Por quem os sinos dobram? Eles dobram por ti...

Diálogo de Hemingway ficou imortalizado por Gary Cooper e Ingrid Bergman em filme que relata os horrores da guerra civil espanhola
sábado, 20 de fevereiro de 2021
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
Cena do filme
Cena do filme "Por quem os sinos dobram?", inspirado na obra de Hemingway

O escritor norte-americano Ernest Hemingway escolheu os versos que dão título a esse texto para o que é considerado o maior de seus romances, no qual relata os horrores da guerra civil espanhola (1936 a 1939): Por Quem os Sinos Dobram (For Whom the Bell Tolls), publicado em 1940, é considerado pela crítica uma de suas mais belas obras.

O livro narra a história de Robert Jordan, um norte-americano que integra as Brigadas Internacionais. Professor de espanhol e conhecedor do uso de explosivos, Jordan recebe a missão de explodir uma ponte por ocasião de um ataque simultâneo à cidade de Segóvia. 

Hemingway usa como referência sua experiência pessoal como voluntário da Guerra Civil Espanhola, ao lado dos republicanos e faz uma análise ácida, com críticas à atuação extremamente violenta das tropas de ambos os lados: a dos os nacionalistas (aliados dos governos fascista italiano e do nazista alemão), e a dos republicanos (apoiados pelas brigadas internacionais e pela antiga União Soviética). 

Mas, acima de tudo o livro trata da condição humana. O título é referência a um poema do pastor (sacerdote anglicano) e escritor inglês John Donne, na obra Meditações —, no qual invoca o absurdo da guerra, principalmente a guerra civil, travada entre irmãos. "Quando morre um homem, morremos todos, pois somos parte da humanidade".

Em várias passagens do texto os personagens mergulham em reflexões sobre a condição de estar em guerra contra seu próprio povo, portanto, irmãos, durante a guerra. E fraquejam ao ver nos inimigos seres humanos que poderiam estar em qualquer um dos lados do conflito. Ao lado deles...

Em 1943, Sam Wood dirigiu o filme baseado no livro, com Gary Cooper e Ingrid Bergman, onde em um dos diálogos é proferida a frase que se tornou, não apenas conhecida, mas popular em todo o mundo: “… não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”.

“Nenhum homem é uma ilha, cada homem é uma partícula do continente, uma parte da Terra. Se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio. A morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”, escreveu o poeta inglês John Donne (1572 | 1631), em 1624. 

E os sinos, desde sempre tocaram, dobraram, em todas as partes do mundo, pelas causas, por nós, para nos chamar, nos alertar. 

“A linguagem dos sinos, como aprendi em visitas a cidades históricas repletas de igrejas, é cheia de nuances. Um sino pode tocar para marcar o horário de uma missa, avisar emergências, chamar para procissões, anunciar nascimentos ou falecimentos. Aliás, quando emitem um cântico fúnebre, essa linguagem cheia de mensagens cifradas leva à pergunta óbvia: por quem os sinos dobram? Ou, quem morreu? Um poema escrito há quatro séculos, ao mostrar a conexão entre tudo o que existe no mundo, resumiu: quem morreu foi você”. (Rafael Sette Câmara, jornalista, site 360meridianos). 

Em tempos de isolamento social — como o atual, devido à pandemia —, nossos sentidos estão mais aguçados, sensíveis. Tudo ao nosso redor chama a nossa atenção, como o canto dos passarinhos, o ruído das folhagens, a movimentação dos animais silvestres, passando pelo barulho da chuva, dos ventos.  Mas, quando o som não faz parte de nosso cotidiano, como o de um sino, somos “chamados” naquele exato momento pela beleza da melodia emitida pelas badaladas das horas. Um mistura de sentimentos toma conta da gente: “vemos” a passagem do tempo que nos faz refletir sobre a nossa condição humana, sobre o que temos feito de nossas vidas e, principalmente, como estamos enfrentando esse período doloroso.

O que posso dizer sobre tudo isso? Que tem sido uma benção ouvir o que me tem dito e despertado o sino da Capela Santo Antônio. Foi assim, num dia qualquer de janeiro que comecei a escutar o carrilhão, tão perto de mim e sem saber de onde vinha. Não passou pela minha cabeça que seria da Capela, afinal, morando por ali, nunca o ouvi antes.

 

 

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