Tecidos de cera de abelha substituem embalagens plásticas

Ecológico e sustentável, produto é fabricado com matérias-primas 100% nacionais
sábado, 18 de julho de 2020
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
(Fotos: Divulgação)
(Fotos: Divulgação)

A preocupação com o lixo e a preservação do meio ambiente, em todo canto da Terra, já promoveu o desenvolvimento de tecidos reutilizáveis impermeabilizados com cera de abelha, os chamados "panos de cera", como a alternativa sustentável ao plástico filme (PVC) e ao papel alumínio. Hoje, graças ao pioneirismo da curitibana Maribel Albreschtt, Nova Friburgo já conta com sua própria produção de tecidos de cera.

Em 2018, ela criou a Zum Tecido de Cera, “a partir de uma inquietação” que carregava desde 2004, quando ainda vivia no Rio. Mãe solo de três crianças nascidas em casa, personal organizer ligada aos movimentos de sustentabilidade e redução de lixo, desde os 20 anos, ela conta que buscava alternativas que pudesse trazer praticidade e consciência ecológica ao seu cliente. 

“Foi quando me deparei com os tecidos encerados, ainda desconhecidos no Brasil, e me apaixonei pela solução para redução do plástico. Me tornei uma das pioneiras desse produto no mercado, e hoje é minha única fonte de renda, onde emprego também outra mãe solo. Depois de muitas pesquisas, encontrei uma solução que assegura aos tecidos durabilidade de até 12 meses em uso contínuo com qualidade e segurança”, revelou. Confira essa história: 


A VOZ DA SERRA: O tecido de cera substitui perfeitamente o plástico? O quanto é útil e qual a diferença dos dois produtos em relação ao impacto na natureza? 

Maribel Albreschtt: Sim, substitui e basta usar a temperatura das mãos para moldar qualquer tipo de embalagem, como cobrir potes sem tampas, pães, queijos, legumes, frutas, verduras. A manutenção também é fácil. Lavar com água corrente, sabão neutro e esponja macia e o tecido está pronto para reuso. É uma alternativa eficiente ao uso de plástico filme e papel alumínio, produtos bastante tóxicos, absolutamente impossíveis de reciclar. Como são reutilizáveis por até um ano em uso contínuo, sem perder a qualidade, a redução do uso do plástico de uso único, é impactante: um único pedaço de plástico filme quando jogado no lixo, por exemplo, leva 450 anos para se decompor na natureza, enquanto um tecido de cera leva apenas três meses para se decompor em composteira. 

De onde vêm as matérias-primas?

Tenho dois fornecedores de cera, um de São Paulo, e o Amigos da Terra, apiário de Friburgo. Ambos fornecem cera de qualidade certificada e extração sustentável. Me preocupo com a qualidade dos meus fornecedores, para garantir ao cliente final um produto com durabilidade e qualidade, sem esquecer questões sensíveis à sustentabilidade e respeito ao meio ambiente. Os tecidos são 100% algodão, priorizo as estampas digitalizadas, que representam 90% a menos de resíduo tóxico em sua produção, além de garantir qualidade no produto final. Toda a nossa produção é pensada para gerar lixo zero. Nossos resíduos são encaminhados para um parceiro local, o Clube do Humus, onde é compostado e temos tido resultados positivos na redução do descarte. Os retalhos dos tecidos sem cera são encaminhados para artesãs ou escolas do bairro, assim a cadeia de reaproveitamento se estende à comunidade.

Quais fatores foram mais desafiadores na implantação do negócio?

Comecei em formato experimental e o desafio mais marcante foi encontrar um ponto de equilíbrio entre os componentes usados para ter certeza que os tecidos seriam duráveis e seguros para cobrir alimentos. Como sou uma das pioneiras, tive de inventar minha própria receita e encontrar os materiais nativos, equivalentes aos que eu encontrava em sites estrangeiros. No Brasil, esses tecidos ainda são uma novidade, mas no Canadá e Europa, por exemplo, já são utilitários de fácil acesso. Desde o início, já produzimos, aqui no Cascatinha, mais de dez mil peças. Para mim, esse número é gratificante, pois cada vez mais as pessoas estão buscando alternativas para o consumo consciente.

O que fez para atrair o interesse das pessoas e formar a sua clientela?

Eu já tinha uma rede de contatos ampla, pois trabalho com loja virtual desde 2008, porém, como se trata de uma novidade, o cliente precisa romper barreiras e possíveis preconceitos. Apesar de ter um número expressivo em vendas, para cada pessoa que chega na Zum, eu começo do zero fazendo um trabalho de polinização. Conscientizo o cliente da importância da redução do plástico e do porquê optar por usar os tecidos. As pessoas em geral se apaixonam pelo propósito da empresa e pelas estampas que são escolhidas com critério. Só posso garantir uma coisa, quem usa volta, e isso é maravilhoso!

Como é feita a divulgação da empresa?

Estamos presentes tanto nas redes sociais como em feiras no eixo Rio-SP. Aqui em Friburgo, já participamos de duas edições da Feira da Sustentabilidade, que acontece em setembro. Além disso mantenho uma loja virtual atendendo em todo território nacional.

O que mais chama atenção do seu cliente? São pessoas atentas às questões ambientais?

Sem dúvida, as estampas são nosso grande diferencial. Meu público vem basicamente de três nichos: o que já está ambientado nas questões de sustentabilidade e redução do lixo; o que está em transição; e aquele que nunca se atentou para o assunto, mas se interessa pela proposta do tecido.

A curiosidade pode eventualmente despertar um cliente para esses temas, atrair uma pessoa indiferente à causa? 

Sem dúvida. Quando chamamos a atenção para a importância do consumo consciente e da preservação dos recursos naturais, não queremos dizer ‘sejam radicais’. Convidamos as pessoas a começarem pelo simples e irem gradativamente mudando os hábitos, e uma coisa vai levando a outra. São atitudes fáceis de serem praticadas no dia a dia no micro, que dão resultados excelentes no macro. Quando nós, consumidores, tomamos atitudes, as empresas e as leis vão se adequando às nossas mudanças e, vamos deixar claro, precisamos tomar atitudes urgentes e está nas nossas mãos mudar, somos uma rede conectada ao todo e minha atitude individual resulta no coletivo.

Neste período de isolamento social, aumentou o interesse por esse tipo de utilitário?

Sim, tive um aumento de 200% em vendas, e acredito que pelo fato de as pessoas estarem em casa, estão mais dispostas a observarem seu cotidiano. Sem contar que ficou claro, que uma pandemia nos coloca em posição de nos responsabilizarmos por mudanças de hábitos, que estamos todos em rede.

Para encerrar, que benefícios que o tecido de cera oferece?

É comprovado que o uso do tecido de cera preserva por muito mais tempo os alimentos dentro e fora da geladeira. A película protetora de cera nos tecidos é como nossa pele, permitindo o alimento respirar, ao mesmo tempo que preserva, evitando ressecamento e desidratação dos mesmos. Significa economia e cuidado na manutenção dos nossos alimentos. 

Serviço:

Nas redes: @zumtecidodecera (Instagram e Facebook). Site: www.zumtecidodecera.com.br / (22) 9 9986 1479. Em Nova Friburgo, entregas via mototaxi ou retirada na sede (Cascatinha).

 

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