Pacientes relatam que falta de médicos tem sido recorrente no Raul Sertã

Prefeitura diz que “muitos desses profissionais estão na linha de frente do combate ao coronavírus e nem sempre estão disponíveis para atendimento na primeira hora”
terça-feira, 15 de setembro de 2020
por Fernando Moreira (fernando@avozdaserra.com.br)
A triagem na entrada da emergência do Raul Sertã (Arquivo AVS/ Henrique Pinheiro)
A triagem na entrada da emergência do Raul Sertã (Arquivo AVS/ Henrique Pinheiro)

Não é de hoje que a população friburguense se queixa da falta de médicos e dos problemas de atendimento no Hospital Municipal Raul Sertã, principalmente no Centro de Tratamento de Urgência (CTU). O assunto tem sido tema de reportagem com frequência em A VOZ DA SERRA e motivo de muitas queixas dos leitores através das redes sociais e telefonemas para a nossa redação. De acordo com denúncias recebidas pelo jornal, o problema se repetiu no último fim de semana, o que gerou novamente uma sobrecarga na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do distrito de Conselheiro Paulino, que ficou lotada já que teve que absorver o atendimento que não estava sendo feito no setor de urgência do Raul Sertã, que é o maior hospital da região.

Segundo o autônomo Antonio Gonzaga, de 47 anos, ele esteve no Hospital Municipal Raul Sertã no sábado, 12, por volta das 11h, mas como não tinha médicos atendendo, foi obrigado a se deslocar para a UPA. Isso acabou se tornando um novo problema, já que ele não possui carro e, com muitas dores abdominais, precisou pagar um motorista por aplicativo para leva-lo à UPA.

Ainda de acordo com Antonio, chegando lá, mais problemas. Ele conta que devido a demanda reprimida do Raul Sertã, precisou aguardar cerca de uma hora para receber o primeiro atendimento. Após a longa espera, nova decepção. Dos três remédios receitados pelo médico que o atendeu, o mais caro deles não estava disponível na unidade de saúde, o que o fez gastar mais R$ 85 para comprar o medicamento.

Entre a chegada no Hospital Raul Sertã e o atendimento na UPA, Antonio conta que se passaram quase quatro horas, fora o transtorno, as dores e o prejuízo financeiro com o transporte até a UPA e com o medicamento que deveria ter sido fornecido pelo município. “É um absurdo a situação que se encontra a saúde pública de Nova Friburgo. Onde já se viu, em plena pandemia não ter médico atendendo no único hospital público da cidade? Para mim, não há justificativa que explique isso. É muito sofrimento a que a população tem que se sujeitar. Alguma coisa precisa ser feita. O povo friburguense pede socorro”, lamentou Antonio Gonzaga.

Após um fim de semana conturbado no atendimento, nesta segunda-feira, 14, a situação era um pouco mais tranquila. Por volta das 11h, mesmo horário em que o Antonio procurou atendimento na unidade de saúde, três médicos estavam atendendo, um na ala exclusiva para pacientes em tratamento contra a Covid-19 e outros dois para atendimento geral no hospital. Também não foram registradas filas na recepção, mas, segundo os pacientes e até mesmo alguns funcionários que não quiseram se identificar, a carência de médicos nos plantões do CTU tem se repetido nas últimas semanas. 

Ainda segundo esses servidores, muitos médicos tem sido acometidos do coronavírus e precisam se afastar; outros teriam faltado alguns plantões devido ao cansaço originário da sobrecarga de trabalho imposta pela pandemia. 

O que diz a prefeitura

Procurada por A VOZ DA SERRA para comentar a suposta falta de médicos relatada pelo paciente durante o último sábado, a Prefeitura de Nova Friburgo informou que havia encaminhado os questionamentos do jornal ao setor responsável e que, tão longo tenha as respostas, elas serão encaminhadas. Na mesma nota o Governo Municipal ressaltou que “muitos desses profissionais estão na linha de frente do combate ao coronavírus e, em decorrência de suas rotinas, nem sempre estão disponíveis para atendimento na primeira hora”.  

Recomendação

Conforme já noticiado por A VOZ DA SERRA na última sexta-feira, 11, o Conselho Municipal de Saúde de Nova Friburgo (CMS) emitiu uma nota de esclarecimento na qual informa que já tomou as medidas cabíveis junto a Secretaria Municipal de Saúde para averiguar a real situação, bem como uma recomendação para que fosse realizada a contratação imediata de profissionais de saúde em todos os setores necessários para o enfrentamento à pandemia de Covid-19.

O Conselho Municipal de Saúde solicita ainda aos órgãos de controle externo o acompanhamento do assunto em questão, entendendo que a sobrecarga dos profissionais que estão na linha de frente de enfrentamento poderia acarretar um desgaste físico, psicológico e emocional, “além da possibilidade de contaminação, somando-se a falta de infraestrutura adequada ao momento. Cabe portanto, ao Executivo Municipal, providenciar a infraestrutura e a população fazer a sua parte que é manter o isolamento social sempre que possível e usar máscara”, finalizou o CMS.

 

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