Gases de efeito estufa: Estudo mostra potencial de redução com a reciclagem

Se os resíduos sólidos fossem reciclados após o descarte, a redução de emissões seria de três milhões de toneladas de carbono, aponta a Firjan
sexta-feira, 07 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Freepik
Foto: Freepik

O Estado do Rio de Janeiro aterra, anualmente, 2,5 milhões de toneladas de resíduos pós-consumo com potencial de reciclagem, como mostrou a edição 2025 do Mapeamento de Recicláveis Pós-Consumo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Além de evitar o desperdício econômico e o impacto ambiental, a reintrodução desses materiais em processos produtivos poderia contribuir para a descarbonização do estado.

Um novo levantamento da Firjan, divulgado na última quarta-feira, 5,  indica que poderiam ter sido evitadas, somente em 2023 (ano-base do estudo), as emissões de pelo menos três milhões de toneladas de carbono no estado, caso o papel e papelão, plástico, metal e vidro aterrados tivessem sido reciclados.

O cálculo feito considera o gasto evitado de energia ao se substituir insumos virgens por materiais reciclados nos processos de fabricação de novos produtos, bem como emissões que deixariam de acontecer pelo fato de o papel e o papelão não serem enviados para aterros, onde gerariam emissões no seu processo de degradação.
Para ilustrar a relevância dessa oportunidade de mitigação, a quantidade de emissões que deixariam de ocorrer, anualmente, com a reciclagem equivalem ao processo de fixação do carbono por 21 milhões de árvores em, no mínimo, 12 mil hectares plantados (ou 12 mil campos de futebol). A título de comparação, o impacto positivo da reciclagem no estado para o clima equivale à compensação de carbono feita por uma floresta equivalente em tamanho ao município de Niterói.

Rio em 15º lugar na emissão de GEE

O Estado do Rio de Janeiro ocupa a 15ª posição no ranking de maiores emissores de gases de efeito estufa (GEE) do país, segundo dados obtidos no Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) A segunda categoria que mais emite GEE no estado é a que engloba o setor de tratamento de resíduos sólidos e efluentes líquidos, representando 17,6% - total de 12 milhões de toneladas de gases de efeito estufa equivalente (tCO2 eq) em 2023.
“Além de gerar novas oportunidades econômicas e de negócios para a indústria, a reciclagem pós-consumo é uma poderosa aliada na redução de emissões e na transição para uma economia de baixo carbono. E contribui diretamente para as estratégias de descarbonização do Estado — e do país”, destaca Jorge Peron Mendes, gerente de Sustentabilidade da Firjan.

De acordo com Peron, as ações de mitigação de GEE do setor de resíduos mais disseminadas são as de captação e aproveitamento do gás metano, gerado pela decomposição dos orgânicos em aterros, já que este é o impacto de emissões mais relevante da atividade de disposição em solo. 

“No entanto, a recuperação de valor da fração seca dos resíduos também representa uma oportunidade de redução de emissões. Com as novas políticas que buscam incorporar abordagens de economia circular e valorização de resíduos, esta é uma oportunidade ao qual se deve atentar”, destaca.

 Idealmente, a rede de reciclagem colaborará mais para a redução de emissões quanto menos o resíduo precisar ser transportado entre pontos de geração e de beneficiamento. Por isso, políticas públicas que fortaleçam a infraestrutura de triagem e recuperação de valor de resíduos próxima aos grandes centros de geração de resíduos sólidos urbanos, onde há adensamento populacional, são essenciais para que o resíduo percorra distâncias cada vez menores, evitando as emissões relacionadas à queima de combustíveis no transporte rodoviário.

 A economia da reciclagem

 O Mapeamento dos Recicláveis Pós-Consumo no Estado do Rio de Janeiro 2025 aponta que 2,5 milhões de toneladas de resíduos sólidos pós-consumo com potencial de reciclagem são depositados anualmente em aterros fluminenses. São plásticos, papel e papelão, vidro e metais, materiais equivalentes a mais de R$ 2,6 bilhões, literalmente enterrados. Caso fossem reinseridos como insumos na indústria, encadeariam um investimento produtivo adicional de R$ 6 bilhões na economia, proporcionando a geração de renda de R$ 11,6 bilhões, além da criação de 40,6 mil empregos diretos e indiretos. A íntegra do Mapeamento está disponível no Observatório Firjan: Mapeamento dos Recicláveis Pós-Consumo no Estado do Rio de Janeiro | Observatório Firjan.

 

Apoie o jornalismo de qualidade

Há 81 anos A VOZ DA SERRA se dedica a buscar e entregar a seus leitores informações atualizadas e confiáveis, ajudando a escrever, dia após dia, a história de Nova Friburgo e região. Por sua alta credibilidade, incansável modernização e independência editorial, A VOZ DA SERRA consagrou-se como incontestável fonte de consulta para historiadores e pesquisadores do cotidiano de nossa cidade, tornando-se referência de jornalismo no interior fluminense, um dos veículos mais respeitados da Região Serrana e líder de mercado.

Assinando A VOZ DA SERRA, você não apenas tem acesso a conteúdo de qualidade, mantendo-se bem informado através de nossas páginas, site e mídias sociais, como ajuda a construir e dar continuidade a essa história.

Assine A Voz da Serra

TAGS: