Nutricionista friburguense explica gatilhos, sinais e como tratar transtornos alimentares

Isolamento social e perda de libido podem acender o alerta para o problema, diz ela
sexta-feira, 04 de junho de 2021
por Jornal A Voz da Serra
Nutricionista friburguense explica gatilhos, sinais e como tratar transtornos alimentares

A nutricionista friburguense Joana Badini, especializada em Nutrição Clínica Funcional e Fitoterapia, faz uma abordagem resumida mas esclarecedora do Transtorno de Compulsão Alimentar (TCA), que vem tomando proporções significativas ao longo desse ano e meio de pandemia da Covid-19. Segundo especialistas, pacientes com transtornos alimentares possuem inadequações profundas no consumo, padrão e comportamento alimentar, além de diversas crenças equivocadas sobre alimentação, o que geralmente acarreta piora do estado nutricional.  Eles alertam que nesses casos, o tratamento nutricional visa a reverter tais alterações e promover hábitos alimentares saudáveis e melhor relação para com o alimento. E destacam que os objetivos e características do tratamento “diferem para a anorexia nervosa e a bulimia nervosa, e que, usualmente, a abordagem é dividida em duas fases — a educacional,  cujas principais metas são a regularização do hábito alimentar e melhor conhecimento nutricional — e a experimental, que visa a propiciar maior reabilitação nutricional e mudanças no comportamento alimentar”. Confira o que diz a nutricionista Joana Badini sobre o tema: 

Caderno Z: Qual a diferença entre bulimia nervosa e anorexia nervosa?

Joana Badini: Ambos são transtornos alimentares nos quais a pessoa apresenta obsessão pela magreza excessiva e faz de tudo para perder o máximo de peso. Quando atestam ganho de algumas gramas se desesperam. Na bulimia, por exemplo, o paciente consome grandes quantidades de alimento e, logo em seguida, compensa o excesso com uso de laxantes ou diuréticos, períodos de jejum forçado ou vômito espontâneo. Já na anorexia, que tem taxas de mortalidade que chegam a 20%, o paciente diminui drasticamente as quantidades ingeridas, podendo chegar ao ponto de parar de se alimentar. O oposto desses comportamentos também pode configurar um quadro de transtorno alimentar. A compulsão envolve episódios de exagero que aumentam o risco de obesidade, hipertensão e doenças cardiovasculares. Apesar de serem semelhantes em alguns aspectos, são transtornos diferentes, devendo ser devidamente diferenciadas para que o tratamento seja o mais adequado.

Quais são os sintomas, como se percebe que uma pessoa tem TCA?

Em seu estágio inicial, pode ser difícil para a família identificar um transtorno alimentar, já que a maioria dos pacientes esconde seus sintomas e maus hábitos. Mas existem alguns sinais de alerta que podem ser observados em boa parte dos casos. Os principais são:

 Perda de peso repentina O emagrecimento rápido é um dos sinais mais evidentes de um distúrbio alimentar. Declarar que não está com fome, oferecer desculpas para não se alimentar ou deixar boa parte da comida no prato são atitudes comuns de pessoas que sofrem de bulimia ou anorexia.

Restrição alimentar auto imposta Outra característica frequente em casos de transtorno alimentar é a restrição, seja de quantidades ou de grupos alimentares. O paciente pode argumentar que possui intolerância a certos alimentos ou se alimentar apenas com frutas e verduras, por exemplo, deixando de receber nutrição adequada para sua saúde.

Isolamento socialSintomas psicológicos e emocionais também estão associados aos distúrbios alimentares. Deixar de frequentar eventos, se encontrar com os amigos ou mesmo fazer as refeições com a família, buscando o isolamento, são sinais de alerta clássicos que não devem ser ignorados.

Perda do desejo sexual A libido também sofre as consequências de um transtorno alimentar. Além da falta de desejo, os homens podem ter dificuldade em manter a ereção. Já nas mulheres, o desequilíbrio alimentar afeta a produção de hormônios, podendo inclusive interromper a menstruação e, em casos mais graves, causar infertilidade.

Pode ainda provocar gastrite, descamação e pele seca, hipotermia e anemia. Muitas vezes os comportamentos de recusa alimentar ou a ingestão exagerada de alimentos ou tantos vômitos, são silenciosos e é de extrema importância que a família esteja atenta.

Essas doenças têm cura, podem ser controladas? De que maneira?

Sim. A detecção precoce dos sinais de risco aumentaria a probabilidade de intervenção prévia, diminuindo o risco de evolução crônica ou sequelas graves. Esses pacientes necessitam de acompanhamento médico especializado, sendo necessárias sessões de terapia com um psicólogo ou psiquiatra e consultas regulares com o nutricionista para que sejam verificadas as deficiências nutricionais e possa ser estabelecida uma relação mais saudável com a comida.

Como avalia a questão desde o início da pandemia? Aumentaram os casos de TCA na região?

Sim, principalmente porque estamos falando de um distúrbio desencadeado por fatores associados à depressão ou à ansiedade e que é resultado de uma complexa interação entre fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociais, culturais e ambientais. Sendo assim, toda essa instabilidade emocional, ansiedade, falta de controle, ausência do convívio social e dos momentos de lazer que estamos vivenciando há mais de um ano, podem ser gatilhos para o aumento do número desses transtornos na pandemia, que são caracterizados por alterações e perturbações psicológicas referentes à alimentação que interferem na saúde física e mental do indivíduo. Essas alterações referem-se ao excesso de comida ou à falta dela, que resultam nos principais tipos de distúrbios: anorexia nervosa, bulimia nervosa e compulsão alimentar.

O que significa dismorfia corporal? 

Quem tem transtorno dismórfico corporal possui uma preocupação exagerada com algum defeito imaginário em sua aparência física. O paciente nunca vai estar satisfeito com a sua aparência corporal independente de como estiver o aspecto físico, porque ele tem um transtorno de autoimagem. Ele se vê de forma distorcida.

Tem recebido mais pedidos de consulta

Sim, o número de pacientes, principalmente com compulsão alimentar, aumentou consideravelmente no consultório e nos teleatendimentos realizados desde o início da pandemia. Nesse momento de isolamento, distante do convívio social e dos momentos de lazer, muitas pessoas reconhecem que passaram a comer mais. O acompanhamento nutricional tem como principal objetivo a elaboração de uma rotina alimentar saudável, com horários determinados, a fim de evitar as “refeições fora de hora” e “beliscos” que facilmente acontecem neste período de isolamento. Reforçamos juntos as escolhas alimentares e a importância da qualidade nutricional das refeições, principalmente quando o assunto é imunidade e prevenção de doenças.  Além disso, em pacientes com compulsão alimentar pode ser necessária a suplementação de alguns nutrientes e fitoterápicos com a função de modulação de neurotransmissores (ex: serotonina, nosso hormônio do bem estar e prazer), modulação de leptina (hormônio da saciedade), melhora na ação da insulina, módulos de fibras que contribuem também com o objetivo de aumentar a sensação de saciedade e plenitude.

 

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