O prefeito Johnny Maycon (PL) voltou atrás em uma decisão que previa não considerar o Dia de São Jorge, próxima quinta-feira, 23, feriado no município, transferindo a celebração da data para a segunda-feira, 20, que será ponto facultativo nas repartições municipais. A antecipação da celebração do Dia de São Jorge no município já era prevista por um decreto municipal de 8 de janeiro que estabeleceu o calendário de feriados e pontos facultativos no município este ano.
Após enfrentar forte repercussão negativa e uma série de questionamentos de diferentes setores da sociedade, o prefeito reconsiderou a decisão e estabeleceu o calendário das repartições municipais na semana que vem através de um novo decreto. Agora, na segunda-feira, 20, será ponto facultativo; na terça-feira, 21, feriado nacional de Tiradentes; na quarta, 22, expediente normal; na quinta, 23, feriado estadual de São Jorge, e na sexta, 24, expediente normal. Já nas repartições estaduais, este dia também será ponto facultativo.
A prefeitura, no entanto, destaca que os serviços essenciais serão mantidos durante todos os dias de folga do funcionalismo público, incluindo atendimentos hospitalares, atuação da Guarda Civil Municipal e serviços de trânsito.
A mudança de posicionamento do prefeito ocorreu depois de uma forte pressão política e mobilização social, com destaque para a atuação da vereadora Maiara Felício (PT) e de coletivos formados por lideranças religiosas de casas de matriz africana em Nova Friburgo.
A medida inicialmente prevista gerou desconforto entre os grupos afetados e provocou debates sobre direitos, representatividade e inclusão. Diante da reação, o recuo foi interpretado como uma resposta direta às críticas públicas e às cobranças por maior diálogo.
Debate sobre direitos e respeito religioso
O episódio trouxe à tona uma discussão mais ampla sobre liberdade religiosa e reconhecimento institucional das religiões de matriz africana em Nova Friburgo que celebram a festividade de São Jorge, sincretizado como Ogum na umbanda. Representantes desses grupos apontaram que decisões tomadas sem consulta prévia podem reforçar desigualdades históricas e preconceitos estruturais.
Para as lideranças religiosas, o caso evidencia a necessidade de políticas públicas que considerem a pluralidade cultural da cidade, assegurando o direito à prática religiosa sem interferências indevidas.
Recuo e expectativa por diálogo
Embora a prefeitura não tenha detalhado todos os pontos revistos, a decisão de recuar foi recebida como resultado da pressão exercida por setores organizados da sociedade e pelo Legislativo. A expectativa, agora, é de que a prefeitura estabeleça canais de diálogo com os grupos envolvidos, buscando construir soluções de forma participativa e evitar novos conflitos.

Deixe o seu comentário