Preço do leite dispara e surpreende consumidores

Com valor médio de R$ 7, o litro em caixinha tipo longa vida, produto subiu mais que o esperado no período de entressafra
quinta-feira, 30 de junho de 2022
por Christiane Coelho, especial para A VOZ DA SERRA
Foto: Pexels
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Quem consome ou costuma comprar leite com frequência já sabe. Sempre nos períodos de outono e inverno, entre março e setembro, o preço aumenta devido à entressafra, pois quando o clima fica mais seco, a produção de leite cai nas fazendas. Mas, o reajuste deste ano foi bem acima do esperado pelos consumidores. No início de maio, ainda se achava o litro do leite em caixinha do tipo longa vida no comércio de Nova Friburgo por R$ 4,60. Hoje, o valor mais baixo é R$ 6,15, em uma rede de supermercados no Centro. Há mercados vendendo a caixa de um litro por R$ 6,99, outros por R$ 7,19, R$ 7,99 e até R$ 9,99 (o especial sem lactose). O produto também anda sumido dos encartes de promoções dos supermercados.

A alta do preço do leite, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), em 12 meses, chega a 18%, índice maior que a inflação do período, que é de 11,73%. O reajuste do leite começou a ser percebido em fevereiro, quando teve aumento de 1,04%. Em março, o aumento foi de 3,41%. Abril foi o mês com maior reajuste, 12,21%, e maio com 7,9%, de acordo com dados do IPCA, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo.

Impacto nas finanças das famílias 

A empreendedora Lívia Queiroz admite ter tido um choque nesta semana ao constatar o valor do litro do leite no supermercado. Mãe de três filhos, de sete, 12 e 14 anos, o consumo mensal da família é de duas caixas com 12 litros de leite cada. “No início pensei que o valor alto fosse só no supermercado que eu fui. Mas depois vi que nos outros lugares estava o mesmo preço ou mais alto. Com três crianças que consomem leite diariamente, a única saída tem sido a compra por semana, em vez da mensal, para ver se conseguimos alguma promoção”, disse ela.

Motivo do aumento

Além de ser o período da entressafra, outros fatores contribuíram para o aumento do leite acima do esperado neste ano. Silvio Marini, presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado do Rio de Janeiro (Sindlat) e também da Cooperativa de Leite de Macuco explica que as alterações climáticas ocorridas pela fenômeno La Niña, no final do ano passado, prejudicaram a produção de leite, provocando seca na região Sul (grande produtora de leite, milho e soja) e as chuvas muito intensas em Minas Gerais – que dificultaram a pastagem do gado por alguns dias e o armazenamento da ração. “Também houve o aumento de diversos insumos, como a soja e o milho, além da alta dos combustíveis, medicamentos e suplementação mineral, que impactam diretamente no custo do produtor”, disse ele.

Marini informou ainda que a oferta do produto na entressafra também está menor esse ano, devido às condições climáticas que atingiram o Sul do país. “Geralmente, na entressafra do Sudeste, produtores do Sul abastecem a região, o que não está acontecendo. Na cooperativa estamos recebendo menos 20% do leite que recebemos normalmente. Além disso, é importante lembrar que o Estado do Rio de Janeiro importa 80% do leite que consome, não é um estado de tradição leiteira, como Minas Gerais”, esclareceu ele.

Para o consultor financeiro e colunista de A VOZ DA SERRA, Gabriel Alves, o setor de alimentos e bebidas traz muita complexidade para a análise de preços porque tem grandes cadeias interligadas no processo de produção. “O custo de produção do leite, por exemplo, pode sofrer muito com o choque de oferta de grãos observado no cenário global. Isso porque os preços são cotados num cenário dolarizado e até mesmo a crise provocada pela guerra entre a Rússia e a Ucrânia interfere nos preços de equilíbrio dos produtos, que posteriormente vêm a ser matéria-prima para a produção de ração do gado. Quando este cenário encontra o período de entressafra – que já é, naturalmente, uma fase difícil para o produtor – os preços de custo tendem a aumentos mais expressivos, causando forte impacto no bolso do consumidor. Falando ainda das grandes cadeias de produção do setor de alimentos e bebidas, o problema se estende para toda a rede de laticínios: se o leite está mais caro, seus derivados (como queijo e iogurte, por exemplo) tendem a sofrer impactos ainda mais expressivos”, explicou Gabriel.

 

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