5 de setembro, Dia do Irmão: laços de sangue e afeto que transformam vidas

Data não é oficializada por lei, mas reverencia a memória de Madre Teresa de Calcutá
quinta-feira, 04 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
(Foto: Freepik)
(Foto: Freepik)

Discussões acaloradas, perseguições pela casa, brincadeiras que terminam em briga e brigas que acabam em risadas. Ter irmãos é, muitas vezes, como andar em uma montanha russa de emoções. Entre altos e baixos, eles são companheiros de aventuras, cúmplices nas travessuras, conselheiros nos momentos difíceis e amigos para a vida inteira. Nesta sexta-feira, 5, é celebrado o Dia do Irmão, uma data especial que busca homenagear esses laços de afeto e cumplicidade que atravessam gerações. 

O Dia do Irmão é um convite para relembrar a importância dos vínculos familiares e também daqueles que, mesmo sem laços consanguíneos, tornam-se parte essencial da vida. A data, bastante popular nas redes sociais, inspira homenagens públicas e declarações de afeto a irmãos de sangue, de criação ou de consideração. Afinal, para muitos, a irmandade vai além da biologia: trata-se de laços de amor, respeito e apoio mútuo.

Origem da data 

Celebrar o dia do irmão em 5 de setembro não é aleatório. Este dia marca o falecimento de Madre Teresa de Calcutá, reconhecida mundialmente por sua dedicação às causas humanitárias. Nascida em 1910 na região que hoje pertence à Macedônia do Norte, Anjezë Gonxhe Bojaxhiu (seu nome de batismo), tornou-se freira aos 17 anos e dedicou sua vida ao serviço religioso e à caridade.

Na Índia, onde viveu a maior parte da vida, fundou orfanatos, casas de repouso e hospitais voltados a pessoas pobres e doentes. Seu trabalho incansável lhe rendeu reconhecimento internacional e, em 1979, o Prêmio Nobel da Paz. Madre Teresa morreu em 1997, e sua data de falecimento passou a ser associada à celebração dos irmãos, em referência à sua mensagem de fraternidade e solidariedade. A data, no entanto, não é oficializada por lei no Brasil. 

Memórias de uma família numerosa

O significado de ter irmãos é vivido de formas diferentes em cada lar. Para o friburguense Josué Faustino de Lima, 54 anos, crescer em uma família grande é motivo de orgulho e gratidão. “Ter irmãos, para mim, é um grande privilégio, principalmente no meu caso, que parece que foram escolhidos a dedo, um por um. Cada um com sua personalidade, mas todos maravilhosos”, afirma.

Josué conta que vem de uma família com 11 irmãos. Hoje, são oito. “Tenho várias lembranças marcantes com eles, mas as festas, principalmente as de Natal, com a casa da mãe cheia e toda a família reunida, foram as que mais me marcaram”, conta.

Segundo ele, o apoio dos irmãos foi fundamental para enfrentar os desafios da vida. “Gostaria de dizer que amo a todos com a mesma intensidade. Se não fosse por eles, talvez eu nem estivesse mais aqui. Eles, juntamente com os ensinamentos da nossa mãe, fizeram e fazem de mim quem sou hoje. Somos considerados uma família atípica para os tempos modernos, onde oito irmãos são amigos e parceiros de vida. Acho que a palavra que resume tudo é gratidão. Gratidão a Deus por ter me permitido nascer nessa família, à nossa mãe por nos manter unidos e a eles por continuarmos juntos”, completa. 

Irmãos de coração

Mas a irmandade não se limita aos laços de sangue. Para muitos, ela nasce da convivência, da amizade e do companheirismo construído ao longo do tempo. A jovem Jéssyka Azevedo, de 26 anos, explica que, embora não tenha irmãos biológicos, não se sente sozinha. “Mesmo não tendo irmãos de sangue, acredito que o Dia do Irmão é um convite para refletir sobre os laços de afeto que cultivamos ao longo da vida. Irmão não é apenas quem nasce da mesma família, mas também quem escolhemos para caminhar ao nosso lado, oferecendo apoio, cumplicidade e amor verdadeiro.”

Ela afirma que celebra todos aqueles que considera irmãos de coração. “São essas pessoas que tornam a vida mais leve e significativa.”

A força dos vínculos

Especialistas em comportamento familiar apontam que os vínculos entre irmãos exercem papel essencial na formação da identidade e na socialização. Ao longo da vida, eles podem ser os primeiros a ensinar sobre empatia, respeito às diferenças e resolução de conflitos. Além disso, oferecem uma rede de apoio emocional única, capaz de atravessar distâncias e adversidades.

No Brasil, a celebração do Dia do Irmão é marcada pelo aspecto simbólico e afetivo. Em tempos de conexões digitais, muitos aproveitam para expressar, nas redes sociais, mensagens de carinho e agradecimento. Outros preferem manifestações mais íntimas, em forma de telefonemas, encontros ou pequenos gestos de atenção.

Mais do que uma data no calendário

Seja em famílias numerosas ou em lares com apenas dois filhos, a presença de irmãos é, para muitos, um dos pilares da vida. O Dia do Irmão, ainda que não oficializado, reforça a ideia de que a fraternidade, seja de sangue ou de coração, é um elo transformador. Na correria do cotidiano, a data funciona como um lembrete para valorizar aqueles que caminham ao nosso lado desde os primeiros passos ou que, ao longo da jornada, conquistaram espaço no coração. Afinal, como resume Josué, “a palavra que define tudo é gratidão”.

 

* Reportagem da estagiária Laís Lima com supervisão de Henrique Amorim 

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