e esses sacavam aos poucos justificando a despesa. Era uma forma de ensiná-los a administrar seu dinheiro e incentivo à poupança.

Foram igualmente estimulados por esse professor a elaborar uma apostila, “Matemática de aluno para aluno”, algo inusitado na época, que foi impressa e servia aos alunos das turmas seguintes. Os professores estavam sempre em contato com os alunos nas horas vagas, pois a maioria residia nas instalações do colégio. 

Quando eram repreendidos havia um registro em uma ficha encaminhada à Coordenação que decidia, por ex., cortar a ida ao cinema no auditório do colégio ou o castigo mais temido, cortar suas idas ao centro da cidade.

Havia uma caminhonete para transportar os alunos até o centro de Friburgo. Geralmente desciam no domingo, após o almoço. Os alunos do ginasial, antes de descerem, passavam por uma revista para serem verificadas as roupas, se os sapatos estavam engraxados e as unhas aparadas. 

O horário de retorno à caminhonete para a subida ao colégio dependia da idade do aluno, que variava entre o retorno às 18h30 até 22h30. Os alunos do científico poderiam subir mais tarde. Alguns alunos perdiam propositadamente o horário para ficar mais tempo no centro da cidade e poder frequentar as boates, retornando a pé. Um professor sempre acompanhava os alunos ao Centro e ficava de plantão fiscalizando para ver se não entravam em bares, consumiam bebidas alcoólicas ou jogavam sinuca.

Há o interessante episódio do canhão do Forte São Mateus, em Cabo Frio, possivelmente do século 16, trazido pelos alunos da turma de 1952, e instalado no colégio. Como tantos outros abandonados na praia de Cabo Frio, trouxeram o canhão para o colégio com o respaldo do professor que os acompanhava. Anos depois a prefeitura desse município reivindicaria essa peça de artilharia, mas a associação de ex-alunos se recusou a devolvê-lo através de uma medida judicial cautelar.

Henrique Guilherme Bork, nascido em 1939, entrou para o colégio em 1950, permanecendo até o ano de 1957. Bork, eleito pelos colegas como chefe do Departamento de Justiça, se recorda do roubo do portão do prostíbulo conhecido como Casa da Sofia, que os alunos frequentavam durante a tarde para ver as “mariposas”. 

Os alunos da Fundação eram conhecidos por provocar confusões com os outros colégios, principalmente com o Colégio Anchieta e o Colégio Estadual Jamil El-Jaick. Usavam correntes de metal como cinto para, em caso de confronto, fazerem uso desse instrumento. Justificavam que estavam sempre em minoria em relação aos outros colégios e precisavam se defender dessa forma. 

Nas sessões de cinema costumavam soltar galinhas e pombos, enfim, tudo aquilo que transgredia a ordem e a rotina da cidade. Houve época em que os alunos da Fundação eram obrigados a andar em grupos, pois sozinhos eram alvo de ofensas e provocações.

Adoravam jactar-se de conseguir chamar a atenção das moças friburguenses por serem mais sedutores e envolventes. Nos desfiles de Sete de Setembro se esforçavam para ser a melhor bateria. 

Seu grito de guerra era: Alegush! Alegush, gush, gush, umaiti, umaitá, rá, rá, rá! Apesar de toda a gaiatice, sabia-se que a Fundação Getúlio Vargas se preocupava em formar uma elite de profissionais altamente qualificados. E o destino desses alunos não foi outro! Muitos deles ocuparam os mais elevados escalões de empresas privadas e do governo.

 

Publicidade

Apoie o jornalismo de qualidade

Há 76 anos A VOZ DA SERRA se dedica a buscar e entregar a seus leitores informações atualizadas e confiáveis, ajudando a escrever, dia após dia, a história de Nova Friburgo e região. Por sua alta credibilidade, incansável modernização e independência editorial, A VOZ DA SERRA consagrou-se como incontestável fonte de consulta para historiadores e pesquisadores do cotidiano de nossa cidade, tornando-se referência de jornalismo no interior fluminense, um dos veículos mais respeitados da Região Serrana e líder de mercado.

Assinando A VOZ DA SERRA, você não apenas tem acesso a conteúdo de qualidade, mantendo-se bem informado através de nossas páginas, site e mídias sociais, como ajuda a construir e dar continuidade a essa história.

Assine A Voz da Serra

TAGS: