PF prende suspeito de pirâmide financeira; colunista dá dicas de como não cair nesse golpe

Homem é acusado de operar um esquema milionário com falsos investimentos em criptomoedas
sexta-feira, 27 de agosto de 2021
por Jornal A Voz da Serra
Bitcoins é um tipo de criptomoeda (Foto: Getty Images)
Bitcoins é um tipo de criptomoeda (Foto: Getty Images)

O dono da suposta empresa de investimentos em ativos digitais GAS Consultoria Bitcoin, Glaidson Acácio dos Santos, foi preso na última quarta-feira, 25, pela Polícia Federal. Ele é acusado de ser responsável por um esquema de pirâmide financeira envolvendo a moeda digital. O suspeito foi alvo da operação Kryptos. De acordo com as investigações, ele teria movimentado bilhões com a fraude ao longo de anos.

Glaidson foi encontrado na Zona Oeste do Rio. Uma força-tarefa invadiu sua mansão e apreenderam reais, dólares e euros, além de carros de luxo (foto abaixo, do Uol). Até mesmo barras de ouro estavam entre sua fortuna. Os agentes da PF se surpreenderam com a quantidade de dinheiro encontrada no local, afirmando que nem mesmo a Operação Lava-Jato confiscou tamanha fortuna.

No total, os policiais foram enviados para cumprir nove mandados de prisão e 15 de busca e apreensão nos estados do Rio, Ceará e Distrito Federal. Além do dono da GAS Consultoria, outro homem foi preso tentando fugir para Punta Cana, na República Dominicana, através do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

O esquema da pirâmide de bitcoin já era investigado há dois anos. Até mesmo o programa Fantástico do último domingo, na Rede Globo, contou a história da GAS, que se passava por uma consultoria de investimento em criptomoedas. A empresa prometia lucros de 10% a 15% ao mês ao negociar o ativo digital, o que por si só já é suspeito diante da enorme volatilidade da criptomoeda.

Pirâmide movimentou bilhões

Nesse tipo de fraude financeira, também chamada de esquemas Ponzi, os golpistas mantêm um fluxo de investidores entrando e aplicando mais dinheiro para pagar os membros mais antigos. Então, para que as novas pessoas comecem a receber alguma coisa, elas devem atrair mais gente para o esquema. Contudo, trata-se obviamente de um modelo insustentável que eventualmente desaba e poucas pessoas no topo saem no lucro enquanto a maioria dos participantes perde todo seu dinheiro.

A força-tarefa da PF descobriu ainda que Glaidson nem sequer aplicava o dinheiro de seus clientes em bitcoin e aparentemente embolsava toda a quantia, que chegou na casa dos bilhões de reais ao longo dos anos, segundo os agentes.

A maioria das vítimas do esquema de pirâmide da GAS Consultoria são de Cabo Frio e demais municípios da Região dos Lagos, que ganharam o apelido de "Novo Egito", pela quantidade de golpes similares ocorridos na região. A PF também informou que todo o esquema contava com várias empresas envolvidas e operaram por ao menos seis anos. Contudo, cerca de 50% de toda a movimentação financeira do esquema ocorreu nos últimos 12 meses.

Empresa nega investir em criptomoedas

Inicialmente, quando prestou depoimento, Glaidson disse que não negociava criptomoedas e que sua empresa atuava no ramo de inteligência artificial, tecnologia da informação e produção de software. Porém, a GAS nem sequer tinha site ou perfis em redes sociais. O telefone da companhia disponível na Receita Federal também não funcionava. Mas o posicionamento para clientes diferia, afirmando que o grupo tinha experiência no mercado de criptoativos e atuava no ramo já há nove anos.

A defesa de Glaidson informou que está à disposição das autoridades para qualquer esclarecimento: "A GAS de Glaidson Acácio, que atua no ramo de tecnologia e consultoria financeira em criptomoedas, não compactua com ilegalidades e preza pela licitude de todas as suas operações", declarou o advogado do suspeito, Thiago Minagé. (Com informações do G1 e Terra)

Artigo: Crimes financeiros, nenhuma novidade

Infelizmente o assunto de hoje não é nenhuma novidade. Viver o dia a dia do mercado financeiro – e minha profissão proporciona essa vivência – me permite identificar movimentos historicamente conhecidos: a ganância do indivíduo, alerta Gabriel Alves na sua coluna "Educação financeira".

Mais do que a falta de conhecimento financeiro (e ele reconhece que a pouca informação financeira tem grande influência na formação cidadã), a ânsia pelo enriquecimento rápido pode ser responsável pela desestruturação das finanças pessoais de muitos que abandonam a razão em troca do pensamento no saldo da conta-corrente. Além, é claro, da maldade dos criminosos em operacionalizar fraudes, é a partir da ganância dos lesados que surge a demanda por esquemas de pirâmides financeiras.

Estes, por sua vez, só existem porque dão certo num breve espaço de tempo. Caso contrário, novos entrantes não seriam captados para manter o funcionamento das operações até que, por fim, todas acabam do mesmo jeito: prisões e calotes. Contudo, avisos não faltaram. Abaixo, seguem alguns trechos de textos de Gabriel Alves publicados na coluna "Educação financeira" em A VOZ DA SERRA:

14/02/2020 – Atenção!

“Sabe aquele ‘investimento’ – entre muitas aspas – de curto prazo, com altíssima rentabilidade e seguro que algum conhecido te indicou? Não existe! E afirmo com total convicção.”

“Vê como essas promessas absurdas são inviáveis? Pois infelizmente, algumas pessoas – por falta de educação financeira e um pouco de ganância – acabam caindo em golpes de investimentos fraudulentos.”

11/09/2020 – Os riscos de investimentos fraudulentos

“Já ouviu falar em esquemas de pirâmide financeira? Este é definido como crime contra a economia popular e é o caso mais comum entre os golpes de investimentos fraudulentos; dentre os 11% dos brasileiros lesados por esquemas fraudulentos, 55% já se envolveram em esquemas de pirâmides. A maioria dos casos acontece devido às promessas de alta rentabilidade, seguidos pela garantia da não necessidade de conhecimento acerca de investimentos e de baixo risco.”

“‘Você deposita o dinheiro na minha conta, eu boto para girar e te pago uma rentabilidade mensal de 2%’. Parece uma proposta comum? É crime!”

12/02/2021 – Vamos falar de bitcoin?

“Em sua maioria, enquadrados como pirâmides financeiras, são considerados – judicialmente – como crime contra a economia popular e os impactos negativos causados à sociedade deixam seu rastro de sofrimento em cada família que perde muito (quiçá tudo) ao cair em golpes disfarçados de investimentos em bitcoins.

Percebe como o maior risco não é o bitcoin em si, mas sim o meio para investir no ativo? As criptomoedas têm surgido como máscara para criminosos e você precisa estar atento aos detalhes de cada alocação de capital em seus investimentos. Esse é meu papel aqui: divulgar conhecimento financeiro para que você esteja suficientemente capacitado para tomar boas decisões financeiras.”

Escolher seus investimentos, no entanto, é uma tarefa complexa que pode ser simplificada com o estudo e/ou acompanhamento profissional de empresas e pessoas certificadas (portanto, autorizadas a exercer suas atividades pelas autoridades financeiras, como o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários, por exemplo) para te assessorar nas melhores escolhas de acordo com a sua necessidade. Procure conhecer a profissão dos agentes autônomos de investimentos – a propósito, esta é a minha profissão – e entenda como seus investimentos podem ser feitos dentro de regulamentações específicas para proporcionar a sua segurança como investidor.

No mais, alguns pontos específicos precisam ser analisados para conferir a seriedade dos seus investimentos.

Liquidez: dentro dos seus investimentos, esse é o primeiro ponto a ser analisado, pois trata-se do período de tempo entre investimento e resgate do capital; podendo haver lucro ou não. Portanto, planeje bem os produtos que estarão em sua carteira para não “ficar na mão” enquanto aguarda o prazo de resgate do seu dinheiro.

Rentabilidade: essa é a parte que enche os olhos; qualquer desavisado pode considerar este único ponto e tomar uma decisão ruim. Se eu puder me considerar como um, leve essa dica de amigo para sempre: quanto maior a rentabilidade, maior o risco. Fique atento! Mas então, como ter uma boa rentabilidade? Vamos falar em segurança primeiro.

Segurança: tudo começa com conhecimento e bom senso, saiba distinguir o que é real do inatingível. Os riscos no mercado financeiro se resumem a administração de grandes instituições onde estão seus investimentos e a sua falta de planejamento. Se você busca alta segurança, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) está aqui para garantir, dentro de algumas regras específicas, até R$1milhão por CPF. Plena segurança, liquidez predefinida e rentabilidade baixa a mediana.

Agora se busca investimentos mais arrojados com alto potencial de rentabilidade, vai precisar se aventurar no mercado de renda variável da Bolsa de Valores. Aqui, o maior risco é a volatilidade. Já viu os gráficos de alguma ação da Bolsa? Caso sim, é provável que tenha reparado nas grandes variações de preço; isso é volatilidade. Por mais que tenha optado por uma boa empresa e esteja alinhado com os parâmetros de administração da instituição, a variação de preço vai existir. E se você não tiver feito a base do seu planejamento, corre o risco de resgatar o capital investido em algum momento de baixa. A renda variável concentra alguns riscos, mas o principal erro de um investidor comum é a falta de planejamento.

Lidar com dinheiro e investimentos é assunto delicado, merece ser encarado com a devida seriedade. Investimentos fraudulentos, além de crime, são um desrespeito às suas finanças: só você sabe o quão é suado o ato de fazer dinheiro com seu trabalho e da noite pro dia surge alguém te prometendo a riqueza imediata? É desrespeitoso! Desrespeito com o seu patrimônio, com o seu trabalho e com a saúde da boa relação familiar.

O colunista lembra que o leitor de A VOZ DA SERRA tem uma grande (enorme) fonte de conteúdo financeiro de qualidade nas mãos. Dinheiro é assunto sério, e o que não faz falta para você pode arruinar famílias inteiras.

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